Conteúdo XPO risco das eleições para quem opera na Bolsa vai além das oscilações provocadas pela disputa política. Combinado às incertezas internacionais, esse ambiente exige atenção ao tamanho das posições mantidas de um dia para o outro e aos possíveis efeitos da política econômica sobre os ativos.Essa é a avaliação de Alfredo Menezes, convidado do episódio 262 do programa GainCast. Ao analisar o cenário eleitoral, o investidor explica por que prefere operações intraday nesse contexto e relaciona as perspectivas para a Bolsa à condução das contas públicas e ao comportamento dos juros.Eleições e posições abertasAs eleições ampliam a atenção de Menezes ao risco de manter operações abertas entre um pregão e outro. Na avaliação do investidor, a disputa se soma às incertezas internacionais e exige cuidado com o tamanho da exposição.Nesse contexto, as preocupações incluem tanto a disputa eleitoral brasileira quanto os acontecimentos externos. “O cenário atual, juntando a eleição, juntando com o cenário político, político no mundo, com a guerra, com Trump e tal, eu acho que é um momento que não dá para você dormir com grandes posições”, alerta.Por isso, sua preferência nesse ambiente recai sobre negócios realizados dentro do mesmo dia. A escolha reflete a preocupação com acontecimentos capazes de alterar o cenário enquanto uma posição permanece aberta, especialmente quando os riscos políticos domésticos e externos se combinam. “E eu prefiro ficar muito mais com intraday do que dormir com posições”, explica.Além disso, Menezes associa o período eleitoral a um mercado sujeito a oscilações, no qual busca aproveitar os movimentos do próprio pregão. A leitura orienta sua maneira de operar, sem representar uma previsão sobre quem vencerá a disputa ou uma indicação de direção para os preços. “Agora para fazer trade eu acho que é mercado de volatilidade”, observa.Leia também: Eleições 2026: por que a volatilidade pode ser aliada do trader, segundo RafiFiscal, juros e BolsaPara Menezes, a eleição é relevante pelo impacto das decisões do governo sobre a economia. Seu foco está na relação entre as contas públicas, o custo do dinheiro e o mercado acionário. “Isso vai definir qual vai ser a política fiscal e qual vai ser o juros lá na frente e quanto vai ser a bolsa, né?”, pontua.Nesse sentido, ele relativiza a percepção de que as ações brasileiras estão baratas. O investidor pondera que os juros reais elevados precisam entrar nessa avaliação. “É barata. Mas os nossos juros reais são de 9%. Não dá para você comparar com os juros reais dos Estados Unidos”, argumenta.Além disso, Menezes diferencia os juros nominais dos Treasuries dos juros reais observados nos TIPS, títulos americanos protegidos contra a inflação. Para comparar os mercados, ele considera essa distinção essencial. “Você tem que olhar as Tips (Treasury Inflation-Protected Securities), que são os juros reais que é 2,5%, 2,7%, diferente do nosso que é 9%.”Por isso, a perspectiva de valorização da Bolsa passa pela política econômica do governo eleito. Na avaliação do investidor, maior rigor nas contas públicas pode favorecer a queda dos juros e abrir espaço para uma expansão dos múltiplos das ações. “Dependendo do governo, você tem uma fiscalidade mais séria, você faz o juros cair”, assinala.Leia também: De obra afetada pela Lava Jato a taxista e trader: a trajetória de Robert MachadoIntraday também exige cautelaApesar da preferência pelo intraday nesse cenário, Menezes ressalta a dificuldade de ganhar dinheiro nessa modalidade. Ao comparar operações encerradas no mesmo pregão com posições mais longas, apresenta uma estimativa pessoal, sem tratá-la como medida estatística. “Eu acho que fazer operações de day trade, eu diria que é umas cinco vezes mais difícil que fazer ganho com posição mais longa”, pondera.Além da dificuldade operacional, ele chama atenção para a diferença de recursos disponíveis aos participantes. Cotações, notícias em tempo real e ferramentas de informação integram a estrutura dos investidores institucionais, cujo custo pode ser elevado para a pessoa física. “O institucional tem um Bloomberg que tem um banco de dados enorme, tem várias cotações, várias notícias. Tentar competir com alguém que tem essa estrutura é muito difícil”, alerta.Por fim, a disciplina também ocupa um lugar central em sua avaliação. Menezes relata ter contratado um profissional para ajudá-lo no controle de risco e reduzir a interferência emocional nas decisões. A experiência reforça a importância de cumprir os limites combinados para operar. “A emoção te engana… Eu costumo falar, hoje, que o robô dá certo porque ele não tem emoção e o ser humano tem.”Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Eleições: Alfredo Menezes explica por que evita dormir com grandes posições appeared first on InfoMoney.
