A relação entre arquitetura e natureza pode ir muito além de abrir a casa para o jardim. Na Casa da Figueira, em Criciúma (SC), uma árvore de aproximadamente 100 anos foi o ponto de partida para todo o projeto.
Assinada pela arquiteta Ana Paula Ronchi, a residência de 970 m² foi projetada para se adaptar à paisagem já existente. A figueira determinou a implantação dos ambientes, a altura de parte da construção e até algumas das soluções estruturais. “A figueira nos chamou. Todo o conceito do projeto nasceu para respeitar suas raízes, seus galhos e a importância que ela teria na experiência de morar”, conta a arquiteta.
Uma casa desenhada a partir das raízes
Deck, piscina e áreas de convivência se abrem para a vegetação e reforçam a integração entre casa e paisagemDivulgação/CASA CLAUDIA
A decisão de preservar a figueira surgiu ainda no início do projeto. Como as raízes ocupavam boa parte do terreno, a construção precisou ser pensada de maneira menos convencional.
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Na região do deck, parte da residência foi suspensa em relação ao solo para evitar interferências no sistema radicular da árvore. “Se a gente fizesse uma casa mais baixa, teria matado a árvore”, explica Ana Paula.
Em vez de concentrar toda a construção em um único volume, os ambientes foram distribuídos em blocos ao redor do tronco, criando respiros entre a casa, a figueira e a vegetação ao fundo do lote.
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A paisagem “entra” nos ambientes
Grandes aberturas e o uso da madeira aproximam os ambientes internos da vegetação ao redor da residênciaDivulgação/CASA CLAUDIA
A presença da natureza não fica restrita à área externa. Grandes esquadrias, janelas altas e outras aberturas foram posicionadas de forma a enquadrar diferentes partes da figueira. Dependendo do ponto da casa, é possível observar o tronco, os galhos ou a copa. Ao circular pelos ambientes, a vista se alterna entre a árvore e a mata ao fundo.
“O projeto não foi pensado para competir com a natureza. A arquitetura existe para permitir que ela seja vivida diariamente”, afirma a arquiteta. A própria copa da figueira também faz parte da experiência da casa, criando áreas de sombra e contribuindo para o microclima ao redor da construção.
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Telhado adaptado à árvore
Nos interiores, madeira, tons neutros e marcenaria sob medida criam continuidade entre os diferentes ambientesDivulgação/CASA CLAUDIA
Até o desenho da cobertura levou em consideração a convivência diária com a figueira. Na fachada frontal, o telhado de estrutura metálica ganhou uma inclinação acentuada, que facilita o escoamento das folhas que caem ao longo do ano. As calhas foram mantidas aparentes para tornar a limpeza e a manutenção mais práticas.
Pedra e madeira aparecem em diferentes superfícies, reforçando visualmente a continuidade entre os ambientes internos e a paisagem.
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Madeira ajuda a integrar arquitetura e interiores
Na área íntima, a marcenaria aparece em quartos e espaços de apoio com soluções desenhadas especialmente para o projetoDivulgação/CASA CLAUDIA
A marcenaria foi outro recurso utilizado para reforçar a unidade visual da casa. Entre as soluções adotadas estão painéis de madeira que revestem vigas estruturais de concreto, suavizando a presença desses elementos nos ambientes internos.
O projeto contou com marcenaria personalizada da Bontempo, presente na cozinha, nos painéis do tipo lambri, nos armários e no closet do quarto do casal. “A possibilidade de personalização permite que cada solução seja desenhada de acordo com a arquitetura”, afirma a arquiteta.
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Quando a natureza determina a arquitetura
A cozinha com marcenaria personalizada integra a área social e mantém a madeira como um dos elementos centrais dos interioresDivulgação/CASA CLAUDIA
Na Casa da Figueira, a árvore determina a implantação, as alturas e até algumas das soluções técnicas adotadas na residência.
Ao construir ao redor de algo que já fazia parte do terreno havia cerca de um século, o projeto propõe uma relação diferente entre arquitetura e natureza: em vez de se impor à paisagem, a casa se adapta a ela e encontra seu próprio lugar no espaço.
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