No dia em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria pela condenação de Jair Bolsonaro na ação da trama golpista, os vizinhos do ex-presidente se agitaram no grupo de mensagens do condomínio onde ele cumpre prisão domiciliar.O Globo teve acesso às conversas trocadas no residencial de alto padrão, localizado no bairro do Jardim Botânico, em Brasília. Os diálogos revelam um ambiente dividido entre ironia, clima de confraternização e defesa aberta ao ex-presidente.Nos grupos de WhatsApp, não faltaram mensagens em tom de festa. Um morador perguntou: “Por falar em churrasco, alguém indica um de confiança?” Outro ironizou: “Virou Copa do Mundo.” E houve quem antecipasse o final da partida: “Já comprei a cerveja e a picanha.”Leia tambémBolsonaro pode recorrer? Entenda próximos passos após maioria por condenação no STFRecursos têm alcance limitado e só podem ser apresentados ao SupremoAgora com maioria formada por condenação, Bolsonaro pode ser preso?Ex-presidente já cumpre prisão domiciliar; decisão da Primeira Turma pode definir se a pena será cumprida em regime fechado e onde ele cumprirá a detençãoAs mensagens foram trocadas antes da conclusão do voto da Cármen Lúcia, que selou a maioria pela condenação a cinco crimes.Entre os vizinhos, porém, também surgiram manifestações de apoio. Um afirmou que Bolsonaro sempre foi “um bom vizinho” e até “um bom presidente”, lembrando sua rotina comum de idas à padaria e caminhadas pelo condomínio.Outro comemorou o reforço policial no local: “Aqui já era seguro, agora é o lugar mais seguro de Brasília.” Não faltaram também críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Descondenado”, escreveu um morador.Mais cedo, Bolsonaro apareceu na garagem da casa, onde cumpre prisão domiciliar com Michelle Bolsonaro e a filha mais nova, Laura. Acenou e sorriu para fotógrafos, sem sinais de abatimento.Ao longo da semana, o ex-presidente tem acompanhado cada sessão ao lado apenas da ex-primeira-dama, sem a presença dos filhos. Recebeu com alívio a divergência aberta ontem pelo ministro Luiz Fux, que pediu a absolvição da maior parte dos acusados.Segundo aliados, Bolsonaro chegou a repetir que “o importante é que houve divergência.” A avaliação no entorno é de que o voto de Fux deve ser valorizado como sinal de que o processo não é unanimidade no Supremo.Advogados já trabalham para usar a manifestação como argumento central em eventuais recursos, enquanto aliados políticos reforçam que a posição do ministro fortalece as pressões pela aprovação da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.The post ‘Cerveja e picanha’: grupo de ‘Zap’ do condomínio de Bolsonaro no DF se divide appeared first on InfoMoney.
