Gestor aposta em garantias inusitadas e vê 2026 como ano raro de oportunidades

Blog

O Brasil vive um momento raro: muitas empresas em dificuldade, juros nas alturas e retornos históricos para quem souber escolher onde investir. A avaliação é de Rafael Fritsch, sócio e diretor de investimentos da Root Capital, gestora especializada em crédito.Para ele, o cenário atual é propício para quem tiver método e coragem. “Nunca foi tão fácil ler o cenário. É um cenário arriscado, mas é um cenário que tem prêmio”, afirmou.Fritsch foi entrevistado por Lucas Collazo no programa Stock Pickers e trouxe casos reais que mostram como a gestora aplica essa estratégia na prática — inclusive em situações que, à primeira vista, pareceriam perdidas.Veja mais: Gigante de R$ 1,2 tri revela estratégia ousada para dobrar de tamanhoE também: “Bancão” reage à fuga de talentos e cria modelo para segurar gestoresA Root Capital administra R$ 8 bilhões em fundos de crédito com perfis variados de risco e prazo. Ao contrário da maioria dos fundos, que carregam entre 100 e 150 papéis diferentes, os fundos da Root têm no máximo 30 a 50.“É humanamente impossível acompanhar 150 papéis. E não existem 150 papéis bons no Brasil”— Rafael Fritsch, sócio e CIO da Root Capital.Briga por clientes de alta renda muda o tabuleiro dos grandes bancos, diz gestorEx-chefão da Petrobras sugere tirar empresa da bolsa — entenda A correia que valia mais do que pareciaUm dos casos mais curiosos citados pelo gestor envolveu a Samarco, empresa controlada em partes iguais pela Vale (VALE3) e pela BHP (BHPG34). Após o rompimento da barragem em Mariana, em 2015 — tragédia que matou 19 pessoas e gerou um passivo ambiental bilionário —, a mineradora entrou em recuperação judicial.A Samarco era financeiramente relevante: gerava US$ 500 milhões por ano em dividendos e valia cerca de US$ 5 bilhões. Mas carregava US$ 3 bilhões em dívidas, e um banco queria se livrar de uma fatia delas — R$ 300 milhões — garantida por um equipamento incomum: a correia transportadora da mina.A correia é a estrutura que leva o minério de ferro do interior da mina até o ponto de embarque. Sozinha, quase não tem valor no mercado. Mas para a Samarco, ela era indispensável: sem ela, toda a operação pararia — e junto com ela, os US$ 500 milhões anuais em dividendos.“Imagina mandar meu advogado tomar aquela correia toda. Vai botar onde? No quintal da Root Capital?”, brincou Fritsch. Por trás da piada havia uma estratégia séria: a simples ameaça de executar a garantia foi suficiente para garantir tratamento privilegiado nas negociações.Posição pequena, resultado grandeMesmo representando apenas R$ 300 milhões diante de uma dívida total de US$ 3 bilhões, a Root Capital conseguiu ser tratada de forma prioritária. “A ameaça de tomar aquela garantia importante para a empresa nos deu um assento grande na mesa”, disse Fritsch.No final, a gestora recebeu integralmente o que tinha a receber, com juros. O gestor atribui o resultado à leitura correta de que Vale e BHP tinham interesse em manter a Samarco funcionando.O caso virou exemplo de uma lição simples e poderosa: não é o valor de mercado do bem que importa — é o quanto ele faz falta para a empresa devedora.The post Gestor aposta em garantias inusitadas e vê 2026 como ano raro de oportunidades appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *