Fiagros voltam a captar em meio a seca de crédito para o campo

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Após um período de turbulências, os Fiagros voltaram a captar. As emissões de fundos que investem em papéis do setor do agronegócio somaram R$ 3,957 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026, 128% mais que o R$ 1,735 bilhão da mesma janela do ano passado. O volume vem de 36 operações, ante 15 em igual período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A retomada acontece em meio à oferta reduzida de crédito de bancos ao setor, qsob o temor da crescente inadimplência no campo. E o mês de maio parece seguir na mesma toada.Neste mês, a Suno Asset concluiu captação de R$ 307 milhões do fundo Suno Agro Fiagro, o SNAG11, aumentando seu patrimônio para R$ 900 milhões e colocando-o entre os quatro maiores da B3. Junto com a JiveMauá, que também está próxima de encerrar uma captação de R$ 400 milhões, o segmento caminha para saltar dos atuais R$ 48,7 bilhões para perto dos R$ 50 bilhões de patrimônio.Leia também: BB: mais ajuda está por vir para o agro; reforço importante ou só adiará problemas?Além da seca de crédito, as novas operações ocorrem em um ambiente de cautela por conta dos juros ainda altos e risco maior provocado pela guerra no Irã, que aumenta os custos de insumos e do combustível, afirma Gustavo Gomes, head de crédito em agronegócio na XP Asset. “É uma tempestade perfeita, pois o setor sofre com aumento de custos pelos insumos, preços de commodities mais baixos e dólar também em queda, que reduz o ganho com exportação”, diz.Fundos oferecem mais proteçãoPelo cenário delicado, a maioria das emissões passou a adotar estruturas de subordinação para proteger mais o investidor. Nelas, o fundo cria duas classes de cotas, uma sênior, com rendimento definido, e outra, subordinada, que sofrerá os impactos das perdas, mas poderá ter ganhos maiores se não houver atrasos. Foi essa estrutura que permitiu a nova onda de emissões mesmo com o aumento do risco.“Em geral, a gestora fica com as cotas subordinadas, e isso permite um colchão de segurança para o investidor”, explica Gomes. Segundo ele, o ambiente é complexo para novas emissões, especialmente no segundo semestre, com a eleição presidencial. Mesmo assim, a XP está trabalhando com novas ofertas. “Temos operações que vão sendo pagas e precisamos fazer novas, temos de girar a roda”, diz. O profissional pontua que os Fiagros continuam atrativos ao investidor pois, após quedas recentes das cotas, os rendimentos continuam interessantes na média e os ativos, por conta dos problemas do passado, passaram por seleção mais rigorosa.Com a Selic ainda elevada, o crédito bancário mais restritivo e a busca das empresas por alternativas de financiamento, os FIDCs e Fiagros devem seguir ganhando espaço, afirma Gustavo Assis, CEO da Asset Bank. Segundo ele, o segmento continua atrativo, mas exige diligência: não basta olhar apenas a rentabilidade, é essencial entender a estrutura de garantias, a qualidade dos recebíveis e a capacidade da gestora de controlar risco.Investidor mostra apetiteDiante das dificuldades de 2025, a forte captação do Fiagro da Suno em maio surpreendeu, afirma José Eduardo Daronco, head de relações com investidores da Suno Asset. Sem subordinação de cotas, o fundo ficou pulverizado entre 130 mil cotistas com aplicação média por investidor de R$ 7 mil.A Suno analisa novas emissões no segundo semestre, de olho na demanda de crédito não atendida pelos bancos, inclusive para grandes produtores com dificuldades para rolar dívidas e fazer investimentos. “Vamos entrar nesse segmento de baixo risco, que está com taxas bastante atrativas, para financiar projetos de longo prazo, como irrigação e armazenamento, coisas que acabam também reduzindo o risco do negócio dos devedores”, explica. “Estamos captando os recursos a CDI mais 2% a 4%, e o investidor conta ainda com isenção de imposto de renda”, destaca. A gestora também subiu a régua das garantias e está priorizando agricultores mais capitalizados que querem recursos para investir. “Nosso fundo foi montado em 2022 e até hoje não teve inadimplência”, diz.Outra gestora que fez emissões de Fiagro recentemente foi a Valora, que captou R$ 662 milhões em março em seu fundo Agro Pré, que conta com 12 mil cotistas e estrutura de subordinação. Para Guilherme Grhal, gestor de Fiagros da Valora, o seguimento parece estar mais aquecido comparado aos últimos 2 anos.“Identificamos um retorno na liquidez dos Fiagros listados, bem como maior interesse dos investidores em fundos com prazo determinado expostos aos ativos do agronegócio”, diz. Para ele, houve uma redução nos ganhos desses fundos em relação ao seu início, em 2021, mas ainda há boas oportunidades pela redução da oferta de crédito dos bancos.The post Fiagros voltam a captar em meio a seca de crédito para o campo appeared first on InfoMoney.

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