A indústria brasileira de fundos imobiliários vive um novo momento de transformação. Depois de consolidar uma base superior a 3 milhões de investidores pessoas físicas e alcançar o posto de sétimo maior mercado de REITs do mundo em valor de mercado, o setor volta suas atenções para um novo objetivo: atrair investidores institucionais e ampliar a presença do capital estrangeiro.Nesse contexto, surgiu a Latin American REITs Association (LAREAL), entidade criada para representar a indústria e aproximar o mercado brasileiro dos padrões internacionais. A associação foi oficialmente fundada neste ano e reúne, atualmente, seis gestoras e 13 fundos imobiliários.Para Potyguara Camargo, presidente da LAREAL, antes mesmo da internacionalização existe uma agenda considerada prioritária: a institucionalização do setor.“O mercado de fundos imobiliários hoje é muito pautado na pessoa física. Muito mais do que a internacionalização, é importante o movimento de institucionalização do mercado, que é justamente a entrada desses investidores institucionais, fundos de pensão, fundos multimercados e também os ETFs”, afirma em entrevista ao InfoMoney.Leia Mais: Por que os fundos imobiliários de papel viraram os favoritos da XP?ETFs lideram movimento de internacionalizaçãoDe acordo com Camargo, os ETFs despontam como a principal porta de entrada para o capital estrangeiro nos fundos imobiliários brasileiros.“O principal player que está pronto para investir aqui em fundos imobiliários de caráter internacional é justamente o ETF. Por isso estamos atacando esse player antes dos outros”, explica.Na avaliação do executivo, os próprios gestores vêm adaptando seus veículos para atender aos critérios exigidos por investidores institucionais. O aumento do patrimônio líquido, processos de consolidação entre gestoras e maior liquidez estão entre as mudanças mais visíveis.“Hoje temos fundos negociando mais de R$ 10 milhões por dia, chegando em determinados momentos a superar R$ 20 milhões. Isso acaba sendo totalmente adequado para esse tipo de investimento internacional”, observa. Outro avanço citado envolve a comunicação com investidores estrangeiros.“Até pouco tempo atrás, os fundos imobiliários divulgavam relatórios financeiros apenas em português. Isso criava uma dificuldade para esses investidores fazerem essa leitura e iniciarem um investimento aqui”, diz.Segundo ele, parte dos desafios depende das próprias gestoras, mas outra parcela exige atuação coordenada da indústria. “Os países que têm mercados de REITs bastante desenvolvidos possuem uma voz unificada para defender questões regulatórias e dar visibilidade à indústria fora do país.”Associação nasceu inspirada em modelos internacionaisA criação da LAREAL teve origem em referências internacionais. “Eu tive contato com o CEO da Nareit e da EPRA no ano passado. Com base nisso, conseguimos ter know-how suficiente para criar algo parecido aqui dentro do Brasil”, conta Camargo. Segundo ele, a demanda por representação já existia entre os participantes do mercado, mas faltava um modelo claro de implementação. A iniciativa começou a ser estruturada em setembro de 2025 e culminou na fundação oficial da entidade em março deste ano.“A ideia da LAREAL é justamente representar a indústria como um todo. Agora a etapa é de expansão para o mercado brasileiro”, disse.Brasil já tem escala, mas segue sub-representadoApesar do avanço local, Camargo acredita que os fundos imobiliários brasileiros ainda ocupam espaço inferior ao potencial nos portfólios globais. “O mercado de fundos imobiliários brasileiro tem o sétimo maior market cap do mundo, cerca de R$ 236 bilhões, atrás apenas de países desenvolvidos.”Segundo ele, a participação dos ETFs internacionais no setor ainda é reduzida quando comparada a mercados menores.“Ficamos atrás de países como África do Sul e Tailândia. Se comparar o market cap com o nosso, deveríamos estar muito mais avançados nessa agenda”, destaca. Para o executivo, o desafio atual não é tamanho, mas organização.“O mercado já tem o tamanho necessário para atrair esses investidores. O que precisamos agora é consolidar toda a narrativa e entender exatamente o que esses investidores precisam do mercado brasileiro para investir aqui.”Pessoa física deve sair ganhandoEmbora o foco esteja nos institucionais, Camargo acredita que o investidor de varejo também tende a ser beneficiado pelo movimento.“Quanto mais investidores entrarem nesse mercado, os fundos acabam conseguindo desenvolver mais captações, aumentando o portfólio e diversificando ainda mais a carteira”, afirmou.Segundo ele, isso pode resultar em menor risco operacional e potencial de valorização das cotas.”Tudo isso é traduzido em menos risco de vacância e mais oportunidade de valorização. Quanto mais demanda você tem pelo ativo, mais esse ativo deve apreciar.”Foco é o mercado latino-americano “Existe uma demanda internacional para investimento no Brasil porque somos o sétimo maior mercado do mundo. Eles precisam estar aqui também”, pontua Camargo. Para os próximos anos, a expectativa é que a associação consolide sua atuação no país e, posteriormente, avance sobre outros mercados latino-americanos.“A ideia é que a gente consiga ter uma escala relevante para servir como uma voz unificada do mercado e também uma vitrine para essa indústria”, conclui.Leia Mais: Como os FIIs deixaram de ser ‘apenas tijolo’ e viraram uma indústria bilionáriaThe post Entidade quer transformar FIIs em vitrine global para o mercado latino-americano appeared first on InfoMoney.
