Cortes artificiais na Selic: AZ Quest discorda e prefere esperar sinal de Lula

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O mercado financeiro não duvida do governo: os investidores interpretam ao pé da letra tudo o que diz a liderança do país e reagem de forma direta a cada sinal sobre a economia, de acordo com o fundador e CEO da AZ Quest, Walter Maciel. Ele acredita que o cenário atual não é de falta de confiança, mas sim de uma leitura racional e literal das declarações oficiais.Durante o Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, o gestor detalhou o impacto das sinalizações fiscais sobre as expectativas dos agentes econômicos e o comportamento das taxas de juros no país.De acordo com o executivo, discursos em defesa da responsabilidade fiscal pronunciados por integrantes do governo, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, são completamente desconsiderados pelo mercado. Na visão de Maciel, apenas a palavra do presidente da República tem a capacidade real de alterar a leitura dos investidores e ditar o rumo das projeções econômicas.Leia mais: “Não há como fugir da situação fiscal no próximo ano”, diz ex-presidente do BC“A única pessoa que vai falar o que pode ou não acontecer e que tem a capacidade de mudar a leitura do mercado é o próprio presidente”, afirmou o gestor.Perspectivas fiscais e condução econômicaAo analisar as propostas de redução forçada dos juros e a trajetória das contas públicas, Maciel sustentou que cortes artificiais na Selic resultariam na explosão das taxas de longo prazo e no agravamento da inflação futura. Ele enxerga que o país lida com um patamar fiscal extremamente pressionado, agravado pela forte expansão recente do endividamento público e pelo custo de capital elevado.Apesar dos gargalos estruturais e do recorde no volume de recuperações judiciais de empresas de 2024 a 2026, o CEO da AZ Quest descartou a adoção de medidas heterodoxas drásticas ou guinadas extremas na política econômica, pois, de acordo com ele, isso iria contra a natureza da personalidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Maciel ainda destaca que a tendência é a aplicação de ajustes graduais e a busca por receitas tributárias adicionais para “empurrar os problemas com a barriga”.Leia também: Gustavo Loyola vê juros em dois dígitos até 2028 e alerta para risco fiscal“A gente sai agora para o ano que vem com uma conta muito apertada. Temos um fiscal que está pegando fogo, juros extremamente altos, o maior endividamento da história das famílias, o maior endividamento público da nossa história e a maior quebradeira de empresas com recuperações judiciais”, alertou.Ainda segundo o gestor da AZ Quest, a postura do Executivo será pautada pela manutenção dos compromissos assumidos na campanha eleitoral, sem flertar com riscos contratuais graves. “As promessas de campanha dele, ele vai cumprir todas. O que a gente pode esperar? Um pouco mais de impostos, que já está meio no limite, mas sempre tem de onde tirar um pouco mais aqui e ali”, completou.The post Cortes artificiais na Selic: AZ Quest discorda e prefere esperar sinal de Lula appeared first on InfoMoney.

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