Ele passou 15 anos acumulando ações da SpaceX. Agora, vem a bolada

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SAN FRANCISCO — Nesta sexta-feira, quando as ações da SpaceX começarem a ser negociadas no maior IPO da história, uma série de amigos, associados e figuras próximas de Elon Musk está prestes a ficar fabulosamente rica.Na lista dos que devem receber uma bolada capaz de mudar a vida também está Justin Fishner-Wolfson, há muito tempo uma figura secundária na órbita de Musk, mas cuja trajetória profissional foi moldada por ser um dos investidores mais fiéis da fabricante de foguetes.Trabalhando em escritórios sem identificação em San Francisco, acima de uma alfaiataria, Fishner-Wolfson passou os últimos 15 anos acumulando o máximo possível de participação nas ações privadas da SpaceX.Ele levantou dinheiro em várias partes do mundo para comprar fatias da empresa diretamente, inclusive fazendo ofertas para adquirir ações de funcionários da SpaceX. Desde que sua gestora, a 137 Ventures, fez o primeiro investimento, em 2011, ela não vendeu nenhuma ação da companhia, apesar de toda a tentação de embolsar lucros antes.Aos poucos, a firma de Fishner-Wolfson passou a deter mais de 1% da SpaceX, participação avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, considerando o valor esperado de US$ 1,77 trilhão da empresa no preço de estreia na bolsa. Ele compra ações da SpaceX no mercado privado desde quando a companhia valia US$ 1 bilhão.“Isso provavelmente vai definir a minha carreira”, afirmou ele em entrevista nesta semana.Leia tambémSpaceX precifica IPO recorde em US$ 75 bi, com ação a US$ 135Empresa de Elon Musk levanta US$ 75 bilhões e estreia na Nasdaq entre as mais valiosas do mercado americanoSpaceX estreia na Nasdaq no maior IPO da história: como o brasileiro pode investir?Empresa de Elon Musk mira captação de US$ 75 bilhões; especialistas mostram os caminhos para o varejo A entrada de Fishner-Wolfson no universo da SpaceX remonta a 2008, quando a empresa parecia algo entre um sonho e uma piada. Na época, aos 26 anos e como o mais júnior entre os cinco profissionais de investimento da gestora de venture capital Founders Fund, de Peter Thiel, ele foi encarregado de acompanhar o novo investimento da casa na SpaceX.A SpaceX era tão desconhecida naquele momento que a Founders Fund mantinha desenhos feitos à mão de futuros protótipos de foguetes nos quadros brancos do escritório.Naquele agosto, Fishner-Wolfson voou para Los Angeles e ficou na sala de controle da sede da empresa, ao lado de Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, assistindo a uma transmissão ao vivo a partir das Ilhas Marshall da terceira tentativa da companhia de lançar um foguete reutilizável. O veículo permaneceu no ar por apenas dois minutos antes de cair em chamas.“O que vocês vão fazer?”, ele se lembra de ter perguntado a Shotwell. Seus sócios haviam acabado de investir US$ 20 milhões na SpaceX, algo como 10% do fundo mais recente da casa. Ele precisava de uma explicação para o que tinha dado errado no lançamento.Segundo ele, Shotwell não pareceu abalada. Talvez tivesse sido um problema no tempo do software, sugeriu. Eles teriam de construir outro foguete e tentar de novo.“Só isso?”, respondeu Fishner-Wolfson. Ele voltou para San Francisco sem saber muito mais do que sabia antes da viagem. Mas seus chefes na Founders Fund não se abalaram e seguiram apostando na SpaceX.Segundo três investidores do fundo, o aporte de US$ 20 milhões hoje vale bilhões de dólares.“Ninguém poderia ter esperado isso 20 anos atrás”, disse Fishner-Wolfson.A SpaceX não respondeu aos pedidos de comentário.Três anos depois de testemunhar o lançamento fracassado, Fishner-Wolfson decidiu seguir por conta própria e fundou a 137 Ventures, batizada em homenagem ao assento que seu avô ocupava na Bolsa de Nova York.Ele investiu em outras startups, como a Uber, mas a SpaceX sempre foi de longe seu principal foco. Os escritórios da 137 abrigam uma espécie de santuário da companhia. Logo na entrada, no lugar de uma recepcionista, há um enorme motor usado de um foguete da SpaceX. Foi preciso um guindaste e a retirada de uma janela para colocar a peça dentro do prédio.Mas, mesmo depois de passar mais tempo do que praticamente qualquer outra pessoa com os principais executivos da SpaceX — e até de receber alguns deles em seu casamento —, nem mesmo Fishner-Wolfson consegue prever se a avaliação bilionária da empresa vai se sustentar depois da abertura de capital. A SpaceX vem acumulando perdas de bilhões de dólares, e alguns de seus negócios centrais, como inteligência artificial, ficam atrás dos rivais.Diante disso, ele adotou uma espécie de zen treinado.“Na sexta-feira, a ação pode quadruplicar ou cair 50%”, disse Fishner-Wolfson.A decisão sobre vender ou não ainda está, por ora, fora de suas mãos. Como outros investidores anteriores ao IPO, Fishner-Wolfson e sua gestora estão impedidos pela SpaceX de começar a vender ações até pouco depois da divulgação do primeiro balanço, prevista para agosto, e não poderão se desfazer de toda a participação antes de seis meses da abertura de capital.Ele afirmou que, na primeira oportunidade, pretende distribuir aos investidores da gestora a maior parte das ações da SpaceX que lhes cabe, permitindo que cada um decida se prefere vender ou continuar posicionado por mais tempo.Segundo ele, pessoalmente não há pressa para vender — sua expectativa é que a SpaceX possa valer 10 vezes mais do que o preço da oferta em pouco tempo.“Ainda é uma empresa em que eu acredito”, afirmou Fishner-Wolfson.c.2026 The New York Times CompanyThe post Ele passou 15 anos acumulando ações da SpaceX. Agora, vem a bolada appeared first on InfoMoney.

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