Uma empresa de alimentos parada por quatro meses dificilmente sobrevive. Agora imagine esse cenário em um mercado dominado por multinacionais, com marcas copiadas pelos concorrentes e sem dinheiro para retomar a produção. Foi exatamente esse o cenário enfrentado pela Cory Alimentos, dona da Bala Chita e da Icekiss, no início dos anos 2000.No auge da operação, a companhia tinha cerca de 1.500 funcionários e decidiu apostar na entrada no varejo. O movimento, porém, terminou em um dos momentos mais dramáticos da história da empresa fundada por Nelson Nascimento de Castro.“Na verdade, a empresa foi à falência, tá?”, resumiu Felipe Nascimento, neto do fundador e atual diretor executivo da companhia.Segundo ele, a crise começou quando a família tentou salvar uma rede varejista em dificuldades usando recursos da operação industrial.“Ele começa a tirar dinheiro, recurso de uma empresa saudável para tentar salvar uma empresa que tá doente. E não só ele não salvou a doente, como comprometeu a saudável, que era a Cory”, afirmou Felipe.Quase 60 anos depois, a empresa voltou a crescer e hoje produz 120 toneladas de balas, por dia, e exporta para 45 países. Em entrevista para Mariana Amaro, em mais um episódio Do Zero ao Topo, Felipe Nascimento, diretor executivo da Cory conta como a empresa sobreviveu, por que abandonou uma carreira internacional para assumir o negócio da família e quais foram as estratégias que fizeram a companhia atingir mais de R$ 300 milhões de faturamento no ano passado.Fábrica lacradaO colapso foi rápido. Em 2004, a Justiça decretou a falência da companhia apenas 14 dias após o vencimento da primeira parcela da concordata.“Nós ficamos com duas indústrias paradas, lacradas, sem nenhum recurso para operar e literalmente uma faixa amarela proibindo que o meu avô entrasse na fábrica”, contou Felipe.A paralisação teve consequências imediatas. Marcas tradicionais perderam espaço nas gôndolas, enquanto concorrentes lançavam produtos semelhantes. Na época, bancos e consultorias já davam a empresa como perdida.“Naquele momento, as grandes consultorias, os bancos, a gente aprendeu que valia mais morto do que vivo”, relembra o diretor.Mais de duas décadas depois, a realidade é outra. Hoje, a companhia opera duas fábricas, mantém uma parceria industrial na China, vende cerca de 3 mil toneladas de produtos por mês e exporta para 45 países.“Hoje nós rodamos com 600 colaboradores, são duas indústrias no Brasil e uma parceria na China. São 15 marcas ativas dentro do portfólio, 3 mil toneladas vendidas ao mês para todo o Brasil e 45 países atendidos em exportação”, diz Felipe.A empresa fechou o último ano com faturamento superior a R$ 300 milhões e projeta crescimento de até 25%. A Cory Alimentos também vem explorando o potencial de suas marcas tradicionais para gerar novas experiências de consumo. Em uma das ações recentes, a companhia vendeu 2 toneladas de Icekiss, mostrando a força que a marca ainda mantém entre os consumidores e o potencial de produtos clássicos para impulsionar negócios.Para saber mais detalhes sobre a Cory Alimentos veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.Sobre o Do Zero ao TopoO podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.The post Cory Alimentos faliu, teve fábricas lacradas e hoje fatura mais de R$ 300 milhões appeared first on InfoMoney.
