Quando Jeska Grecco (@jeskagrecco) e Leandro Neko (@leandroneko) abriram a porta de seu novo apartamento pela primeira vez, sentiram o que chamam até hoje de um “encontro imediato”.
Ali, naquele espaço iluminado por janelões e emoldurado pelo verde de uma rua arborizada de Perdizes, em São Paulo, nasceu não apenas uma casa, mas um capítulo importante da vida a dois.
“Na hora que a gente entrou, parecia que o apartamento estava nos esperando”, recorda Leandro. Eles se mudaram em abril deste ano, trazendo o desejo de criar um lar com a própria assinatura — algo que nunca haviam conseguido antes.
Um dos assuntos favoritos dos seguidores de @jeskagrecco e @leandroneko são detalhes de sua rotina, incluindo o décor da casa novaMayra Azzi/CLAUDIA
A decisão aconteceu depois de três anos esperando por um imóvel comprado na planta. O atraso virou gatilho para uma reflexão sobre tempo e expectativas. “Era um sonho, mas chegou a um ponto que pensamos: vamos pegar o dinheiro de volta e procurar um lugar pronto”, contam.
A escolha abriu espaço para uma busca pragmática: um endereço com metragem generosa, já que os dois trabalham de casa, e um bairro onde a vida pudesse acontecer a pé.
Detalhes da prateleira com decorações na cozinhaMayra Azzi/CLAUDIA
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Camadas de personalidade
Desde o início, Jeska e Neko tinham clareza do que desejavam. “A gente não queria um apartamento genérico. Queríamos que, ao entrar, as pessoas dissessem: ‘Este é o apartamento da Jeska e do Neko’”, diz ele.
Para materializar essa ideia, chamaram as arquitetas Ana Dix e Fernanda Sabbag, parceiras antigas que conheciam bem o casal. “Elas já tinham essa leitura da nossa vida, sabiam nossos gostos e como a gente funciona”, explica Jeska.
O quadro é obra de Estela MiazziMayra Azzi/CLAUDIA
Essa sinergia acelerou decisões estéticas e práticas. “Foi uma experiência gostosa, porque elas capitanearam tudo. A gente não tinha noção do que era uma obra, aprendemos no processo.”
O projeto começou simples: derrubar uma parede e atualizar acabamentos. Mas, como quase sempre acontece em reformas, tudo evoluiu. Ao longo de quatro meses, nasceram soluções que unem personalidade e funcionalidade.
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O móvel de ferro, em azul, dá um toque divertido à viga acinzentadaMayra Azzi/CLAUDIA
Um dos pedidos era manter as vigas descascadas do prédio, imprimindo um ar brutalista sem cair no clichê industrial. “Queríamos que elas estivessem ali, mas sem definir o projeto”, explicam. Para equilibrar o toque urbano, entrou em cena um ladrilho hidráulico rosa na cozinha — sugestão das arquitetas.
O ladrilho rosa, da Ladrilar, é feito um a um, dando esse efeito com nuances diversas à parede da cozinhaMayra Azzi/CLAUDIA
“A gente queria cor, mas foram elas que deram o tom para onde ir”, detalha a moradora. Hoje, o rosa convive com o vinho dos armários e com a madeira clara que percorre os ambientes.
Fã de amarelo, Jeska coloriu o escritório num tom clarinho, iluminando o espaçoMayra Azzi/CLAUDIA
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Nos escritórios de cada um, as cores favoritas do casal marcam presença: amarelo para ela, azul para ele. “Eu sabia que queria meia parede azul. É uma cor que, automaticamente, me traz um sentimento bom”, conta Leandro.
O azul ganhou equilíbrio ao ser aplicado em meia paredeMayra Azzi/CLAUDIA
Além da paleta vibrante do apartamento, a marcenaria revela escolhas que traduzem a vivência do casal. É num cantinho personalizado, ao lado da mesa de jantar, que fica a estante criada para exibir seus vinis — hobby que ocupa lugar de destaque.
