Para quem pensa em comprar um carro ou imóvel sem pagar juros, o consórcio costuma surgir como uma alternativa “nossa”, muito associada ao jeito brasileiro de planejar grandes compras. Mas a lógica por trás dos grupos que se organizam para poupar é mais antiga e não começou exatamente aqui.Antes de virar produto financeiro, esse tipo de organização já existia em diferentes países como uma forma coletiva de poupança. Mas foi no Brasil que o consórcio ganhou estrutura, regras e escala, até se transformar no sistema que hoje movimenta cerca de 13 milhões de participantes, segundo dados da ABAC, entidade que representa as administradoras no Brasil.Saiba como escolher o consórcio certo: baixe o Guia Consórcio Desvendado do InfoMoney De grupos informais à origem do consórcio no BrasilA base do consórcio aparece nos sistemas rotativos de poupança conhecidos como ROSCAs (Rotating Savings and Credit Associations). Nesses arranjos. um grupo contribui com um valor fixo periodicamente, e a cada ciclo um integrante recebe o montante acumulado.Estudos do Banco Mundial mostram que esse tipo de organização está presente há décadas (em alguns casos, há séculos) em diferentes regiões, especialmente como alternativa ao acesso limitado a crédito formal.No Brasil, a ideia ganhou força a partir dos anos 60. Em um cenário de escassez de crédito ao consumidor, funcionários do Banco do Brasil passaram a se organizar para automóveis leves. Mesmo sem regulamentação inicial, o modelo se espalhou rapidamente. Ainda nos anos 60, surgiram novas empresas para organizar os grupos, o que abriu caminho para a profissionalização do sistema.Saiba como escolher o consórcio certo: baixe o Guia Consórcio Desvendado do InfoMoney Quando o consórcio virou um produto financeiroEm 1967, a criação da ABAC marcou um primeiro passo para organizar um mercado que crescia rápido. Pouco depois, a Lei nº 5.768, de 1971, começou a dar base legal ao sistema, ainda que de forma ampla.A virada veio em 1991, quando o Banco Central assumiu a fiscalização das operações, consolidando o consórcio como atividade supervisionada.Ao mesmo tempo, o modelo se expandia: dos automóveis para caminhões, motocicletas, imóveis e serviços. Em 2008, a Lei nº 11.795 reuniu regras específicas para funcionamento, contratos e direitos dos participantes, dando mais previsibilidade ao sistema.Saiba como escolher o consórcio certo: baixe o Guia Consórcio Desvendado do InfoMoney O que existe fora do Brasil Estruturas semelhantes continuam existindo em outros países, mas com características diferentes.Em muitas regiões, os sistemas rotativos de poupança seguem funcionando baseados na confiança mútua e sem intermediação de empresas. Esse modelo é comum para organizar orçamento familiar ou lidar com despesas pontuais.Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, esse tipo de organização aparece de forma mais restrita, geralmente em grupos pequenos, como os chamados lending circles. Já em parte da América Latina, existem modelos mais próximos do brasileiro, como os “planes de ahorro” na Argentina, voltados principalmente à compra de veículos.Ainda assim, todos esses formatos tendem a ter menor escala, pouca diversidade de uso e menor presença institucional no sistema financeiro.The post Consórcio é coisa de brasileiro? Veja onde ele começou e por que ganhou força aqui appeared first on InfoMoney.
