Chanceler iraniano vai ao Paquistão em meio a bloqueio naval dos EUA

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O chanceler do Irã deve chegar ao Paquistão, hoje o principal mediador entre Teerã e Washington, embora ainda não esteja claro se ele vai se encontrar com autoridades americanas.Abbas Araghchi deve desembarcar em Islamabad nesta sexta-feira (24), e uma segunda rodada de negociações de paz entre EUA e Irã é dada como certa por autoridades paquistanesas ouvidas pela reportagem. Elas, porém, não detalharam quando as conversas devem acontecer nem em qual nível.Leia tambémIrã retoma gradualmente voos domésticos com reabertura parcial do espaço aéreoA retomada parcial das operações ocorre após restrições e interrupções no tráfego aéreo do país em meio ao aumento das tensões regionaisPentágono discute punir aliados da OTAN por falta de apoio no Irã, diz ReutersE-mail do Pentágono menciona suspensão da Espanha entre opções contra aliados da OTANSegundo a imprensa iraniana, Araghchi está em uma “gira regional” que inclui ainda Omã e Rússia. A Casa Branca não respondeu de imediato aos pedidos de comentário sobre a possibilidade de uma nova rodada de negociações de paz e, até o momento, não há sinais de que o vice-presidente JD Vance, principal negociador dos EUA, esteja prestes a viajar ao Paquistão.O anúncio ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington sobre Teerã, com um bloqueio naval para tentar levar o regime iraniano à mesa de negociações, enquanto Israel e Líbano devem prorrogar por mais três semanas o cessar-fogo em vigor.O presidente Donald Trump ordenou à Marinha dos EUA que atire contra qualquer embarcação que coloque minas no Estreito de Ormuz, depois de militares americanos interceptarem dois superpetroleiros que tentaram driblar as restrições ao tráfego de e para os portos iranianos.A medida de Trump, que acusa o Irã de instalar minas navais no estreito, faz parte da estratégia da Casa Branca de cortar as exportações de petróleo do país, sufocando sua economia e tentando forçar concessões que ajudem a encerrar a guerra.O secretário de Defesa de Trump, Pete Hegseth, disse nesta sexta-feira que um segundo porta-aviões deve se juntar ao bloqueio nos próximos dias.“Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não — o relógio está correndo!”, escreveu Trump em uma postagem na Truth Social.Aliados do presidente afirmam que o bloqueio deve obrigar o Irã a começar a reduzir a produção de petróleo — sua principal fonte de divisas — em cerca de duas semanas. Analistas do JPMorgan, no entanto, estimam que os EUA podem levar mais perto de um mês para atingir esse objetivo.A operação naval dos EUA já levou muitos navios ligados ao Irã a darem meia-volta em vez de atravessar o Estreito de Ormuz. Ainda assim, alguns continuam fazendo a travessia, segundo empresas de rastreamento de embarcações, o que pode dar a Teerã alguma margem para suportar as restrições por mais tempo.Um superpetroleiro sancionado pelos EUA e carregado com petróleo iraniano aparentemente interrompeu sua passagem pelo Estreito de Ormuz nesta sexta-feira.O tráfego na rota marítima — por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo — segue praticamente paralisado.Esse quadro alimenta o temor de novas altas nos preços de combustíveis e de uma consequente desaceleração da economia global.O petróleo subiu pelo quinto dia consecutivo nesta sexta-feira, com o Brent em torno de US$ 106 o barril. O referencial global avançou 17% na semana, acumulando alta de 46% desde o início da guerra. Ataques dos EUA e de Israel ao Irã deflagraram o conflito no fim de fevereiro.A Casa Branca deu mais 90 dias de prazo a uma isenção para o transporte marítimo que facilita a movimentação de petróleo, combustíveis e fertilizantes nos EUA, na mais recente tentativa de conter os choques de oferta provocados pela guerra.O preço médio da gasolina nos postos americanos já supera US$ 4 por galão, o maior nível desde 2022, o que ajuda a reforçar a impopularidade do conflito entre a maioria dos eleitores.Segundo a Bloomberg, alguns assessores de Trump avaliam que a retórica dura e provocativa do presidente nas redes sociais, somada à manutenção do bloqueio, está atrapalhando as chances de um acordo de paz com o Irã. Negociadores iranianos afirmam que as postagens de Trump têm o objetivo de humilhar a liderança em Teerã e reduzirem a disposição do regime para fechar um entendimento, de acordo com autoridades envolvidas nos esforços diplomáticos.Autoridades iranianas chegaram a anunciar, na última sexta-feira, a reabertura do estreito para todo o tráfego comercial. A decisão, porém, foi revertida rapidamente quando ficou claro que os EUA não suspenderiam o bloqueio em paralelo.O impasse mantém o risco de retomada dos combates. A guerra, na qual o Irã atacou Israel e países árabes do Golfo com milhares de drones e mísseis, já deixou mais de 5.000 mortos.“O bloqueio naval dos EUA ao Irã parece menos hermético do que Washington afirma”, disseram analistas da Bloomberg Economics Becca Wasser, Chris Kennedy e Dina Esfandiary, em nota. “Isso tende a reduzir seu impacto como ferramenta de pressão econômica e a minar seu objetivo central: forçar Teerã a abrir mão do controle do Estreito de Ormuz e voltar à mesa de negociações.”Trump afirmou, no fim da quinta-feira (23), que Israel e Líbano vão prorrogar o cessar-fogo que terminaria no domingo (26), retirando um dos obstáculos ao fim da guerra com o Irã.O presidente anunciou o acerto em uma postagem nas redes sociais após se reunir com enviados israelenses e libaneses na Casa Branca. Ele disse ainda que pretende receber em breve o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun. Nenhum dos líderes confirmou, e o encontro seria politicamente sensível, já que os dois países não mantêm relações diplomáticas.Israel trava uma guerra contra o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã no Líbano. Trump quer evitar a retomada dos ataques no país árabe porque Teerã condiciona um acordo de paz mais amplo com os EUA à manutenção da trégua.Israel invadiu o sul do Líbano e lançou bombardeios sobre a capital, Beirute, e outras regiões depois que o Hezbollah, em solidariedade ao Irã, passou a disparar foguetes contra o território israelense no início de março. Mais de 2.000 libaneses morreram na guerra e mais de 1 milhão foram deslocados, segundo o governo local.Israel argumenta que os ataques e a ocupação de áreas do sul do Líbano são necessários para proteger suas comunidades no norte. O cessar-fogo na região está em vigor desde 16 de abril e, em linhas gerais, vem sendo respeitado, embora os dois lados se acusem mutuamente de violações pontuais.A trégua não prevê a retirada das tropas israelenses do Líbano.Nesta sexta-feira, Netanyahu informou, em comunicado separado, que passou recentemente por um tratamento bem-sucedido contra um câncer e que está “em excelente condição física”.© 2026 Bloomberg L.P.The post Chanceler iraniano vai ao Paquistão em meio a bloqueio naval dos EUA appeared first on InfoMoney.

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