Goldman Sachs corta Ânima para venda e revisa projeções para empresas de educação

Blog

Apesar da queda acumulada de 34% das ações no ano, o Goldman Sachs rebaixou a recomendação para Ânima Educação (ANIM3) de compra para venda, avaliando que o desempenho recente não é suficiente para compensar os riscos da tese de investimento. Segundo o banco, a decisão reflete uma combinação de crescimento mais fraco dos resultados, elevada alavancagem financeira e incertezas relacionadas à aquisição da FMU, que pode pressionar ainda mais o balanço e a rentabilidade da companhia.O preço-alvo também foi reduzido de R$ 5,50 para R$ 2,00 por ação, o que representa um potencial de valorização de 9%, abaixo da média de 39% esperada pelo banco para as empresas de educação sob cobertura. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa dispara 1% com exterior e retoma os 180 mil pontosÍndices futuros dos EUA avançam com valorização de ações de tecnologia Itaú, Oncoclínicas, BB Seguridade, Isa Energia e mais ações para acompanhar hojeConfira os principais destaques do noticiário corporativo desta terça-feiraO banco espera uma desaceleração da receita no segundo trimestre de 2026 (2T26), refletindo principalmente o desempenho mais fraco da operação principal da companhia (Ânima Core), afetada por maiores taxas de evasão e uma base menor de alunos na comparação anual. Além disso, a instituição projeta uma piora na dinâmica de capital de giro, com consumo de caixa no trimestre, embora reconheça que o segundo trimestre costuma apresentar sazonalidade menos favorável para a geração de fluxo de caixa livre.Outro ponto de preocupação é a estrutura de capital. Segundo o Goldman, a Ânima possui o balanço mais alavancado entre as empresas brasileiras de educação acompanhadas pelo banco, com uma estimativa de dívida líquida sobre Ebitda ajustado de 2,7 vezes ao fim de 2026, considerando os efeitos do IFRS 16.Na avaliação do banco, a perspectiva de juros elevados por mais tempo no Brasil aumenta os riscos para os resultados da companhia, já que as despesas financeiras devem consumir cerca de 50% do Ebitda estimado para 2026.O Goldman também vê riscos na possível aquisição da FMU. Embora ainda não inclua a operação em suas projeções, o banco avalia que a transação pode elevar a alavancagem da companhia e pressionar a margem Ebitda a partir de 2027, quando começaria a integração do ativo.Apesar da queda de 24% das ações ANIM3 desde o anúncio da potencial aquisição da FMU, em 14 de julho, o Goldman afirma que a ação, negociada a cerca de 4 vezes o lucro ajustado estimado para 2026, não representa um desconto tão expressivo frente aos pares Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3), avaliados em aproximadamente 5 vezes e 6 vezes o lucro, respectivamente.Diante desse cenário, o banco reduziu suas projeções de lucro líquido da Ânima para 2026 e 2027 em 18% e 17%, respectivamente.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoCogna (COGN3)O Goldman Sachs estima que a Cogna (COGN3) apresentará crescimento de 14,6% na receita líquida no 2T26, na comparação anual, impulsionada por vendas remanescentes de contratos do PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático) de 2025, entregues apenas no segundo trimestre de 2026.Analistas projetam queda de 18% na captação da Cogna no 2T26, puxada principalmente pelo recuo de 32% na entrada de alunos no ensino digital, parcialmente compensado pela expansão do modelo semipresencial.Além disso, as verificações do banco com participantes do mercado indicam que as taxas de evasão da Cogna ficaram maiores em relação a 2025, com a maior rotatividade de alunos prejudicando parcialmente o reconhecimento de receita e afetando o tíquete médio da companhia.Em relação à rentabilidade, o Goldman espera uma compressão de 2,4 pontos percentuais na margem Ebitda recorrente no 2T26, para 30,7%. O Goldman estima que o Ebitda recorrente da Cogna crescerá 6,1% no 2T26, para R$ 586 milhões.O Goldman reduziu sua projeção de lucro líquido da Cogna em 6,9% para 2026, para R$ 877 milhões.A estimativa de receita líquida foi cortada em 1,2%, para R$ 7,98 bilhões, alta