Governos vendem títulos em ritmo recorde para bancar alta dos gastos

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Os governos estão tomando dinheiro no mercado em ritmo recorde, em meio à escalada dos gastos públicos.Neste ano, emissores soberanos já levantaram US$ 504 bilhões em operações sindicadas — quando os papéis são vendidos a investidores com a ajuda de bancos —, segundo dados compilados pela Bloomberg.O valor já supera o registrado no primeiro semestre de 2020, quando os países abriram os cofres para sustentar suas economias durante os lockdowns da Covid-19.Os déficits públicos vêm aumentando desde a crise financeira global. Eles explodiram na pandemia, quando os juros despencaram, e agora voltam a se ampliar à medida que os governos reforçam os gastos com defesa e tentam proteger as famílias da alta de preços provocada pela guerra no Irã. O envelhecimento da população e o patamar mais alto dos juros também agravam a pressão sobre as contas públicas.“O principal motor dessa oferta é o aumento do gasto público e, com isso, da necessidade de financiamento”, disse Jens Peter Sorensen, analista-chefe do Danske Bank AS. Ele cita como principais fatores os desembolsos maiores com defesa, infraestrutura e transição energética.Leia tambémO que pode levar o Ibovespa de volta aos 200 mil pontos?Após forte correção, índice se aproxima de regiões técnicas relevantes; para analistas, queda de juros, valuation descontado e melhora do fluxo estrangeiro podem recolocar a Bolsa no caminho dos recordesSelic vai subir? Tesouro Prefixado rompe 15% com pesquisa eleitoral no radarQuaest mostra Lula com 44% contra 38% de Flávio no segundo turno e mercado reage exigindo mais premio no curto prazo com temores inflacionáriosA Alemanha e outros países estão reservando centenas de bilhões de euros para armas e munição. Ao mesmo tempo, a União Europeia flexibilizou suas regras fiscais para abrir espaço a mais gastos com defesa e com projetos de energia voltados a reduzir o uso de combustíveis fósseis.Embora as emissões sindicadas representem uma fatia menor do que os leilões tradicionais de dívida pública — especialmente porque o Tesouro dos EUA só usa esse modelo —, elas seguem bastante comuns em outros mercados, sobretudo na Europa. Em momentos de volatilidade, esse formato costuma ser visto como mais seguro e dá aos gestores da dívida mais controle sobre o momento da oferta.Itália lidera novamenteA Itália foi o maior emissor no mercado de dívida soberana sindicada em oito dos últimos dez anos — e voltou a liderar em 2026. O país já captou quase €70 bilhões (US$ 81 bilhões) no primeiro semestre, segundo os dados da Bloomberg.A Alemanha, que alterou suas regras fiscais para ampliar gastos com defesa e infraestrutura, já levantou €14 bilhões em três operações neste ano. Reino Unido, Bélgica e Sérvia também fizeram as maiores emissões de sua história. Austrália e México aparecem entre os dez maiores emissores do ano.A demanda continua firme, principalmente pelos papéis de prazo mais curto. Na avaliação de Johnathan Owen, gestor da TwentyFour Asset Management, os governos estão aproveitando a janela para tocar um calendário pesado de refinanciamento e financiar gastos maiores, apesar da incerteza sobre os juros.“Eles estão aproveitando essa janela enquanto o mercado continua saudável e disposto a comprar”, afirmou.O choque inflacionário provocado pela guerra no Golfo Pérsico elevou os rendimentos dos títulos e piorou as perspectivas para a economia global, embaralhando as apostas para os juros. O Banco Central Europeu deve fazer nesta semana a primeira alta desde 2023, enquanto o Federal Reserve também deve voltar a apertar a política monetária mais adiante neste ano — embora o cenário depois disso siga nebuloso.Os leilões do Tesouro americano sofreram com a forte volatilidade do mercado de juros em março, logo após o início do conflito. Desde então, há poucos sinais de perda de apetite dos investidores por dívida soberana, mas o custo para captar subiu.Em maio, um leilão de títulos de 30 anos dos EUA registrou rendimento acima de 5% pela primeira vez desde 2007. No Reino Unido, uma emissão de £15 bilhões (US$ 20,2 bilhões) em abril atraiu demanda recorde, impulsionada pelo maior yield dos papéis de dez anos desde 2008.Refinanciamento da era CovidOutro fator por trás da alta nas emissões é o vencimento de títulos lançados durante a pandemia. Segundo análise do Natixis, as operações de refinanciamento dos países da zona do euro avançaram 26% em 2026, acima da alta de 11% nas emissões sindicadas totais na comparação anual.“Essa diferença sugere que o recorde do primeiro semestre foi puxado principalmente pelos vencimentos, e não por uma antecipação oportunista diante de possíveis altas de juros”, disse Theophile Legrand, estrategista de juros do Natixis, no início deste mês. Ainda assim, movimentos recentes indicam que parte dos emissores europeus pode estar tentando travar custos antes de novas altas.Em maio, “os vencimentos até caíram na comparação anual, mas o volume das emissões sindicadas saltou de €32 bilhões para €45 bilhões, o que sugere algum grau de antecipação”, acrescentou Legrand.O ritmo das emissões no restante do ano vai depender, em grande parte, dos próximos passos dos bancos centrais. Emissões de Bélgica, Espanha, Áustria e Portugal em maio ocorreram “antes do esperado”, escreveram estrategistas do ING, incluindo Benjamin Schroeder, em relatório de 3 de junho.Outros países também estão se antecipando à desaceleração típica do verão no Hemisfério Norte. A Grécia está captando €3 bilhões e recebeu mais de €36 bilhões em ordens na reabertura de títulos com vencimento em 2036. Já a Suécia está levantando €2 bilhões em dívida de três anos. As duas operações devem ser precificadas na quarta-feira.“Ainda há muita dívida soberana da zona do euro para chegar ao mercado no segundo semestre”, disse Harvey Bradley, chefe global de juros da Insight Investment.© 2026 Bloomberg L.P.The post Governos vendem títulos em ritmo recorde para bancar alta dos gastos appeared first on InfoMoney.

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