Uma cidade residencial da era bizantina bem preservada no deserto ocidental está entre as duas grandes descobertas arqueológicas anunciadas pelo Egito neste sábado (4).Os achados, feitos no Oásis de Dakhla e no sítio arqueológico de Marina el-Alamein, perto de Alexandria, são os mais recentes de uma série de descobertas que o governo egípcio espera transformar em impulso para o setor de turismo, vital para a economia do país e fortemente apoiado no apelo das antiguidades.Ao lado do Canal de Suez, o turismo é uma das principais fontes de divisas do Egito, que enfrenta dificuldades financeiras.Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades, a descoberta no Oásis de Dakhla traz novos detalhes sobre a vida cotidiana, o desenvolvimento urbano e as atividades econômicas da região no século IV, quando o Egito integrava o Império Bizantino.Os bairros escavados incluem vias no sentido norte-sul cortadas por ruas leste-oeste, formando praças abertas e espaços públicos, disse Hisham el-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.Na parte mais alta do assentamento, arqueólogos encontraram uma basílica datada de meados do século IV, com vista para as ruas principais, além dos restos de duas torres de vigia que protegiam a área, afirmou Mahmoud Massoud, responsável pela missão arqueológica.O oásis, localizado na província de Novo Vale, no deserto ocidental do Egito, integra a Lista Indicativa da Unesco, etapa preliminar antes de uma eventual inclusão na lista de Patrimônio Mundial.Na área, também foi identificada uma estrutura fortemente fortificada, com grossas muralhas defensivas e diversas casas compostas por salões de recepção e telhados abobadados, disse Massoud.Entre elas está a chamada casa de Tisous, identificada como residência de um diácono e datada da segunda metade do século IV. Os arqueólogos acreditam que o local tenha funcionado como igreja doméstica antes da construção da basílica.A equipe também encontrou fornos de pão, cozinhas e ferramentas de moagem de pedra, aparentemente usadas na produção de alimentos. Segundo o ministério, foram achadas ainda moedas de bronze bem preservadas com retratos de imperadores bizantinos, inscrições em latim e símbolos cristãos, além de moedas de ouro do reinado do imperador romano Constâncio II, que governou entre 337 e 361.Diaa Zahran, chefe do departamento de Antiguidades Islâmicas, Coptas e Judaicas, disse que os arqueólogos localizaram cerca de 200 fragmentos de cerâmica usados como material de escrita. Conhecidos como óstracos, esses fragmentos trazem inscrições sobre transações comerciais, correspondências e outros aspectos da vida cotidiana.Em outra descoberta, arqueólogos encontraram 18 tumbas antigas em Marina el-Alamein, sítio arqueológico a cerca de 100 quilômetros a oeste de Alexandria.Segundo o ministério, foram identificados 11 túmulos escavados na rocha, com profundidade média de 8 metros, e sete túmulos construídos na superfície com calcário. Com isso, o número total de sepulturas encontradas no local chegou a 48.No sítio, a equipe localizou vasos de cerâmica, ânforas, lâmpadas, pratos, altares e bacias de calcário. A chefe da missão, Eman Abdel-Khaliq, afirmou que também foi encontrado um sarcófago de granito de 2,5 metros de comprimento, com restos mortais ainda em estudo.Perto do sarcófago, os arqueólogos localizaram os restos de uma esfinge de gesso. Abdel-Khaliq disse ainda que foram achadas quatro moedas de ouro colocadas na boca de alguns dos mortos — prática conhecida como “língua de ouro”, associada às crenças funerárias da época.Marina el-Alamein, descoberta em 1986 na costa norte do Egito, é considerada pelos arqueólogos a antiga cidade portuária greco-romana de Leukaspis, fundada no século II e próspera até o século IV, segundo o ministério.O governo egípcio aposta nessas descobertas para reforçar a recuperação do turismo, após anos de turbulência política, violência posterior à revolta de 2011 e os impactos da pandemia de covid-19.Dados oficiais mostram que o Egito recebeu um recorde de 19 milhões de turistas no ano passado, alta de 21% em relação a 2024. Nos quatro primeiros meses de 2026, o país registrou 6,1 milhões de visitantes, ante 5,7 milhões no mesmo período do ano anterior.The post Egito descobre cidade perdida da era bizantina no deserto appeared first on InfoMoney.
