A Vale (VALE3) perdeu a recomendação de compra do Goldman Sachs, rebaixando o ADR (recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York) a mineradora para neutra, além de reduzir o preço-alvo dos ativos negociados em Nova York de US$ 18 para US$ 16. O novo alvo implica potencial de valorização de cerca de 8% em relação ao fechamento mais recente, patamar considerado insuficiente para sustentar uma visão mais construtiva para o papel.Segundo os analistas Marcio Farid, Emerson Vieira e Henrique Marques, que assinam o relatório, a tese otimista sobre a companhia vinha sendo sustentada por uma combinação de melhora operacional, preços resilientes das commodities e valuation descontado. No entanto, parte desses fatores já teria sido capturada pelo mercado, após a ação acumular alta superior a 70% desde janeiro de 2025.Para o Goldman, o principal desafio passa a ser a escassez de gatilhos de curto prazo. A instituição avalia que os preços do minério de ferro estão próximos do pico deste ciclo, ao redor de US$ 100 por tonelada, em meio à expectativa de aumento da oferta global e crescimento limitado da demanda. Além disso, a equipe de commodities do banco vê espaço restrito para avanços relevantes nos preços dos metais básicos no curto prazo.No caso do cobre, o Goldman continua otimista para o longo prazo, mas destaca que a Vale ainda levará anos para entregar crescimento significativo de produção. A avaliação é que a expansão mais relevante da divisão de metais básicos deverá ocorrer apenas na próxima década, limitando a capacidade de o mercado precificar esse potencial desde já.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta segundaFuturos nos EUA têm amplos avanços com pausa de ataques no Oriente Médio; petróleo despencaO banco também argumenta que o valuation perdeu parte da atratividade após a recente reprecificação da ação. Atualmente, a Vale negocia com desconto em relação às mineradoras australianas, mas esse desconto está próximo da média histórica dos últimos cinco anos. Além disso, o Goldman calcula um fluxo de caixa livre equivalente a cerca de 7% ao ano nos próximos dois anos, nível que considera insuficiente para justificar uma visão mais positiva sobre o papel neste momento.Apesar do rebaixamento, o relatório traz uma visão relativamente favorável para os fundamentos da companhia. Os analistas destacam que a percepção dos investidores melhorou nos últimos meses graças à estabilidade operacional, à maior flexibilidade comercial da empresa e à evolução dos custos de cobre e níquel, após anos de resultados frustrantes nesses segmentos.O Goldman também revisou para cima suas estimativas financeiras. As projeções de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foram elevadas em 2% para 2026, 4% para 2027 e 5% para 2028, refletindo melhores prêmios de qualidade obtidos pela companhia na comercialização de minério de ferro e uma expectativa de normalização gradual dos custos. As previsões de lucro líquido também foram aumentadas para os próximos anos.Para os resultados do segundo trimestre, o banco espera um Ebitda ajustado de cerca de US$ 3,9 bilhões, praticamente estável em relação ao trimestre anterior. Embora os embarques devam crescer cerca de 16% na comparação trimestral, a expectativa é de que preços realizados ligeiramente menores e custos mais elevados neutralizem esse efeito positivo.O relatório ressalta ainda potenciais gatilhos positivos para o horizonte de longo prazo. Entre eles, uma eventual revisão do chamado decreto das cavidades no Brasil, que regula atividades minerárias em áreas com cavidades naturais. Na visão do Goldman, mudanças na legislação poderiam ampliar a vida útil das reservas, aumentar a flexibilidade operacional e melhorar custos e produtividade do Sistema Norte da Vale, embora os benefícios só devam aparecer gradualmente ao longo dos próximos anos.Outro tema monitorado é a evolução da Vale Base Metals (VBM). O banco considera que a unidade vive seu melhor momento operacional em pelo menos uma década, mas pondera que o negócio ainda representa cerca de 20% do Ebitda consolidado da companhia e que o crescimento projetado é de longo prazo, limitando o impacto da tese sobre a ação no horizonte mais imediato.The post Goldman corta Vale (VALE3) para neutro e vê poucos gatilhos para ação no curto prazo appeared first on InfoMoney.
