Da Disney ao BankBoston e R$ 1 bi sob custódia: a carreira de André Osowski

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Quando André Osowski entrou no mercado financeiro, ainda estava longe de imaginar que um dia alcançaria R$ 1 bilhão sob custódia. Antes de chegar à Manchester Investimentos, escritório ligado à XP, ele construiu a maior parte da carreira no sistema bancário.Nascido em Porto Alegre, Osowski cursou Administração com ênfase em Comércio Exterior e também se formou em Economia. Jovem, precisava começar a ganhar dinheiro e enxergou no sistema financeiro uma possibilidade de carreira.A oportunidade apareceu no BankBoston. O porto-alegrense entrou na mesa de câmbio e descobriu ali um ambiente que despertaria seu interesse pelo mercado financeiro.“Comecei a gostar, senti o gosto de como é o mercado, como era o trade de compra e venda de moeda estrangeira”, lembra.A aquisição do BankBoston pelo Itaú levou Osowski para dentro do banco brasileiro. Depois vieram a integração com o Unibanco e a passagem pelo Itaú BBA.Ao longo de 16 anos, ele transitou por diferentes áreas, de operações ligadas ao comércio exterior à gestão comercial, e atendeu empresas de diferentes portes, chegando ao chamado ultra large corporate, segmento que reúne grandes companhias.Foi uma escola não apenas de produtos financeiros. O período ensinou a conversar com executivos, compreender necessidades empresariais e adaptar linguagem e abordagem a interlocutores diferentes.“Você começa a ter o sentimento de como é conversar com pessoas do alto escalão de empresas, o vocabulário, a tecnicidade, as formas de entender a necessidade do cliente. Isso foi uma escola incrível”, conta.Leia também:De psicóloga a sócia: como Aline Rosa construiu uma carteira de R$ 300 milhõesCertificação abriu nova perspectivaDepois de mais de uma década no banco, Osowski começou a se perguntar onde gostaria de estar nos cinco ou 10 anos seguintes.Até então, sua especialidade era principalmente o atendimento a pessoas jurídicas. Crédito, câmbio e relacionamento com empresas faziam parte do cotidiano. A atuação com investimentos para pessoas físicas, porém, ainda era incipiente em sua trajetória.A mudança começou quando decidiu obter a certificação CFP, voltada ao planejamento financeiro. Ao estudar para a prova, Osowski percebeu lacunas no próprio conhecimento sobre investimentos e passou a se aprofundar em temas como planejamento financeiro, sucessório e tributário.O movimento também mostrou uma possibilidade profissional: aproveitar a experiência acumulada no atendimento a empresas e ampliar sua atuação para as necessidades financeiras dos empresários e de suas famílias.Foi quando a assessoria de investimentos deixou de ser apenas uma ideia.Leia também:A assessora que encontrou na corrida de montanha um diferencial para a carreiraExperiência na Disney leva ao mercado Antes de construir uma carreira no sistema bancário, Osowski teve uma experiência que ainda hoje associa à maneira como se relaciona com clientes. Entre 2003 e 2004, durante a faculdade, passou cerca de quatro meses em um summer job experience na Disney, nos Estados Unidos.Sua principal atividade era vendas, em um quiosque, mas o programa permitia passar por outras funções, como atendimento ao público, backoffice e reposição de estoque. Osowski também aproveitava a possibilidade de fazer horas extras, experiência que, segundo ele, contribuiu para sua organização e gestão do tempo.Mais do que a função exercida, ele diz ter levado daquele período a atenção aos detalhes no relacionamento com o público. Osowski conta que vivenciou na prática conceitos de atendimento pelos quais a Disney se tornou conhecida e que incorporou parte desse aprendizado à própria atuação profissional.A passagem pela Disney ganhou outro significado quando ele conheceu o livro “O Jeito Disney de Encantar os Clientes”. Segundo Osowski, a experiência permitiu vivenciar na prática conceitos de atendimento abordados pela obra.