O uso de drones agrícolas explodiu no Brasil e projeções indicam que essa tendência não deve arrefecer. A indústria, no entanto, ainda enfrenta um problema: o setor tem dificuldade para encontrar mão de obra qualificada para operar os veículos não tripulados.Segundo dados da Anac, o país tem hoje pouco mais de 13 mil drones agrícolas registradas, mas o número pode ser bem maior. Em palestra durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), Vicente Cornago, comercial de aviação agrícola da Synerjet Corp, afirmou que a frota total já seria de mais de 60 mil aeronaves agrícolas não tripuladas, número que poderia chegar a 115 mil até 2030, considerando o potencial da fronteira agrícola nacional, segundo suas estimativas.O crescimento acelerado na compra de drones por produtores brasileiros veio acompanhado de um aumento no tamanho dos equipamentos. Em 2015, modelos capazes de carregar 10 litros de produtos para pulverização eram considerados grandes, e hoje já há opções que transportam até 300 litros.O desafio é encontrar quem os opere. Raffaela Moysés, sucessora e produtora na Fazenda Bonnanza, em Campo Alegre de Goiás, conta que hoje é preciso buscar operadores de drones de outras áreas para atuar nas plantações. “Há uma lacuna de qualificação profissional específica”, diz.Leia mais: Aderir ou não à nova tributação? Produtor agrícola enfrenta dilema, diz CNAA avaliação é compartilhada por outros especialistas e confirmada por levantamentos do setor. De acordo com Cláudio Oliveira, diretor operacional do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), uma pesquisa da entidade com mais de 40 empresas mostrou que 85% delas não têm profissionais qualificados para operar veículos não tripulados.“Deveria haver maiores investimentos do governo em relação à qualificação das pessoas. Promover isso via Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outras associações”, afirma. Para ele, a adesão aos drones no Brasil foi abrupta, ao contrário do que ocorreu com outras tecnologias no agronegócio, como a inteligência artificial, que se tornou mais comum no setor ao longo dos últimos 10 anos.O problema, porém, vai além dos drones. Segundo Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, a dificuldade para contratar é generalizada no setor e atinge desde as ocupações mais qualificadas até as que exigem menor nível de instrução, em um processo impulsionado especialmente pela urbanização.“Um estudo recente da CNA analisando de 1995 para cá mostra que a produção primária está perdendo trabalhadores para outros segmentos como insumos, serviços e agroindústria”, explica. “O agronegócio não perde mão de obra, mas ela sai da produção e vai para outros lugares.”Esse fenômeno acaba alimentando a própria demanda por drones e outros equipamentos, avalia Lucchi. Com cada vez menos pessoas para executar tarefas nas fazendas, a alternativa dos gestores é automatizar funções com ferramentas capazes de substituir parte do trabalho manual.The post Drones avançam nas fazendas, mas mão de obra ainda é entrave appeared first on InfoMoney.
