O governo federal vai começar imediatamente a desmontar os subsídios emergenciais aos combustíveis criados após o início da guerra no Oriente Médio, numa tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sinalizar maior responsabilidade fiscal, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.O primeiro passo será reduzir os subsídios ao diesel, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato. A medida vai reverter parcialmente um pacote temporário de cortes de impostos e incentivos criado para proteger os consumidores do choque nos preços do petróleo provocado pelo conflito com o Irã.O déficit nominal do Brasil chegou a 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta terça-feira, em meio ao aumento de estímulos pelo governo para reforçar a campanha de reeleição de Lula. Os bilhões de reais em gastos extras vêm ampliando a preocupação de investidores com uma deterioração mais ampla das contas públicas. Ao mesmo tempo, esse impulso fiscal dificulta o trabalho do Banco Central para trazer a inflação de volta à meta de 3%, num ambiente de juros muito altos.Leia tambémSetor público tem déficit de R$ 56,1 bi e dívida pública sobe mais que o esperadoDívida está em 81,1% do PIB, o maior patamar em cinco anos, desde maio de 2021Dívida pública bruta do Brasil sobe mais que o esperado em maio, a 81,1% do PIBAs expectativas em pesquisa da Reuters eram de 80,7% para a dívida bruta e de 68,1% para a líquidaO quadro fiscal é uma dor de cabeça antiga para o Brasil, que perdeu o grau de investimento em 2015, principalmente por causa da alta dos déficits e da dívida pública. Desde então, diferentes governos têm encontrado dificuldade para reorganizar as contas e recuperar a confiança na condução do Orçamento.A decisão marca o início da desmontagem de um dos maiores pacotes emergenciais do governo Lula. No começo deste ano, o governo anunciou que poderia gastar até R$ 2,9 bilhões por mês para bancar subsídios à gasolina e ao diesel. Considerando também as demais desonerações e incentivos adotados desde o início da guerra no Oriente Médio, o custo total gira em torno de R$ 13 bilhões.Entre as medidas emergenciais adotadas estão o corte de tributos sobre biodiesel e querosene de aviação, o subsídio à importação de gás de cozinha, o incentivo à produção doméstica de diesel e a liberação de linhas de crédito para companhias aéreas por meio de um fundo nacional.O governo também autorizou a Petrobras a reajustar os preços dos combustíveis, depois que a estatal adiou aumentos para amortecer o impacto da volatilidade internacional.Na semana passada, o Banco Central elevou de novo sua projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026, agora para 2%, citando fatores como a demanda mais aquecida, sustentada por estímulos fiscais e de crédito.Ao mesmo tempo, a autoridade monetária alertou que essas medidas podem aumentar a pressão sobre a inflação, que está acima de 3% desde o período mais agudo da pandemia de Covid-19, em 2020.Lula tenta conquistar um quarto mandato nas eleições de outubro.© 2026 Bloomberg L.P.The post Governo federal vai começar a reduzir subsídios emergenciais aos combustíveis appeared first on InfoMoney.
