FIIs vivem dilema entre ‘dividendo pingando’ e visão do institucional, diz Bacci

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O crescimento acelerado da base de investidores pessoa física em fundos imobiliários trouxe um novo desafio para a indústria: equilibrar as expectativas de curto prazo do cotista com decisões estruturais tomadas pelos gestores pensando em horizontes mais longos.Para o investidor André Bacci, referência em FIIs, essa diferença de visão entre investidores institucionais e pessoas físicas ajuda a explicar parte das frustrações recorrentes do mercado, principalmente quando operações que fazem sentido financeiramente acabam sendo mal recebidas pelo varejo.Segundo ele, decisões de gestão voltadas ao longo prazo muitas vezes entram em choque com a busca imediata por dividendos elevados. “As decisões do gestor que atende institucional são inerentemente diferentes das expectativas do investidor pequeno”, disse no Liga de FIIs, programa semanal do InfoMoney.Bacci citou como exemplo recente um fundo de infraestrutura que realizou uma operação de alavancagem atrelada ao CDI. Enquanto investidores institucionais enxergaram racionalidade financeira na operação, muitos investidores pessoa física demonstraram preocupação com possíveis impactos futuros nos dividendos.“O institucional quer se alavancar em CDI mais nada praticamente. Já a pessoa física fez a conta: ‘vou receber mais agora, mas vou perder lá na frente”, comentou.Leia Mais: Dividendos “gordos” em FIIs exigem atenção, dizem analistas“Nem todo fundo é igual”, diz André BacciNa avaliação de Bacci, parte da solução passa por explicar melhor ao investidor o perfil de cada fundo imobiliário e as diferenças entre estratégias mais agressivas e carteiras voltadas à previsibilidade.“Tem fundos que vão preferir o rendimento ‘estávelzinho’, quase um reloginho. Tem fundos que vão querer mais variação. E tem estrutura que naturalmente vai gerar degraus no meio do caminho”, pontuou.O especialista também reforça que muitos investidores buscam respostas simplificadas para decisões que dependem do perfil individual de risco. “O cara pergunta: ‘qual que é o melhor?’ E normalmente o melhor para ele é justamente o mais tranquilo, mais linear, com menos solavancos”, disse.Bacci contou ainda que deixou de montar carteiras personalizadas para investidores por entender que, na prática, muitos não acompanham ativamente os investimentos após o aporte inicial.“A carteira que eu faço para mim é a carteira do agito, mas ninguém quer isso. O cara investe e depois volta a se preocupar com a vida dele. Para essas pessoas, hoje eu falo: pega os maiores, os mais líquidos”.Segundo ele, liquidez e tamanho passaram a exercer papel central dentro da indústria de FIIs, especialmente em um mercado que já soma milhões de investidores pessoa física. “Existe força nos números. Um book preenchido dá conforto para o investidor”, conclui.Leia Mais: Como a XP ajudou a levar a indústria de FIIs a mais de R$ 70 bilhões de patrimônioConfira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.The post FIIs vivem dilema entre ‘dividendo pingando’ e visão do institucional, diz Bacci appeared first on InfoMoney.

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