À esquerda, a marcenaria foi planejada para abrigar a coleção de vinilMayra Azzi/CLAUDIA
“Nada aqui é por acaso, mas também nada é só estética. Tudo carrega uma história”
Jeska Grecco, criadora de conteúdo
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O estar revela ainda objetos que contam histórias: lembranças de viagens, pôsteres trazidos direto da lua de mel e um saleiro em forma de onça garimpado por impulso. “Nada aqui é por acaso, mas também nada é só estética. Tudo carrega uma história”, descreve Jeska.
Luminárias foram espalhadas pela casa para garantir luz indiretaMayra Azzi/CLAUDIA
O podcast que mudou tudo
Muito antes de pensar em paredes e marcenaria, Jeska e Neko já tinham um traço em comum: a criatividade. Ela começou a carreira na publicidade; ele, no marketing e na música, acompanhando bandas de Porto Alegre. Em 2020, quando o mundo parou, os dois criaram o podcast Diário de Bordo.
As cadeiras do escritório de Leandro foram a primeira compra feita para o lar e são da WoodCoffee, assim como toda a marcenariaMayra Azzi/CLAUDIA
A ideia inicial era simples: 15 dias de gravação, um respiro diante do caos silencioso da pandemia. “Gravamos o episódio inicial no primeiro dia do lockdown. Achamos que iria durar duas semanas”, relembra Leandro.
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Devido ao cenário que se prolongou muito além disso, no primeiro ano foram ao ar exatos 365 episódios. Hoje, somam mais de 1.400.
O tom sempre foi intimista e bem-humorado, com relatos banais da vida cotidiana, que funcionavam como companhia para quem ouvia. “Era um escape, mas também uma forma de ajudar as pessoas a não se sentirem sozinhas. Criou-se uma comunidade muito forte”, explica a idealizadora.
Detalhes do escritório colorido e criativo de JeskaMayra Azzi/CLAUDIA
Com o sucesso, vieram novas frentes: canal no YouTube, gravações em vídeo e uma rotina intensa de produção que exigia mais espaço. “Precisávamos de ambientes separados para gravar e guardar equipamentos caros, longe dos gatos [risos]. Foi uma das principais razões para buscar um imóvel maior”, revela o casal, que divide a casa com seus quatro pets.
A porta da lavanderia ganhou uma abertura que facilita a vida dos moradores felinos. Luminárias foram espalhadas pela casa para garantir luz indiretaMayra Azzi/CLAUDIA
Entre cozinhar e celebrar
Com o ambiente integrado, o ato de cozinhar ganhou um significado novo. “Antes a gente cozinhava só para se alimentar, mas aqui virou ritual. Às vezes penso: ‘Não fiz essa cozinha inteira para preparar um omelete’. Então abro um vinho e faço um risoto”, brinca a publicitária.
A cozinha abriga alguns dos momentos favoritos do casal no novo larMayra Azzi/CLAUDIA
A sensação de celebração se estendeu pelos primeiros meses: “Toda noite parecia festa. Comprávamos vinho, inventávamos um prato. Era como comemorar a conquista todos os dias”.
A sala de jantar do apartamento fica integrada aos ambientesMayra Azzi/CLAUDIA
“Toda noite parecia festa. Comprávamos vinho, inventávamos um prato. Era como comemorar a conquista todos os dias”
Leandro Neko, criador de conteúdo
Mesmo com a obra concluída, a casa continua em movimento. Entre as ideias para a segunda fase está integrar um dos quartos à sala com divisória de vidro e ampliar o closet. “Só morando a gente entende o que faz sentido. Agora sabemos onde queremos mexer”, aponta Leandro.
O cantinho do café fica acomodado na cozinhaMayra Azzi/CLAUDIA
Para eles, mais do que um endereço, o apartamento simboliza tempo, aprendizado e história. “Depois de tantos anos em lugares que não eram nossos, a gente tem um espaço que carrega tudo o que gostamos e acreditamos”, conclui Jeska, olhando para o janelão emoldurado pelo verde de uma árvore do bairro.
CRÉDITOS DE PRODUÇÃO
Texto Marina Marques
Fotos Mayra Azzi
Edição de arte Catarina Moura
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