“Você entender pequenos detalhes de como você faz para fazer aquela diferença no teu cliente, isso, para mim, foi um ponto que, apesar de ter sido há muito tempo, eu trago até hoje comigo”, revela.Para Osowski, até aspectos que parecem irrelevantes em um primeiro momento podem fazer diferença na relação com o cliente. Anos depois, já no mercado financeiro, essa experiência continuou fazendo parte do que ele define como sua base profissional.Leia também:De bombeiro a consultor de investimentos: ele salvava vidas, hoje protege patrimôniosOsowski: “entender pequenos detalhes de como fazer aquela diferença no teu cliente foi um ponto que trago até hoje comigo” (Foto: Arquivo pessoal)Pandemia acelerou saída de bancoOsowski já estudava uma mudança quando a pandemia chegou. Naquele período, tentava uma movimentação interna para o private banking, mas contratações e transferências foram congeladas.Então, em vez de adiar o plano, ele decidiu antecipá-lo. “Se é para fazer, vamos fazer agora”, recorda.Em 2021, Osowski pediu demissão. Abriu mão do salário e dos benefícios acumulados durante 16 anos de carreira bancária e ingressou na Manchester Investimentos.A troca envolvia mais do que mudar de empregador. No banco, havia salário, bônus, previdência, plano de saúde, seguro e outros benefícios. Na assessoria, o resultado dependeria diretamente da capacidade de construir uma carteira de clientes.E havia outro detalhe: apesar da longa experiência no mercado financeiro, Osowski praticamente não levou patrimônio sob custódia para a nova casa.“Eu não tenho esse número, quase é zero, mas tenho responsabilidade, comprometimento e visão do negócio”, lembra ter dito, quando questionado sobre quanto poderia trazer.Era um profissional experiente recomeçando com uma base comercial praticamente zerada.Leia também:Entre bisturis e patrimônios: a trajetória de um médico no mercado financeiroDe quase zero a R$ 1 bilhão em cinco anosCinco anos depois, a situação é diferente. Osowski alcançou a marca de R$ 1 bilhão sob custódia. Hoje, prefere medir sua carteira não pelo número absoluto de clientes, mas por “pontos de contato”: são 43, que podem representar indivíduos, famílias ou grupos empresariais.O atendimento dessa carteira conta com uma estrutura de apoio. Segundo Osowski, cinco profissionais trabalham diretamente com ele, embora não de forma exclusiva, em frentes que incluem assistência comercial e operacional, renda variável, fundos, renda fixa, seguros e câmbio.O próprio Osowski evita tratar a marca de R$ 1 bilhão como ponto de partida da história. Para ele, o número veio depois. “O número é consequência”, garante.Parte do crescimento também ocorreu porque, à medida que avançou na carreira, o profissional passou a receber contas maiores dentro da própria estrutura. Segundo ele, em momentos de movimentação de assessores, a Manchester precisava decidir quem estava preparado técnica e emocionalmente para assumir relacionamentos relevantes.“Quem é que está preparado? Quem é que tem conhecimento? Quem é que aguenta psicologicamente receber uma conta grande e, daqui a pouco, perder?”, relata.A experiência levou Osowski a associar oportunidades profissionais à necessidade de estar preparado para assumir responsabilidades maiores.Leia também:De Las Vegas à Expert XP: como Agassi transformou reinvenção em estratégiaCuriosidade e humildade aceleram aprendizadoAo listar as competências que considera importantes para crescer no mercado financeiro, Osowski começa pela curiosidade.A lógica, segundo ele, é que boa parte dos problemas enfrentados por um profissional já foi vivida por alguém. Livros, vídeos, cursos, conversas e experiências de outros profissionais podem encurtar o caminho de quem está disposto a procurar.“Qualquer adversidade, qualquer dificuldade, alguém já superou. Alguém deixou isso registrado”, ensina.Mas buscar conhecimento exige reconhecer aquilo que ainda não se sabe.Por isso, Osowski coloca a humildade ao lado da curiosidade. Em sua avaliação, há dois comportamentos capazes de limitar uma trajetória: não buscar conhecimento e acreditar que já se sabe o suficiente.“Se você é ignorante, tem um caminho: buscar conhecimento. E o arrogante é aquela pessoa em que falta humildade”, diz.A experiência pessoal ajuda a sustentar o seu argumento. Mesmo depois de anos trabalhando com empresas e produtos bancários, Osowski percebeu, durante a preparação para o CFP, que ainda tinha muito a aprender sobre investimentos destinados à pessoa física.Leia também:Antes dos investimentos, as pessoas: a receita da melhor assessoria em alocaçãoCapacidade de entender o clienteA carreira bancária também deixou outra lição para Osowski: saber finanças é apenas parte do trabalho.Ao atender empresas de diferentes portes, ele precisou aprender a conversar com empresários e executivos, entender problemas antes de apresentar soluções e desenvolver repertório para navegar por diferentes situações.Para Osowski, ampliar a visão é uma competência que pode ser treinada. Ele compara o processo a observar uma cidade de dentro de um avião: a distância permite enxergar relações que não aparecem quando se olha apenas para um ponto.Livros ajudam nesse processo. Conversas com outras pessoas também. Mudar de ambiente, conhecer profissionais e observar trajetórias diferentes amplia as referências sobre o que é possível fazer.Foi