Decepção nos resultados, chance nos preços: BBI vê assimetria positiva na B3 após 1T

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A temporada de resultados do 1º trimestre de 2026 (1T26) no Brasil chegou ao fim e, segundo o Bradesco BBI, os dados no país foram mais fracos do que parecem, já que os setores de energia e materiais básicos mascararam resultados abaixo do esperado em 76% das ações domésticas do MSCI Brazil mais Mercado Livre (BDR: MELI34).O sentimento fraco ficou evidente, avaliam os estrategistas do banco, já que investidores venderam indiscriminadamente, independentemente das empresas terem superado ou não as estimativas. Para Pedro Grimaldi e Ben Laidler, que assinam o relatório, há espaço para revisões para cima em financeiro, Petrobras (PETR4) e Embraer (EMBJ3), e uma oportunidade em Mercado Livre.Na visão dos estrategistas, o maior setor do Brasil, o financeiro, foi um grande peso negativo, dado o provisionamento antecipado (supondo que não haja uma deterioração significativa da inadimplência à frente), mas com benefícios futuros para o lucro por ação (EPS) vindos do “reset” da curva Selic. “A reação negativa indiscriminada dos investidores aos resultados – independentemente de terem sido acima, em linha ou abaixo do esperado – mostra o arrefecimento do sentimento em relação ao Brasil, o que enxergamos como uma oportunidade contrária, à frente de catalisadores ligados a juros e eleições e de resultados melhores, em termos agregados, no 2T”, apontam os estrategistas. Enquanto isso, as commodities fizeram a maior parte do trabalho pesado, e o melhor ainda está por vir. A surpresa positiva de mais de 17% no setor de energia liderou os resultados do 1T no Brasil, puxada por Petrobras (PETR3;PETR4), e o melhor ainda está por vir, já que o 1T capturou apenas parte do pico do preço do Brent causado pela guerra com o Irã. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta segundaÍndices futuros dos EUA recuam após recordes da última semana “O lucro líquido abaixo do esperado no setor de materiais mascarou margens resilientes nos EUA e um foco positivo em devolução de capital”, avalia. Já a fraqueza das ações domésticas está concentrada no curto prazo, mas não é terminal. O setor financeiro liderou a decepção de lucros dos setores domésticos, à medida que o provisionamento foi antecipado. “Ainda assim, esperamos que os lucros se beneficiem do “reset” da curva de juros Selic, com menos cortes agora projetados, enquanto as revisões de consenso parecem ainda não ter acompanhado os comentários das administrações das empresas”, avaliam os analistas. Venda indiscriminada é oportunidade Para os estrategistas, a venda indiscriminada de ações após os resultados pode esconder uma oportunidade. O sentimento em relação às ações brasileiras esfriou de forma acentuada, após o forte desempenho no primeiro trimestre, com menos cortes de juros agora precificados e o calendário político em aceleração. “Isso ficou bem claro, já que mesmo ações que, fundamentalmente, surpreenderam positivamente nos lucros registraram, em média, queda de -5,9% nos preços”, avaliam. O Mercado Livre, aponta, talvez seja a principal oportunidade nesse contexto, com sua compressão deliberada de margens devendo aliviar adiante.Enquanto isso, a Petrobras deve se beneficiar de um trimestre completo de preços de petróleo “altos por mais tempo” e da monetização de seu backlog (carteira de pedidos) de exportações. Já a Embraer deve se beneficiar de um menor impacto negativo de tarifas sobre estoques e de uma antecipação de pedidos da família E2 devido ao choque de petróleo.O resultado de intermediação financeira (NII) dos bancos deve se beneficiar da reprecificação para cima da curva de juros Selic. Enquanto isso, o Mercado Livre deve se beneficiar da redução da pressão estratégica da gestão sobre as margens de lucro que vinha sendo usada para impulsionar o crescimento.Brasil segue como compra O BBI segue com overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) em Brasil dentro da América Latina uma vez que vê que o país continua sendo, por enquanto, um mercado acionário bottom up (análise de empresa específica para depois para olhar para o mercado), com valuation e o câmbio (real) impulsionando a performance no curto prazo, à medida que os catalisadores de juros e do ciclo eleitoral ganham mais destaque.Os lucros estão se tornando um terceiro pilar de alta no segundo semestre, à medida que a atividade econômica doméstica encontra um fundo e os cortes de juros continuam a se acumular gradualmente, e as revisões positivas de lucro se disseminem para além do atual motor baseado em commodities.“O Brasil é nossa principal escolha na América Latina, se beneficiando da rotação global de capital em curso, com valuation relativamente atrativo em ações e câmbio, e opcionalidade ligada ao ciclo de afrouxamento monetário e ao ciclo político”, avaliam os estratégias. Sabe quanto precisa investir para viver de renda? Calcule agora com a Planilha Viva de RendaO foco de portfólio está em nomes sensíveis a juros – Localiza (RENT3), Assaí (ASAI3) e Cyrela (CYRE3) – , com risco de queda para a curva de juros atual; ações de capital markets – BTG Pactual (BPAC11) e XP (BDR: XPBR31), à medida que o aumento de atividade impulsiona os lucros. Além disso, empresas com influência estatal – Banco do Brasil (BBAS3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) impactadas pela opcionalidade eleitoral, ao lado de ações de longa duração com alta sensibilidade à queda nos rendimentos de NTN-B, como Rumo (RAIL3). O BBI também gosta de ações de crescimento que foram “desvalorizadas” e ficaram “órfãs de ETF”, como Nubank (BDR: ROXO34) e Mercado Livre.The post Decepção nos resultados, chance nos preços: BBI vê assimetria positiva na B3 após 1T appeared first on InfoMoney.

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