A derrota histórica de Jorge Messias, que teve sua indicação ao Supremo Tribunal Federal rejeitada por 42 votos contra 31 votos favoráveis no Senado, também representa uma perda para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, há seis meses da eleição, pode finalizar seu mandato sem conseguir emplacar mais um nome na Suprema Corte.Analistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que a recusa do nome de Messias ao STF destaca pontos frágeis do governo e expõe o estremecimento da relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — que previu o exato placar da votação secreta antes da sessão ocorrer.Leia tambémAlcolumbre cravou derrota de Messias antes de votação no plenário do SenadoIndicação de Jorge Messias ao Supremo é a primeira rejeitada pelo Senado desde 1894Messias é rejeitado para vaga no STF pelo Senado: o que acontece agora?Rejeição de indicado ao STF não ocorria desde 1894“A rejeição do nome de Jorge Messias ao STF traz ao governo um problema muito grande e nos mostra que a articulação com o Senado está estremecida”, destaca Roberto Goulart, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.Para o docente, a derrota, a seis meses da eleição, também é um forte indício de que o governo não consiga costurar um novo nome junto à Presidência do Senado e que a indicação caiba ao presidente eleito em 2027.“Se o presidente Lula for reeleito, então a nomeação segue o seu curso. Se Lula não for, pode ser que o novo governo venha retirar esse nome e indicar um da sua preferência”, conclui.Neste cenário, caso Lula perca as eleições em outubro, a indicação ao STF pode sair do campo progressista e ir para um líder da direita, possivelmente o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Caso a previsão se concretize, a família Bolsonaro poderá colocar, até o fim do mandato, sete novos ministros.Entre 2019 e 2022, Jair Bolsonaro indicou à Corte os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Entre 2026 e 2030, até três ministros poderão sair pela aposentadoria compulsória e liberar vagas para indicação do presidente vigente.Para Luciana Santana, doutora em Ciência Política pela UFMG e professora na Universidade Federal de Alagoas, a derrota de Messias também dá um recado claro ao governo federal: com quem está a caneta da vez.“É uma derrota extremamente histórica, muito amarga e problemática para Lula e traz dificuldades eleitorais. A gente agora precisa entender se ele vai tentar mediar essa situação e ir fazendo alguma indicação rápida e garantir que o Alcolumbre avalie em tempo hábil, se passar”, destaca. “Fora que, se a eleição [para presidente] fosse hoje, Lula teria um risco muito alto de perder, considerando a ausência de apoio no próprio Congresso, que se torna um novo ponto de veto”, conclui.Ambos os analistas convergem no entendimento de que a derrota no Senado também sinaliza ao presidente Lula um cenário árido caso o governo tente pautar votações significativas até as eleições, sob o risco de amargar uma nova derrota.The post Com derrota de Messias, indicação ao STF pode ser escolha de novo presidente appeared first on InfoMoney.