anual de 13,7%, refletindo o cenário mais desafiador para o setor e a pressão sobre a retenção de alunos, que deve continuar nos próximos trimestres.O banco manteve a expectativa de compressão de 1,8 ponto percentual na margem Ebitda recorrente, principalmente devido à pressão sobre as margens da Kroton, com a maturação dos cursos de saúde elevando custos relacionados a preceptoria e professores responsáveis por estágios.Como ponto positivo, o Goldman espera uma melhora de 1,4 ponto percentual no PDA (Provisão para Devedores Duvidosos), ajudando parcialmente a compensar as pressões.Com isso, a projeção de Ebitda recorrente de 2026 foi reduzida em 1,1%, para R$ 2,48 bilhões.Na última linha do balanço, o banco cortou a estimativa de lucro líquido em 6,9% para 2026 e em 3,5% para 2027, refletindo a revisão do Ebitda e a expectativa de juros elevados por mais tempo.Apesar dos cortes, o Goldman manteve recomendação de compra para Cogna (COGN3) e ajustou o preço-alvo de R$ 4,00 para R$ 3,50 por ação.Yduqs (YDUQ3)O Goldman Sachs prevê que a Yduqs (YDUQ3) registre crescimento de apenas 1,9% na receita líquida no 2T26, na comparação anual, com o desempenho positivo do segmento Premium sendo parcialmente compensado pela fraqueza do negócio de Ensino Digital.Assim como ocorreu com a Cogna (COGN3), o segmento de ensino superior da Yduqs foi afetado pelas mudanças do novo marco regulatório, que proibiu ofertas totalmente digitais para determinados cursos, como engenharia e biomedicina, exigindo a migração para o modelo semipresencial.O Goldman avalia que os impactos negativos da transição — com maiores exigências de presença física e aumento de preços — devem superar os benefícios obtidos com o crescimento do modelo semipresencial, prejudicando principalmente o segmento de ensino digital.Em relação à lucratividade, o Goldman espera uma margem Ebitda ajustada estável em 28,6% no 2T26, na comparação anual.O Ebitda ajustado deve crescer 1,8%, para R$ 401 milhões, com a expansão de 1,2 ponto percentual na margem Ebitda ajustada do segmento Premium, para 44,5%, sendo compensada pela pressão sobre os custos de pessoal da Estácio/Wyden (ensino presencial + digital).Segundo o banco, o aumento da participação das aulas presenciais deve elevar os gastos com professores e equipe acadêmica.O Goldman reduziu suas projeções de receita líquida da Yduqs em 0,6% para 2026 e 1,0% para 2027, para R$ 5,68 bilhões e R$ 6,10 bilhões, respectivamente.Apesar dos ajustes, o Goldman espera que a companhia gere R$ 534 milhões em fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) em 2026, ligeiramente acima do piso da projeção divulgada pela empresa.Com isso, o banco reduziu o preço-alvo da Yduqs de R$ 12 para R$ 10,50 por ação, mantendo a recomendação neutra.Afya (AFYA)Para a Afya (AFYA), o Goldman Sachs projeta um crescimento moderado de 7,1% na receita líquida no 2T26, na comparação anual.O banco reduziu sua estimativa de receita em 1,2%, para R$ 985 milhões, refletindo uma visão mais cautelosa sobre o desempenho das áreas de Medical Practice Solutions (MPS) e Educação Continuada.O banco manteve a expectativa de compressão da margem Ebitda ajustada da Afya em 1,6 ponto percentual no 2T26 e 2 pontos percentuais em 2026, para 42% e 43,5%, respectivamente.A avaliação é de que a fase de investimentos acelerados nos negócios de Soluções para Prática Médica e Educação Continuada continuará pressionando a rentabilidade ao longo de 2026.O Goldman estima Ebitda ajustado de R$ 413 milhões no 2T26, alta de 3,1% na comparação anual.O banco manteve recomendação de venda e revisou o preço-alvo da Afya para US$ 14,50 por ação, ante US$ 15,00 anteriormente, após reduzir suas projeções de lucro líquido em 2,5% para 2026 e 3,9% para 2027.As revisões refletem o menor crescimento esperado da receita e a perspectiva de juros elevados por mais tempo, com projeção de Selic média de 14,3% em 2026 e 12,7% em 2027, acima das estimativas anteriores de 13,9% e 11,4%, respectivamente.The post Goldman Sachs corta Ânima para venda e revisa projeções para empresas de educação appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *