O governo de Donald Trump reservou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,2 milhões, para financiar organizações da sociedade civil que contestam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. A informação foi publicada pelo jornal britânico The Guardian.Segundo a publicação desta quarta-feira (30), a iniciativa faz parte de um pacote de 43 projetos, no valor total de US$ 176,9 milhões, financiados pelo Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano.Os recursos foram comprometidos pelo governo americano na quarta, último dia do ano fiscal dos Estados Unidos, apesar de objeções apresentadas no Congresso. Segundo o jornal, o secretário de Estado Marco Rubio assinou um memorando para superar bloqueios mantidos por parlamentares sobre parte das verbas.Projeto mira atuação do SupremoBatizado de “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” — algo como “Combate ao uso político da Justiça e à censura no Brasil” —, o programa pretende financiar grupos que se oponham ao que os documentos americanos classificam como excesso de poder judicial e censura praticados pelo STF.A documentação obtida pelo Guardian não identifica quais organizações brasileiras receberão o dinheiro.Leia tambémTrump diz que rejeitou proposta de trégua do Irã e que pode intensificar bombardeiosO presidente dos EUA admitiu ainda ser possível intensificar os bombardeios no Irã após as eleições legislativas de meio de mandatoFlávio pede ao STF que afaste Dino de casos ligados a ele, a Lula e às eleiçõesA defesa de Flávio Bolsonaro cita processos sobre os usos de emendas parlamentares, o financiamento do filme Dark Horse e pedidos do PT ao STFO projeto aparece no contexto de uma série de conflitos entre o governo Trump e integrantes do Supremo nos últimos dois anos, principalmente Alexandre de Moraes.O ministro foi sancionado pelos Estados Unidos em julho de 2025 pela Lei Magnitsky. As medidas foram retiradas em dezembro do mesmo ano.O governo americano acusava o ministro de abuso de autoridade e restrições indevidas à liberdade de expressão. Moraes e o STF sustentaram em diferentes ocasiões que decisões tomadas em investigações e processos sob sua relatoria buscavam conter ameaças às instituições, ataques à democracia e disseminação de informações falsas.Pacote inclui anticomunismo, imigração e pautas religiosasA verba direcionada ao Brasil representa uma parcela pequena do conjunto. O maior projeto individual prevê US$ 40 milhões para um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation, organização americana dedicada à crítica ao comunismo.Outros programas abordam imigração, proteção de comunidades cristãs na Nigéria, resistência ao que documentos americanos chamam de “ideologia de gênero” e oposição a determinadas regulações europeias.Também foram planejadas iniciativas no Reino Unido relacionadas a redução de regulações econômicas e políticas associadas ao Brexit. Alguns projetos inicialmente considerados pelo governo acabaram retirados depois de críticas no Congresso e repercussão pública.O conjunto representa uma mudança na forma como a administração Trump utiliza o Fundo de Direitos Humanos e Democracia. Historicamente direcionado a dissidentes, defensores de direitos humanos e organizações civis que atuam em regimes autoritários, o programa passou a incluir projetos em democracias consolidadas e temas ligados às prioridades políticas do atual governo americano.The post EUA destinam US$ 1 milhão a projeto contra decisões do STF no Brasil, diz jornal appeared first on InfoMoney.
