Da barbearia ao day trade: a virada de Marci Delgado após 10 anos de carreira

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Conteúdo XPTrocar uma carreira consolidada, deixar para trás uma clientela construída durante uma década e começar do zero em uma atividade que exigia até aprender a usar o computador. Esse foi o recomeço de uma profissional que passou por diferentes áreas antes de encontrar no day trade uma nova possibilidade de atuação e desenvolvimento.Marcielli Delgado foi a convidada do episódio 81 do programa GainDelas, no canal GainCast. A psicanalista contou como as experiências acumuladas no esporte, na Educação Física e na barbearia influenciaram sua chegada ao mercado financeiro, além de revelar as dificuldades encontradas quando decidiu transformar a curiosidade pelos gráficos em uma atividade profissional.Formação em movimentoUma das primeiras experiências profissionais de Marci veio no esporte de alto rendimento. Na ginástica rítmica, ela acompanhou rotinas intensas de treinamento e percebeu que experiência e intuição não bastavam para corrigir o desempenho das atletas. A busca contínua por novas atividades, contudo, já aparecia como um traço pessoal. “Eu sempre fui muito curiosa. Eu nunca quis ficar parada esperando alguma coisa acontecer”, conta.Um intercâmbio com treinadoras estrangeiras mostrou a importância dos dados. Em um trabalho, uma especialista cubana identificou que a limitação no salto de uma ginasta estava relacionada à flexibilidade do tornozelo. A equipe passou a observar ângulos e estatísticas, fez o ajuste técnico e viu a atleta tornar-se campeã. “Sem dados, não tem estatística”, enfatiza.Marci deixou a ginástica para trabalhar em academias e ampliar a renda. A carga elevada de aulas, entretanto, provocou lesões nos joelhos e a afastou por seis meses. Nesse período, ela estudou corte e costura e buscou uma ocupação que preservasse sua condição física. A resposta veio com a formação como cabeleireira e, depois, com a barbearia.Em Goiânia, a escolha tornou-se uma carreira de dez anos. Além de desenvolver uma clientela, ela aprendeu a atuar em um ambiente predominantemente masculino e a estabelecer limites nas relações profissionais.A experiência também a aproximou de empresários e de conversas sobre negócios, mudando sua percepção sobre trabalho, dinheiro e precificação do próprio serviço.Leia também: De mãe solo e desempregada a trader: a transformação de Ana TavaresGráficos entre clientesA barbearia abriu a primeira janela para o mercado financeiro. No convívio com clientes de poder aquisitivo elevado, Marci começou a ouvir conversas sobre investimentos e empresas. Depois, percebeu que precisava rever a maneira como avaliava o próprio trabalho. “Eu comecei a subir o meu valor, eu comecei a entender que o preço e o valor não são a mesma coisa, mas tem relação”, explica.Durante a pandemia, os gráficos passaram a aparecer no celular dos clientes enquanto ela cortava os cabelos. O interesse aumentou ao perceber que o chefe da barbearia também operava. Embora ainda não distinguisse mercados e produtos, as telas despertaram uma possibilidade desconhecida. “E aí foi me criando curiosidade na barbearia”, recorda.Depois, a mudança profissional do marido levou o casal de Goiânia para o interior de São Paulo. Reproduzir a carreira anterior exigiria formar novamente uma clientela baseada em confiança, processo que levaria tempo. Marci chegou a trabalhar por três meses em uma barbearia de Bauru, mas percebeu que aquela etapa havia terminado e decidiu procurar outra direção.Mesmo nessa curta experiência, um cliente voltava a falar sobre operações financeiras. A coincidência recuperou o interesse surgido anos antes e levou Marci a buscar uma formação voltada à B3. Em novembro de 2022, ela encerrou a atuação na barbearia; no mês seguinte, fez o primeiro curso de day trade. Em janeiro, começou a operar minidólar.Leia também: Sem regras não há resultado: a visão de Ana Tavares sobre o day tradeUm novo aprendizadoA transição impôs uma dificuldade: lidar com a tecnologia. No segundo dia de curso, Marci telefonou para o marido dizendo que não compreendia o conteúdo e pretendia voltar para casa. O computador havia sido comprado especialmente para aquela formação. “Eu entendia de navalha e tesoura, gente. Eu não mexia com computador”, lembra.Apesar do choque, ela prosseguiu e realizou a primeira operação na mesa da cozinha. O resultado positivo de R$ 170 produziu sensação de autonomia, sem alterar o cuidado com o capital. “Eu me senti livre. Me senti assim, caramba, eu estou fazendo uma coisa dentro da minha casa, aqui no meu computadorzinho pequenininho ali, na mesa da minha cozinha e ganhei dinheiro”, relata.Antes de começar, Marci e o marido calcularam quanto seria necessário para cursar uma faculdade. A partir dessa referência, reservaram R$ 1 mil por mês para a formação no mercado, valor que não comprometeria as finanças familiares. “Então eu coloquei que no primeiro ano eu ia investir R$ 12.000”, revela.Naquele período, ela aprofundou a leitura gráfica até construir as bases do operacional que utiliza hoje. Assim, a antiga professora e barbeira passou a ocupar uma nova posição profissional: trader.Para Marci, o resultado começou pela disposição de voltar a ser aluna. “Eu sou professora, então eu acredito que você primeiro paga para aprender. Não é um prejuízo, é um investimento”, afirma.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Da barbearia ao day trade: a virada de Marci Delgado após 10 anos de carreira appeared first on InfoMoney.

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