A disparada do dólar, com avanço de mais de 8% na segunda pós-eleição, e a forte abertura da curva de juros após as eleições presidenciais têm provocado uma ampla revisão nas visões sobre ações das instituições financeiras, com exportadoras e empresas geradoras de receitas em moeda forte assumindo protagonismo entre as principais apostas para os próximos meses.Relatórios de casas como Bradesco BBI, Citi, JPMorgan, Morgan Stanley, BTG Pactual e XP Investimentos convergem para a conclusão de que, em um ambiente de real mais fraco, crescimento econômico mais lento e juros elevados por mais tempo, companhias com receitas dolarizadas oferecem uma combinação mais atrativa de proteção e crescimento.A XP destaca que o tombo da Bolsa após o segundo turno reflete a precificação de um cenário macroeconômico mais difícil, marcado por desvalorização cambial, aumento dos juros reais de longo prazo e maior prêmio de risco para ativos domésticos. Nesse contexto, a corretora aponta que empresas como Suzano (SUZB3), Gerdau (GGBR4), Aura Minerals (AURA33) e Vale (VALE3) aparecem entre as mais bem posicionadas para enfrentar um ambiente doméstico mais adverso.Segundo a análise da XP, a Suzano é a principal beneficiária do chamado “fator cambial”, enquanto Gerdau e Vale combinam receitas internacionais com menor exposição aos riscos da economia brasileira. Já empresas domésticas e mais alavancadas, como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Irani (RANI3), tendem a sofrer mais em um cenário de juros altos e atividade econômica mais fraca.Embraer segue como principal apostaEntre todos os nomes citados pelos estrategistas e analistas de mercado, a Embraer (EMBJ3) continua sendo uma das preferidas. O Bradesco BBI reiterou recentemente a fabricante de aeronaves como sua principal recomendação no setor de transportes, destacando a combinação de receitas em dólar, carteira de pedidos robusta e crescimento consistente dos resultados.Os analistas estimam crescimento anual composto de cerca de 20% do lucro operacional entre 2026 e 2028, sustentado por uma carteira de encomendas equivalente a cerca de cinco anos de produção na aviação comercial e três anos na executiva. Além disso, o banco vê potenciais catalisadores adicionais, como novos contratos para os jatos comerciais, campanhas de venda do cargueiro KC-390 e a evolução da Eve.A XP compartilha visão semelhante, apontando que a tese da Embraer permanece praticamente imune à deterioração do ambiente doméstico, já que a companhia possui baixa exposição à atividade econômica brasileira e parcela relevante de suas receitas atreladas ao dólar.WEG ganha atratividade com real mais fracoUma das novidades nas análises recentes é o reforço da visão positiva para a WEG (WEGE3). Para a XP, a empresa passou a oferecer um perfil ainda mais interessante após a correção recente das ações. Os analistas classificam a companhia como um “hedge cambial natural”, graças à elevada exposição internacional dos negócios e à baixa dependência do ciclo econômico brasileiro.Os analistas também destacam que a companhia continua exposta a tendências estruturais de crescimento ligadas à eletrificação, automação industrial e infraestrutura energética, fatores que ajudam a reduzir a influência das oscilações macroeconômicas domésticas sobre os resultados.Suzano entre as grandes beneficiáriasNo setor de papel e celulose, a preferência dos analistas continua concentrada na Suzano. O Citi manteve recomendação de compra para a companhia e destacou que ela se tornou uma das principais escolhas defensivas após as eleições. Segundo o banco, caso o dólar médio de 2027 fique em R$ 5,50, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado poderá ser aproximadamente 5% superior ao previsto atualmente. Já o Bradesco BBI calcula que cada movimentação de R$ 0,10 na taxa de câmbio gera impacto de cerca de 3% no EBITDA anual da empresa.A XP também coloca a Suzano entre as maiores vencedoras do novo cenário. Em seu exercício de sensibilidade, a corretora estima que uma desvalorização de 10% do real pode provocar um aumento de cerca de 27% no fluxo de caixa livre terminal da companhia, o maior impacto positivo de sua cobertura.A XP também chama atenção para outras companhias industriais com forte exposição externa, como a Tupy (TUPY3), que segue entre as preferidas da casa por gerar aproximadamente 60% de sua receita no exterior, especialmente no mercado de veículos pesados dos Estados Unidos.Já a Marcopolo (POMO4) combina valuation considerado descontado, dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) próximo de 10% e relevante presença internacional. Ainda assim, a corretora mantém postura mais cautelosa devido às incertezas relacionadas à demanda por ônibus em um ambiente econômico mais fraco.No caso da Gerdau, a preferência continua ligada à forte exposição aos Estados Unidos. A XP destaca que a companhia alia geração de caixa em dólar, boa dinâmica operacional na América do Norte e menor dependência do mercado brasileiro.Mudanças em carteirasO Morgan Stanley, em relatório de estratégia, promoveu uma ampla rotação para empresas exportadoras logo após as eleições, defendendo o que chamou de estratégia “Brazil with a Z”. A carteira passou a privilegiar companhias com receitas dolarizadas e menor exposição ao ciclo doméstico, como Petrobras (PETR4), Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3), PRIO (PRIO3), WEG (WEGE3), Vale (VALE3) e JBS, ao mesmo tempo em que reduziu participação em empresas mais dependentes de juros baixos e da atividade econômica brasileira.O diagnóstico do JPMorgan segue na mesma direção. O banco avalia que um ambiente de real mais fraco, crescimento econômico mais lento e juros elevados por mais tempo favorece empresas com receitas em dólar e balanços mais resilientes. Na visão da instituição, nomes como Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e Embraer (EMBJ3) tendem a se destacar justamente por oferecer proteção cambial em um momento de maior cautela com ativos domésticos.O BTG Pactual também tem reforçado a preferência por exportadoras e empresas dolarizadas desde o resultado das eleições. Em relatório recente sobre os setores de mineração, siderurgia e papel e celulose, o banco afirmou que “a necessidade de hedge está de volta”, argumentando que a combinação de real mais fraco, incertezas fiscais e juros elevados aumenta a atratividade de companhias com receitas atreladas ao dólar.Na visão do BTG, a Suzano (SUZB3) aparece como uma das maiores beneficiárias da depreciação cambial. Pelas estimativas do banco, uma desvalorização de 10% do real pode elevar o EBITDA da companhia em cerca de 16%, além de fortalecer a geração de caixa. A casa também vê cenário favorável para Gerdau (GGBR4), cuja exposição aos Estados Unidos faz com que aproximadamente três quartos do EBITDA sejam gerados em dólar, funcionando como proteção natural contra a deterioração do ambiente doméstico.O banco também permanece construtivo com Vale (VALE3), apesar das preocupações com o mercado de minério de ferro, e destaca Aura Minerals (AURA33) entre os nomes mais sensíveis ao câmbio. Em contrapartida, empresas mais ligadas à atividade doméstica e dependentes da queda dos juros tendem a enfrentar revisões negativas de lucro caso o cenário de taxas elevadas por mais tempo se confirme.Assim, o mercado voltou a buscar “hedges” para o risco Brasil, com companhias exportadoras ou com forte geração de caixa em moeda forte aparecem como os principais destinos do fluxo de investidores, enquanto empresas mais expostas ao consumo, crédito e investimento doméstico seguem dependentes de sinais mais claros de recuperação econômica para recuperar o interesse do mercado.The post Dólar forte após eleição coloca exportadoras no radar: quais são as ações preferidas? appeared first on InfoMoney.
