Há os que fogem das festas de família para escapar das discussões sobre política. Já alguns gestores ganham dinheiro com eleições pelo mundo. É o caso do fundo Zaftra, do ASA, um multimercado especializado em buscar oportunidades em países em processos eleitorais. A estratégia tem dado certo, tanto que o fundo é um dos poucos multimercados locais que segue com ganhos acima do CDI no ano.A maioria dos gestores de multimercados macro com foco no exterior busca explorar os processos políticos dos países e seus impactos nos preços dos ativos. Mas esses investimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla de busca de oportunidades, não só de análise política, e representam parcelas pequenas das carteiras. A Ibiuna Investimentos, por exemplo, buscou oportunidades nas eleições da Hungria, que marcaram o fim do governo de Viktor Órban, e na Colômbia, como contou o sócio da gestora, Rodrigo Azevedo, durante evento em abril. No caso do ASA Zaftra, o fundo é um dos poucos no mundo que só opera eleições, explica o gestor de multimercados do ASA, Felipe Sze. A carteira tem a vantagem de se diferenciar dos fundos multimercados locais, que sofreram nos últimos meses, assim como outros ativos brasileiros. “É um fundo completamente descorrelacionado dos demais multimercados”, destaca.O Zaftra, palavra que representa futuro tanto em ucraniano quanto em russo, foi criado em 2022, próximo do início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em junho, o fundo teve ganho de 4,35%, ou 389% do CDI. No primeiro semestre, acumula 10,2% ou 148% do CDI. “E mesmo em janelas mais longas, de até três anos, está entre as dez melhores performances”, afirma Sze.Leia também: Melhores multimercados apostam no exterior e campeão paga 1.600% do CDI em 1 mêsPara montar as estratégias, o fundo conta com um consultor político, Maurício Moura, que faz análise das eleições e traça uma matriz de probabilidades. Essa matriz é comparada com o que o mercado está colocando nos preços dos ativos para cada candidato e os gestores buscam distorções que possam criar oportunidades. Segundo o ASA, dos 36 eventos eleitorais que o fundo participou, ganhou em 31, uma taxa de acerto de 86%. Peru e ColômbiaFelipe Sze diz que o fundo entrou recentemente com aplicações em cinco eventos de eleições de quatro países, em alguns casos em primeiro e segundo turno. Participou da eleição no Japão, na Hungria, e mais recentemente, em junho, do Peru e da Colômbia. “Na do Peru, antes do primeiro turno em abril, o cenário era muito conturbado, muitos candidatos, e por conta da baixa previsibilidade, evitamos fazer investimentos”, diz. Mas, passado o primeiro turno, com dois candidatos disputando, Keiko Fujimori e o Pedro Sánchez, um mais à direita e outro mais à esquerda, o fundo fez dois investimentos, considerando o favoritismo de Keiko nos modelos de análise. “Entramos então com dois trades otimistas, comprando bolsa e a moeda, o sol peruano contra o dólar”, explica Sze.A expectativa se confirmou e, após a eleição de Keiko, houve queda no prêmio de risco do Peru, a bolsa disparou e a moeda subiu. Já na Colômbia, antes do primeiro turno, já se sabia quem eram os favoritos ao segundo turno, Ivan Cepeda, mais de esquerda, e Abelardo de la Espriella, mais conservador. “Já antevíamos pelos modelos maior probabilidade de Espriella vencer”, diz Sze. “Mas, mais que cenário eleitoral, houve uma análise de risco, e notamos uma distorção, com maior prêmio nas ações e na taxa de juros e menos no peso colombiano”, conta. Assim, o fundo comprou bolsa e aplicou em juros, e ao mesmo tempo apostando na queda do peso, como hedge. Após o primeiro turno, com o maior favoritismo de Espriella, o fundo zerou a venda no peso colombiano e manteve as posições em bolsa e juros. “Tivemos um ganho expressivo”, diz Sze. Como Keiko assumiu o poder nesta semana e Espriella tomará posse no início de agosto, o fundo ainda tem algumas posições residuais nos dois países.” Já reduzimos bastante, mas ainda temos algumas”, diz.Eleições no 2º semestrePara o segundo semestre, o Zaftra está acompanhando as eleições na Suécia, Bahamas e Marrocos e, em outubro a eleição no Brasil, “que é a principal do ano”, afirma Sze. Estão previstas também a eleição em Israel no fim de outubro e, em novembro, na Nova Zelândia e as “Mid Terms”, eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos. “Temos um calendário bem cheio neste segundo semestre”, diz Sze.O gestor diz que hoje o fundo não tem posições no Brasil. “Devemos entrar com posições um ou dois dias antes das eleições”, diz. Por isso, o fundo segue completamente descorrelacionado dos fundos locais. “Fazemos as análises dos dois turnos, a gente pretende entrar nos dois, mas vai depender das oportunidades”, resume.O Zaftra também tem uma regra: depois do evento, não pode nem “virar a mão” na posição, ou seja, invertê-la, e nem aumentar as posições. Só pode vir reduzindo até zerar totalmente. O objetivo é evitar volatilidade maior que o necessário para cada evento.A carteira deixou de ser restrita a investidores profissionais em março deste ano e agora aceita aplicações de investidores qualificados, já pelas novas regras da Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários para fundos que investem até 100% dos recursos no exterior. Apesar de investir quase que totalmente lá fora, o fundo possui proteção cambial, para evitar as oscilações do dólar frente ao real do valor investido. O investimento mínimo é de R$ 5 mil, com carência para resgate de um mês. A carteira tem hoje R$ 40 milhões de patrimônio.The post Como ganhar dinheiro com as eleições? Fundo busca oportunidades pelo mundo appeared first on InfoMoney.
