Imagine uma empresa entrando na bolsa valendo mais do que o PIB de Suíça, Argentina e Suécia – somadas. Isso é o que está prestes a acontecer. Em menos de duas semanas, a SpaceX deverá abrir capital na Nasdaq, em Nova York, com o ticker SPCX. A captação esperada, de até US$ 75 bilhões – quase três vezes o recorde anterior –, deverá tornar a abertura de capital da SpaceX o maior IPO da história. A empresa de projetos espaciais fundada por Elon Musk alcançaria então um valor de mercado em torno de US$ 1,75 trilhão.No Espresso Outliers InfoMoney, Clara Sodré, analista de fundos da XP, explica o que está por trás desses números, como eles afetam o mercado inteiro e o que a história diz sobre super IPOs.O que é um super IPO – e por que esse é diferenteMega IPO ou super IPO não tem definição oficial, mas o mercado usa o termo para ofertas que levantam um volume muito acima da média e colocam a empresa diretamente entre as maiores da indústria. “São operações em que as empresas buscam dezenas de bilhões de dólares e levam as empresas a valores de mercado da ordem de centenas de bilhões”, explica Clara.A importância desse momento fica clara quando colocada em perspectiva histórica. Quando o Google entrou na bolsa em 2004, alcançou valor de mercado de US$ 23 bilhões. O Facebook, em 2012, foi avaliado em US$ 104 bilhões. A Alibaba, em 2014, alcançou US$ 231 bilhões. A SpaceX está sendo estimada em US$ 1,75 trilhão.A empresa de exploração espacial de Elon Musk não vem sozinha. A OpenAI, que vale US$ 852 bilhões no mercado privado, pode passar de US$ 1 trilhão em seu IPO, também esperado para os próximos meses. A Anthropic, avaliada em US$ 965 bilhões, protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital nos Estados Unidos.Veja mais: SpaceX decola na Bolsa em dias: como brasileiro pode entrar nos mega IPOs?E também: Startups: Empresa quer lançar data centers no espaço – com apoio da a16zEssas empresas têm ainda outra característica em comum: oferecem geralmente de 3% a 5% das suas ações – o chamado free float, o percentual disponível para negociação. Um volume pequeno de papéis para uma demanda potencialmente enorme, o que aumenta as pressões de compra no mercado secundário.O efeito dominó nos índices globaisO impacto de um IPO trilionário, como o esperado para a SpaceX, vai além do pregão de estreia. Quando uma empresa desse valor entra na bolsa, passa a integrar os principais índices de ações – S&P 500 e Nasdaq, entre outros – e aciona um mecanismo automático: ETFs e fundos passivos, que seguem esses índices, precisam comprar. Sem exceção. “Não tem escolha. São compras automáticas”, diz Clara.A estimativa para a SpaceX é de US$ 8 bilhões a US$ 12 bilhões, em compras automáticas, em até 15 dias após o IPO. Ao todo, veículos de investimentos estimados em cerca de US$ 30 trilhões seguem os índices globalmente – e todos eles precisarão reequilibrar suas carteiras.Veja mais: O que é IPO? Entenda processo que pode tornar Elon Musk primeiro trilionário do mundoE também: IPO da SpaceX: Goldman entrou até nas DMs de Musk para roubar protagonismo do Morgan O outro lado dessa equação também importa: tudo que já estava no índice perde um pouco de espaço. “Fundos que tinham, sei lá, 2% em Microsoft, passam a ter 1,9%. Parece pouco, mas gera volatilidade importante para o mercado inteiro”, afirma Clara. Esse impacto sistêmico, e não apenas o tamanho da oferta, define o que o mercado chama de super IPO.O que a história ensina sobre grandes IPOsPara além do barulho do momento, o Espresso traz um levantamento do time da XP Asset – com ajuda especial do gestor Danilo Gabriel – sobre os ensinamentos de IPOs históricos. A análise contempla Google, Amazon, Nvidia e outros.A primeira lição é contraintuitiva: a performance do primeiro dia não diz nada sobre o longo prazo. A mediana de alta no dia de estreia foi de 28% entre as empresas analisadas. A Nvidia subiu 64% no primeiro dia. A Meta subiu apenas 1% – mas, 20 anos depois, é um dos melhores investimentos da história.Veja mais: SpaceX estima mercado potencial de US$ 28,5 trilhões em espaço, IA e conectividadeE também: História do Google: como a Alphabet se tornou uma das maiores Big Techs do mundoA segunda lição estende esse raciocínio para o primeiro ano. Metade dos IPOs estudados bateram o S&P no primeiro ano, e a outra metade ficou para trás. A Meta caiu 58 pontos percentuais a mais do que o S&P no ano seguinte ao IPO – e depois ficou 15 vezes mais valorizada em 14 anos. A Tesla perdeu para o S&P no primeiro ano e virou 953 vezes desde a oferta. “O ano 1 também não decidiu nada”, resume Clara.A terceira lição é a mais importante para quem está pensando em entrar agora. “Quanto maior o valuation de entrada, menor tende a ser a multiplicação de capital, o retorno relativo do futuro. É pura matemática”, diz a apresentadora do Espresso Outliers. A empresa de energia Saudi Aramco, que também abriu capital com valuation elevado, entregou 24% ao ano desde então — um retorno excelente em termos absolutos, mas distante do perfil de retorno de 100 ou 200 vezes que alguns investidores associam a grandes IPOs de tecnologia. A marca de carros elétricos Rivian entrou com 29% de alta e forte demanda institucional no primeiro dia – mas acumula queda expressiva, quatro anos e meio depois.O que o investidor deve fazer“Momentos como esse, quando um IPO que pode remixar os índices globais, exigem mais do que informação. Exigem análise, contexto e acesso”, diz Clara.A recomendação é manter-se investido e diversificado, separar o que é ruído do que é oportunidade e contar com ajuda especializada antes de tomar decisões. Para análises de valuation sobre a SpaceX e as demais empresas em processo de abertura de capital, o time de Estratégia Global da XP publica perspectivas e direcionamentos no portal de conteúdos da XP.The post Como o super IPO da SpaceX deverá mudar índices de ações e fundos de investimento appeared first on InfoMoney.
