DeepSeek aposta na Huawei e reforça busca por soberania chinesa

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Aespeculação de que a DeepSeek anunciaria seu novo modelo ainda no Ano Novo Chinês não se concretizou, com a chinesa revelando o DeepSeek V4 somente em abril, na última sexta-feira (24). No entanto, a empresa voltou aos holofotes com a notícia de que o novo modelo foi ajustado para a tecnologia de chips da Huawei (também chinesa).Com o lançamento, a expectativa do mercado é que o movimento inaugure uma nova onda de desafios à soberania tecnológica norte-americana. Ao adaptar seu modelo para a infraestrutura da Huawei, a DeepSeek sinaliza um caminho mais independente das gigantes americanas — especialmente da Nvidia, hoje dominante no fornecimento de chips para IA.Na prática, isso pode acelerar uma reorganização do setor, com a China buscando reduzir sua dependência externa e fortalecer um ecossistema próprio, capaz de competir em pé de igualdade na corrida global por inteligência artificial.China já buscava reduzir sua dependência externaVale lembrar que a nova parceira da DeepSeek, a Huawei, esteve no centro de uma das maiores tensões tecnológicas dos últimos anos, quando passou a ser alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, a partir de 2019. Na época, a empresa foi incluída em uma lista de restrições comerciais sob alegações de riscos à segurança nacional — acusações que a companhia sempre negou —, o que limitou seu acesso a tecnologias e fornecedores americanos.Um dos impactos mais visíveis dessa disputa foi sentido diretamente pelos consumidores: os smartphones mais recentes da Huawei passaram a ser vendidos sem os serviços do Google, como Play Store, Gmail e YouTube. A medida afetou fortemente a competitividade global da marca no segmento mobile e marcou um ponto de virada na estratégia da empresa, que passou a investir ainda mais em alternativas próprias e em um ecossistema independente.Leia também: DeepSeek lança modelo de IA “topo de linha” um ano depois de chocar o mundoLeia também: Huawei e Aggreko vão desenvolver na Amazônia maior projeto com baterias do BrasilSem acesso aos serviços do Google e com restrições ao uso de chips avançados, incluindo os processadores Kirin fabricados pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), a empresa perdeu rapidamente espaço no mercado global de smartphones. O período entre 2021 e 2022 foi marcado por uma queda significativa nas vendas e no faturamento, encerrando um ciclo em que a Huawei chegou a disputar a liderança mundial do setor.Diante desse cenário, a resposta da empresa foi acelerar sua estratégia de independência tecnológica. A Huawei passou a investir pesadamente em Pesquisa e Desenvolvimento, com cerca de CN¥ 161,5 bilhões (US$ 23,2 bilhões, na cotação da época) investidos em em 2022, e avançou na criação de um ecossistema próprio, com destaque para o sistema operacional HarmonyOS e soluções em nuvem.Ao mesmo tempo, a companhia diversificou sua atuação para áreas menos dependentes de tecnologia americana, como infraestrutura de redes, software e até soluções automotivas inteligentes. Esse reposicionamento começou a dar resultado: entre 2024 e 2025, a Huawei voltou a crescer, impulsionada por lançamentos como a linha Mate 60 (ainda sem serviços Google), desenvolvida com chips produzidos internamente em parceria com a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), maior fundição de semicondutores (chips) da China continental.Nesse contexto de retomada e fortalecimento de um ecossistema próprio, especialistas e empreendedores já começam a apontar para uma mudança mais profunda na dinâmica global da tecnologia.Quais são as novidades do DeepSeek V4?Além da parceria com a Huawei, o DeepSeek V4 chega ao mercado como um salto relevante em escala e eficiência. A startup apresentou duas versões, V4 Pro e V4 Flash, cada um com características únicas que atendem a diferentes necessidades.Para entender melhor, o V4 Pro é a versão mais robusta. Ele foi projetado para entregar o máximo de desempenho possível, com foco em tarefas mais complexas, como raciocínio avançado, programação pesada e aplicações que exigem maior precisão. É o modelo que compete diretamente com os sistemas mais avançados do mercado, custando US$ 1,74 por milhão de entrada.Já o V4 Flash é a versão mais leve e econômica (com o preço de US$ 0,14 por milhão de tokens de entrada). Ele foi otimizado para ser mais rápido e barato de rodar, mantendo um bom nível de desempenho. A proposta aqui é atender casos de uso mais amplos, o famoso “custo-benefício”.Entre as principais novidades está uma nova arquitetura, chamada Hybrid Attention Architecture, que melhora a capacidade do modelo de manter contexto em conversas longas. Isso se soma a uma janela de contexto de até 1 milhão de tokens, permitindo o processamento de bases de código inteiras ou documentos extensos em um único comando.Além disso, o V4 utiliza a técnica de mixture-of-experts, ativando apenas parte de seus parâmetros em cada tarefa. Em teoria, isso se traduz em preços mais baixos em comparação com modelos de ponta de empresas americanas.Mesmo ainda ficando alguns meses atrás dos modelos mais avançados do mercado em termos de capacidade, o DeepSeek V4 aumenta a pressão competitiva global. A empresa afirma que consegue rivalizar com sistemas de gigantes como OpenAI, Google e Anthropic em benchmarks específicos, enquanto continua apostando em reduzir custos e ampliar o acesso.Conteúdo produzido por Startups.The post DeepSeek aposta na Huawei e reforça busca por soberania chinesa appeared first on InfoMoney.

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