De “cortar mato” à tecnologia: veteranos revelam como o trade mudou

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A trajetória de quem vive do trading no Brasil passa, inevitavelmente, por improviso, tentativa e erro e adaptação constante, muitas vezes em um ambiente sem referência, estrutura ou caminho claro.Em um mercado que evoluiu rapidamente nas últimas duas décadas, traders que começaram praticamente no escuro hoje ocupam posições de destaque, seja operando, educando ou gerindo capital.Nesse contexto, quatro traders compartilharam, em conversa conjunta, os bastidores dessa evolução, desde os primeiros passos no mercado até as mudanças estruturais que transformaram o day trade em uma atividade mais acessível, porém ainda desafiadora. O vídeo completo desse bate-papo pode ser conferido no canal do próprio André Moraes.Origem e improvisoNo início, o cenário era completamente diferente do atual. Não havia conteúdo estruturado, plataformas avançadas ou acesso facilitado à informação e, na prática, operar significava aprender errando, muitas vezes sem saber sequer se o caminho fazia sentido.Ainda assim, foi nesse ambiente que muitos dos traders desenvolveram suas bases operacionais. “Então, e naquele momento, a gente era os melhores. A gente não tinha referência, tipo, se está certo, está errado, não tem referência”, afirma Jota Trader.Além disso, a ausência de comparação externa obrigava os traders a construir suas próprias metodologias praticamente do zero. O aprendizado era mais sobrevivência do que estratégia, mais adaptação do que técnica refinada. “A gente cortou mato, na verdade. Cortou mato mesmo”, observa Jota.Por outro lado, as limitações tecnológicas impunham um ritmo completamente diferente ao mercado. A execução era mais lenta, o acesso à informação era restrito e até tarefas simples exigiam tempo e paciência. “Em 2005, eu usava ainda internet discada. Para baixar uma foto levava um tempão”, relembra Igor Rodrigues.Consequentemente, o desenvolvimento no trading estava diretamente condicionado à evolução da própria infraestrutura. Ainda assim, mesmo com tantas limitações, o grupo conseguiu crescer em um ambiente praticamente inexplorado, onde acertar não era só difícil, era, muitas vezes, improvável. “Naquela época as máquinas eram umas carroças e a internet também”, afirma André Moraes.Leia também: André Moraes alcança 2ª colocação no prêmio Top Traders InfoMoneyMercado mudou tudoCom o passar dos anos, o mercado financeiro brasileiro passou por uma transformação profunda, principalmente em termos de acesso, liquidez e variedade de produtos. Operar deixou de ser uma atividade restrita a poucos e passou a atrair um número cada vez maior de participantes, alterando completamente a dinâmica competitiva.“Hoje você já não tem tanto essa barreira”, afirma Léo Dutra.Além disso, a evolução educacional ampliou as possibilidades de aprendizado e reduziu o tempo necessário para entrar no jogo. Portanto, o processo deixou de ser baseado apenas em tentativa e erro e passou a contar com múltiplos caminhos. “O que mais mudou foi a diversificação das possibilidades de aprender”, observa Igor.Por outro lado, a liquidez do mercado atual representa uma mudança estrutural que impacta diretamente a execução e a leitura de preço.Nesse contexto, oportunidades que antes simplesmente não existiam passaram a fazer parte do dia a dia operacional. “A liquidez de hoje não se compara”, afirma Jota.Consequentemente, o aumento de volume e volatilidade elevou tanto o potencial de ganho quanto o nível de exigência do trader. Dessa forma, o mercado ficou mais democrático,  mas também mais competitivo e seletivo. “Hoje a gente tem muito mais oportunidade do que tinha antes”, explica Aliakyn Pereira de Sá.Leia também: Ibovespa a 250 mil pontos? Os 4 pilares que podem sustentar esse novo patamarNovo jogo: tecnologiaSe por um lado o mercado evoluiu em estrutura, por outro, a tecnologia mudou completamente o jogo, não apenas como ferramenta, mas como lógica operacional. Nesse contexto, automação e inteligência artificial passaram a redefinir o papel do trader, reduzindo barreiras técnicas e acelerando decisões. “Hoje eu consigo programar com inteligência artificial mesmo sem saber programar”, afirma Jota.Além disso, a automação atua diretamente sobre um dos maiores pontos de fragilidade do operador: o emocional. Portanto, ao reduzir a interferência humana, a execução tende a se tornar mais consistente e previsível. “Quando você automatiza, você tira a emoção do trade”, explica Jota.Por outro lado, a velocidade na obtenção de informação alterou radicalmente a preparação para o mercado. O que antes exigia tempo e esforço, hoje pode ser feito em segundos, mudando o timing da tomada de decisão. “Antes eu levava 45 minutos para me preparar, hoje recebo tudo pronto”, afirma André.Consequentemente, o diferencial competitivo deixa de ser acesso à informação e passa a ser interpretação e adaptação. Nesse sentido, a tecnologia não elimina o trader, ela eleva o nível do jogo e pune quem não acompanha essa evolução. “Isso já abre uma possibilidade até de você pensar diferente”, observa André.Leia também: André Moraes: o mercado não é dos inteligentes, é dos disciplinadosFuturo e legadoAo olhar para frente, os traders reconhecem que prever o futuro do mercado é cada vez mais difícil, justamente porque a velocidade de mudança nunca foi tão alta. Ainda assim, existe um consenso: sobreviver e evoluir depende da capacidade de adaptação contínua. “É difícil projetar, mas a gente vai continuar aprendendo”, afirma Léo.Além disso, o impacto na vida de outras pessoas surge como um dos principais pilares de longo prazo, especialmente para quem atua na formação de novos traders. O legado ultrapassa o resultado financeiro e passa pela transformação individual. “O que eu quero ouvir é que eu ajudei a mudar a vida de alguém”, observa Jota.Por outro lado, a evolução pessoal ganha protagonismo dentro dessa jornada, exigindo não apenas crescimento técnico, mas também maturidade fora do mercado. Portanto, o sucesso passa a ser medido de forma mais ampla. “Quero ser um ser humano melhor e agregar mais na vida das pessoas”, afirma Aliakyn.Por fim, a experiência acumulada traz uma mudança de prioridade que não aparece no início da carreira: a sustentabilidade ao longo do tempo. Dessa forma, saúde e equilíbrio deixam de ser secundários e passam a ser parte essencial da performance. “Eu pretendo cuidar da minha saúde, porque lá atrás ignorei muita coisa”, conclui Igor.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post De “cortar mato” à tecnologia: veteranos revelam como o trade mudou appeared first on InfoMoney.

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