O recente choque de oferta provocado pelo conflito entre Irã e Estados Unidos reforça a importância de commodities como instrumento de diversificação em portfólios de investimento, segundo relatório do Goldman Sachs. A casa avalia que, mesmo após a normalização parcial do fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz, as condições que sustentam retornos no setor seguem presentes. De acordo com Samantha Dart e equipe, analistas que assinam o relatório do banco, eventos recentes ilustram como commodities podem proteger investidores em diferentes cenários, desde choques de oferta até pressões inflacionárias e riscos fiscais. A interrupção de 16 semanas no Estreito de Ormuz, um dos principais pontos de escoamento global de petróleo, impulsionou preços e fez com que a classe de ativos superasse o desempenho de ações e títulos em 2026, ainda que com maior volatilidade. Durante o período mais crítico do conflito, os preços do petróleo subiram cerca de 43%, enquanto derivados como gasolina e diesel avançaram até 63%. Já o gás na Europa e o GNL na Ásia registraram altas de até 50% e 70%, respectivamente. Leia também“Kit Brasil”: investidores estão em alerta e de olho no próximo gatilho para ativosUm dos principais fatores de pressão é a inclinação da curva de juros, movimento que tende a pressionar negativamente os ativos locais, especialmente a bolsaApesar da recente acomodação do petróleo após avanços diplomáticos, o banco observa que o episódio evidencia a relevância de incluir commodities em portfólios estratégicos, especialmente em cenários de inflação elevada associada a choques de oferta — um ambiente que tende a penalizar simultaneamente renda fixa e renda variável. Demanda estrutural favorece metais e energia elétricaAlém do fator geopolítico, o Goldman destaca mudanças estruturais na economia global que devem sustentar a demanda por commodities, principalmente em metais industriais e energia elétrica.O relatório aponta que a transição energética, a eletrificação da economia e a expansão de setores como inteligência artificial e defesa têm elevado significativamente o uso de insumos como cobre, alumínio e lítio. Esses segmentos, segundo o banco, devem ganhar ainda mais relevância após o conflito, que tende a acelerar investimentos em segurança energética e infraestrutura. No caso do cobre, a instituição projeta um cenário de oferta restrita frente à demanda crescente. A expansão de redes elétricas e infraestrutura energética deve responder por mais de 60% do crescimento da demanda até 2030, enquanto limitações estruturais — como minas mais profundas e custos crescentes — dificultam a resposta do lado da oferta.Leia também“El Niño Godzilla” coloca Brasil no centro do risco climático para os mercadosA iminente consolidação do fenômeno climático deve gerar impactos econômicos profundamente desiguais na América LatinaComo resultado, os preços do metal devem permanecer elevados. O Goldman projeta valores próximos de US$ 13.800 por tonelada em média em 2027 e aponta que, no horizonte mais longo, preços acima de US$ 15 mil podem ser necessários para equilibrar o mercado. Ouro segue com suporte estrutural, apesar de volatilidadeO ouro também permanece no radar da instituição, com perspectiva de valorização adicional. O banco projeta preço de US$ 4.900 por onça para o fim de 2026, sustentado principalmente pela diversificação de reservas por bancos centrais de mercados emergentes. Pesquisa recente do World Gold Council citada no relatório mostra que 45% dos bancos centrais planejam aumentar suas reservas do metal nos próximos 12 meses, enquanto cerca de 90% esperam crescimento das reservas globais. No curto prazo, no entanto, o ouro pode enfrentar pressão de juros mais elevados, que aumentam o custo de oportunidade de ativos que não geram rendimento. Ainda assim, o banco vê os riscos para o preço do metal como assimétricos para cima no médio prazo. Diferentes cenários exigem diferentes commoditiesO relatório também diferencia o papel das commodities conforme o tipo de choque inflacionário.Em fases finais do ciclo econômico, quando a demanda supera a oferta, commodities cíclicas como petróleo e metais industriais tendem a performar melhor. Já em choques de oferta, como o recente episódio no Oriente Médio, uma cesta ampla de commodities (excluindo metais preciosos) costuma oferecer maior proteção. Para completar, em cenários de perda de credibilidade fiscal ou monetária, o ouro se destaca como hedge principal.Para o Goldman Sachs, o cenário atual indica que a influência inflacionária das commodities pode ir além do petróleo nos próximos anos. A crescente concentração geográfica da produção e gargalos em infraestrutura aumentam o risco de choques também em metais e energia elétrica.Com isso, o banco avalia que os investidores devem considerar uma exposição mais ampla à classe de ativos. A diversificação entre diferentes tipos de commodities tende a ser cada vez mais relevante diante de um ambiente marcado por transição energética, tensões geopolíticas e crescimento de novas demandas industriais.The post Goldman vê commodities como hedge ante choques e reforça tese em metais e energia appeared first on InfoMoney.