assim, inclusive, com a própria meta de R$ 1 bilhão. Osowski conta que viu outro profissional atingir a marca e percebeu que aquele patamar, até então distante, era alcançável.Leia também:K3 traz líderes do Itaú e Safra e agrega R$ 3 bi em custódia; “movimento disruptivo”“O dinheiro não aceita desaforo”Há uma competência que Osowski diz ter aprendido fora dos livros.Quando deixou o banco, estava construindo uma casa. Os custos da obra avançaram justamente no período em que ele trocava uma remuneração previsível por uma carreira de renda mais incerta. As contas, por consequência, apertaram.A experiência mudou sua relação com o dinheiro e o levou a refletir sobre a responsabilidade envolvida no atendimento a clientes.“Como é que eu vou fazer uma assessoria de investimento e não consigo organizar as minhas contas pessoais?”, recorda ter pensado naquele período.Para Osowski, passar pela situação ajudou a dimensionar o peso que decisões financeiras têm na vida real. Patrimônio não é apenas um número em uma tela: pode representar anos de trabalho, escolhas e renúncias.“Você tem que entender o real valor do dinheiro e saber que o dinheiro não aceita desaforo”, afirma.Leia também:O velho “boca a boca” ainda funciona – e levou consultoria do PR ao Top 4 do mercadoComprometimento aparece nos detalhesSe tivesse de destacar uma característica acima das demais, Osowski escolheria comprometimento. Mas faz uma ressalva: para ele, comprometimento não é uma declaração de intenção. É comportamento.“Comprometimento não é uma palavra. Comprometimento é uma atitude”, assegura.Na rotina, isso significa preparação antes de reuniões, cumprimento de horários e organização. Osowski diz que dificilmente entra em uma conversa com cliente sem ter estudado previamente o assunto.A mesma disciplina aparece na agenda. Ele acorda às 5h e mantém uma rotina organizada mesmo trabalhando de casa, modelo adotado durante a pandemia e mantido desde então. Os clientes, porém, estão espalhados pelo Brasil, o que exige viagens frequentes.Na avaliação de Osowski, são essas entregas repetidas que ajudam a construir reputação e criam condições para assumir responsabilidades maiores.Leia também:Com ecossistema de soluções integrado, M7 entra para o seleto grupo das Top 6 da XPCarreira de longo prazo exige saúdeA disciplina, porém, não significa trabalhar sem limite. Osowski mora há mais de quatro anos em Garopaba, no litoral de Santa Catarina, mudança que fez em busca de qualidade de vida. Como quase todo gaúcho que sonha em mudar-se para o vizinho estado catarinense, repleto de belas praias, Osowski aprendeu a surfar depois de chegar à cidade. Além disso, também pratica ou praticou atividades como jiu-jitsu, corrida, musculação e crossfit.Na agenda, exercício e tempo com a família são tratados como compromissos. A preocupação, diz, não é apenas com saúde física.Osowski fala em saúde emocional para atravessar períodos difíceis e em “saúde cognitiva” para manter capacidade de raciocínio e decisão diante dos clientes.“Tem que estar cognitivamente muito bem para estar com os clientes, para poder pensar rápido, pensar de forma lógica, pensar de forma sistemática”, explica.Aos 41 anos, perto de completar 42, Osowski divide sua trajetória profissional entre a longa passagem por bancos e os últimos cinco anos na assessoria de investimentos.Ao falar sobre a própria trajetória, ele atribui peso menos ao número isoladamente e mais ao processo que veio antes dele.Leia também:Como a W1 virou a melhor assessoria do ano e agora planeja formar 3 mil assessoresApós mudar-se para Garopaba (SC), porto-alegrense aprendeu a surfar: “você tem que estar cognitivamente muito bem para estar com os clientes, para poder pensar rápido, pensar de forma lógica, pensar de forma sistemática” (Foto: Arquivo pessoal)Lições para quem quer crescerNa avaliação de Osowski, certificações e conhecimento técnico fazem parte da construção de uma carreira no mercado financeiro, mas não encerram o trabalho. Relacionamento, disciplina e capacidade de atualizar-se continuamente ganham importância conforme aumentam as responsabilidades profissionais.Na definição dele, R$ 1 bilhão é consequência. Antes do número, sua trajetória aponta para a necessidade de construir o conhecimento e o preparo para assumir responsabilidades cada vez maiores.“As dificuldades te moldam e te ensinam algumas lições, e essas lições são bem valiosas”, conclui Osowski.Leia também:Consultoria XP celebra um ano e define estratégia para chegar aos R$ 100 bi em 2027The post Da Disney ao BankBoston e R$ 1 bi sob custódia: a carreira de André Osowski appeared first on InfoMoney.

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