As variações bruscas de temperatura voltaram a colocar o varejo de moda no radar dos analistas. Lojas Renner (LREN3), Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo, e C&A (CEAB3) enfrentam um período em que o comportamento do consumidor muda junto com o clima, com a procura por casacos tomando o lugar de shorts e camisetas. Segundo análise da XP Investimentos, outubro foi mais frio que o habitual em boa parte do país, o que reduziu a procura por roupas leves e pode ter freado o início do quarto trimestre deste ano (4T25), historicamente o mais importante para o setor.O monitor de temperatura da XP indica que, até domingo (26), as temperaturas ficaram cerca de 1 grau abaixo da média nas nove capitais acompanhadas. Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia tiveram as maiores quedas, enquanto São Paulo ficou 0,4 grau abaixo do histórico. Quando considerados dados de mais estações meteorológicas e previsões para o fim do mês, a XP estima que as temperaturas chegaram a ficar até 2°C abaixo da média.As regiões Sul e Sudeste, onde a Lojas Renner concentra 70% de sua área total de lojas, contra cerca de 60% no caso de Guararapes e Cia Hering (do grupo Azzas 2154, AZZA3), foram as mais atingidas. Ainda assim, a diferença entre as empresas é pequena: a XP calcula queda média de 1,7°C nas áreas da Renner, contra 1,5°C a 1,6°C nas concorrentes.Os analistas lembram que o clima já havia sido um fator determinante nos trimestres anteriores. O frio intenso do segundo trimestre ajudou as vendas de inverno, enquanto temperaturas irregulares no terceiro trimestre prejudicaram o giro das novas coleções. Agora, as dinâmicas climáticas voltam a ser observadas com atenção pelos investidores, já que o frio persistente nas regiões Sul e Sudeste continua fora do padrão.Leia tambémVale deve retomar posição de maior mineradora de ferro neste ano, diz CEOA Vale, antes a maior produtora global de minério de ferro, perdeu o posto nos últimos anos para a australiana Rio TintoA batalha do e-commerce aumentou? Últimos movimentos das gigantes indicam que simÚltimas semanas foram marcadas por anúncios diversos por gigantes do setor, que mostram batalhas mais intensas pela preferência do consumidorA XP apurou ainda que as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indicam que novembro tende a seguir com temperaturas mais baixas, especialmente no Sudeste, com o Rio de Janeiro em destaque. Há também expectativa de aumento das chuvas, o que deve manter o clima ameno.Já dezembro deve ser mais quente que o histórico, o que, aliado à força da temporada de festas e a uma possível demanda reprimida, pode compensar o início mais frio do trimestre. É isso, aliás, que deve ajudar o setor a fechar o ano em recuperação.Mesmo com a volatilidade climática, a XP diz que não espera grandes divergências de desempenho entre as principais varejistas de moda. A maior concentração de lojas da Renner em áreas frias pode gerar uma leve diferença em relação aos pares, mas, segundo os estrategistas, o efeito deve ser limitado.The post Clima instável desafia varejo de moda e deve influenciar vendas no início do 4T25 appeared first on InfoMoney.
