WASHINGTON — Os Estados Unidos retiraram às pressas, durante o fim de semana, todos os 12 bombardeiros B-1 da Força Aérea americana de uma base no sul da Inglaterra após comandantes receberem novas ameaças relacionadas a um suposto plano apoiado pelo Irã contra a instalação, disseram duas autoridades americanas neste domingo.A retirada foi considerada altamente incomum. Movimentações desse tipo raramente são realizadas com tanta rapidez a partir de uma base localizada em um país aliado, em tempos de paz e a milhares de quilômetros de qualquer zona de combate.A necessidade de remover as aeronaves da base RAF Fairford foi considerada tão urgente que parte dos aviões e de suas tripulações decolou enquanto aeronaves-tanque ainda eram mobilizadas para fornecer reabastecimento aéreo durante o trajeto de volta aos Estados Unidos. Pelo menos três dos bombardeiros já haviam pousado em sua base de origem, na Dakota do Sul, até domingo, segundo as autoridades, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de informações operacionais.O Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA confirmou a saída dos bombardeiros da Inglaterra, mas se recusou a comentar as novas ameaças.“Podemos confirmar que todos os bombardeiros americanos destacados para a RAF Fairford estão retornando às suas bases nos Estados Unidos”, afirmou o comando em comunicado. “Bombardeiros da Força Aérea dos EUA operam rotineiramente em diferentes regiões do mundo para garantir a prontidão das forças e atender a requisitos operacionais.”Leia tambémRay Dalio alerta que China e Japão podem reduzir exposição aos Treasuries dos EUAFundador da Bridgewater afirma que os dois maiores credores estrangeiros dos EUA já dão sinais de menor apetite pela dívida americana e reforça alerta sobre uma possível crise fiscal nos próximos anosVitória de Flávio trocaria influência da China por EUA. O que isso significa?Centros de estudo internacionais veem possibilidade de guinada nas relações internacionais, com o Brasil reduzindo presença em fóruns globais, enfraquecimento político dos BRICs e adesão ao Escudo das AméricasAutoridades americanas não detalharam a natureza das novas informações que levaram à retirada acelerada das aeronaves, algumas das quais haviam chegado à base na semana passada como parte da rotação regular de forças. Uma fonte afirmou que os novos dados estão ligados aos mesmos alertas de ameaça surgidos há cerca de três semanas, mas que detalhes adicionais e um aumento da urgência nas últimas 24 horas alarmaram os comandantes militares.A retirada ocorreu uma semana após a polícia britânica prender cinco homens que circulavam em vans brancas nas proximidades da base no último domingo. A RAF Fairford foi utilizada por bombardeiros americanos durante a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Os suspeitos foram liberados sob fiança no dia seguinte, após as autoridades não encontrarem explosivos nos veículos.Apesar disso, a polícia britânica afirmou repetidamente que os homens continuam sendo investigados. Na quinta-feira, um cidadão com dupla nacionalidade britânica e iraniana foi preso sob suspeita de preparar atos terroristas.O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou na semana passada que o governo acredita que o Irã teve participação no planejamento dos episódios investigados. Autoridades dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Israel também avaliam que a operação esteja ligada à Guarda Revolucionária Iraniana ou a outro comando militar baseado em Teerã. O governo iraniano nega as acusações.O caso gerou uma série de dúvidas para as autoridades, que tentam compreender os acontecimentos da última semana, incluindo as prisões, a evacuação emergencial de 85 residências, a atuação de um robô antibombas na inspeção das vans e uma reunião de segurança nacional convocada pelo governo britânico.Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou um comunicado afirmando que permitir o uso da RAF Fairford pelos Estados Unidos tornava Londres “responsável” pelas ações militares americanas.“Qualquer base utilizada para lançar ataques contra território iraniano é um alvo legítimo para nossas forças”, dizia o comunicado.Em setembro, comandantes militares americanos receberam um alerta considerado alarmante de agências de inteligência dos EUA e de outros países ocidentais. Segundo autoridades familiarizadas com o caso, a RAF Fairford havia sido identificada como possível alvo de um ataque apoiado pelo Irã.Os indícios de uma possível conspiração foram reunidos a partir de interceptações de comunicações, informações de fontes de inteligência e outros dados sigilosos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os serviços de inteligência de Israel também alertaram seus colegas britânicos sobre um provável ataque patrocinado pelo Irã, embora sem indicar um alvo específico. As avaliações confidenciais apontavam ainda para a possibilidade de ataques complementares com drones.Após o alerta inicial, a preocupação entre autoridades europeias aumentou significativamente. Segundo uma alta autoridade americana, Israel também advertiu a Alemanha de que bases militares dos EUA em território alemão, especialmente Spangdahlem e Ramstein, enfrentavam risco elevado.Caso seja confirmado, um plano apoiado pelo Irã para realizar um ataque no Reino Unido representaria uma escalada significativa das ações de Teerã contra um país ocidental, aparentemente em retaliação à guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.c.2026 The New York Times CompanyThe post EUA retiram às pressas bombardeiros de base no Reino Unido após novas ameaças appeared first on InfoMoney.
