O Banco Central (BC) alertou que os recentes ataques cibernéticos a instituições financeiras e de pagamento expuseram falhas críticas na infraestrutura digital de parte do sistema financeiro brasileiro. Segundo o relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado nesta quarta-feira (12), os incidentes mostraram que grupos criminosos vêm atuando de forma coordenada, explorando fragilidades em provedores terceirizados de tecnologia e sistemas de integração digital usados pelos bancos.Os ataques, que resultaram no desvio de recursos de contas reservas, ocorreram em instituições conectadas à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) por meio de Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs). Leia tambémGalípolo: BC não deu sinal sobre o que fará no futuro e seguirá dependente de dadosEm sua primeira fala pública após a decisão do Copom deste mês, presidente do BC disse que qualquer pessoa pode fazer comentários sobre o nível de juros no paísBoa Safra tem lucro 26% maior no 3T25, mas margens recuam com juros e volatilidadeSegundo a empresa, o desempenho reflete a intensificação das entregas de sementes de soja, mas as margens recuaram em razão da alta dos juros e da volatilidade das commoditiesO BC destacou que nenhum dos seus próprios sistemas foi afetado, incluindo o Pix, mas que os casos evidenciam “riscos concretos de materialização de eventos com repercussão sistêmica”.Falhas de controleSegundo o BC, 606 instituições foram avaliadas — 453 delas afirmaram possuir políticas de gestão de relacionamento com terceiros e 319 incluíram o tema em auditorias internas. O percentual, contudo, ainda é considerado baixo diante do nível de dependência tecnológica do sistema.“Os incidentes demonstraram fragilidades em controles essenciais, especialmente na gestão de riscos de serviços providos por terceiros e nas práticas de controle de acesso”, diz o relatório.O documento aponta que empresas contratadas para processar dados e manter conexões com a RSFN podem comprometer simultaneamente várias instituições caso sejam invadidas. Esses ataques, segundo o BC, vêm sendo conduzidos por organizações criminosas com conhecimento avançado sobre a arquitetura do sistema financeiro, capazes de cooptar colaboradores e instalar dispositivos físicos para obter acesso indevido a redes corporativas.APIs e o novo vetor de fraudeO BC também identificou lacunas relevantes na gestão de riscos de serviços prestados por meio de APIs (Interfaces de Programação de Aplicativos) — tecnologia usada para conectar sistemas e viabilizar modelos como o Banking as a Service (BaaS).Segundo o relatório, criminosos vêm usando essas interfaces para automatizar fraudes, como transferências em massa e pulverização de recursos, o que dificulta o rastreamento do dinheiro. Além disso, instituições com falhas nos processos de identificação de clientes (KYC) acabam abrindo contas usadas posteriormente para movimentações ilícitas.A pesquisa feita pelo BC com 440 instituições mostrou que poucas implementam validações robustas de dados ou mecanismos de detecção de uso indevido e manipulação de comportamento de APIs.Conhecimento técnicoO relatório destaca que grupos organizados demonstram domínio técnico sobre os processos do Sistema Financeiro Nacional (SFN), inclusive sobre os mecanismos de reserva e transações internas das instituições. Essa sofisticação, segundo o BC, exige investimentos contínuos em higiene cibernética, como controle de acesso, autenticação multifator e revisão periódica de permissões.Ações do BCComo resposta, o BC vem reforçando regras para provedores tecnológicos e limitando o volume de transações para reduzir danos em caso de ataque. O órgão também intensificou o monitoramento de incidentes de alto impacto e estuda novas medidas para aumentar a resiliência cibernética do sistema financeiro.“O BC permanece atuando na resposta a incidentes cibernéticos relevantes que possam impactar o funcionamento regular do sistema financeiro nacional”, conclui o relatório.The post Criminosos têm conhecimento avançado sobre operação do sistema financeiro, alerta BC appeared first on InfoMoney.
