Greve histórica na França: o que aconteceu e o que está por trás da crise?

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Cerca de 800 mil a 1 milhão de trabalhadores participaram nesta quinta-feira (18) da maior greve dos últimos anos na França, segundo estimativas de sindicatos e autoridades. A mobilização nacional, marcada por paralisações em escolas, transportes e serviços de saúde, protesta contra cortes orçamentários de € 44 bilhões (R$ 274 bilhões) e ocorre no início do mandato do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.O que aconteceuAs manifestações se espalharam por mais de 250 cidades francesas, incluindo Paris, Lyon, Lille e Marselha. O Ministério do Interior mobilizou 80 mil policiais diante do risco de confrontos, que chegaram a ocorrer em pontos da capital e de outras regiões. Mais de 140 pessoas foram detidas.A polícia de choque francesa usa gás lacrimogêneo contra manifestantes durante confrontos em uma manifestação em Paris, como parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes no próximo orçamento, com apoiadores do movimento “Bloquons Tout” (Vamos Bloquear Tudo), França, 18 de setembro de 2025. REUTERS/Tom NicholsonO transporte público foi um dos setores mais afetados. Em Paris, linhas de metrô e trens regionais foram fechadas após 91% dos motoristas apresentarem aviso de greve. Voos foram pouco impactados, já que sindicatos do setor aéreo transferiram a paralisação para outubro. Escolas também ficaram sem aulas, com adesão de cerca de um terço dos professores. Já as farmácias permaneceram quase todas fechadas — 98% não abriram as portas.Empresas estratégicas participaram da paralisação. A estatal EDF reduziu a produção de energia nuclear em 1,1 gigawatt, como parte das ações sindicais.Jovens manifestantes mascarados participam de uma manifestação em Paris como parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes no próximo orçamento, com apoiadores do movimento “Bloquons Tout” (Vamos Bloquear Tudo), França, 18 de setembro de 2025. REUTERS/Abdul SaboorPor que os franceses protestam?A origem do movimento está nos cortes anunciados pelo ex-primeiro-ministro François Bayrou, derrubado por voto de desconfiança no início do mês. O plano previa congelamento de aposentadorias, aumento de custos com saúde e até a eliminação de dois feriados nacionais para reduzir a dívida pública, hoje em 114% do PIB.Embora Lecornu tenha prometido rever pontos impopulares, como a proposta de extinguir feriados, sindicatos temem que parte das medidas de austeridade seja mantida. Representantes pedem mais recursos para serviços públicos e taxação maior sobre grandes fortunas e empresas.Manifestantes enfrentam a polícia de choque francesa durante uma manifestação em Paris, parte de um dia de greves e protestos nacionais contra o governo e os cortes no próximo orçamento, com apoiadores do movimento “Bloquons Tout” (Vamos Bloquear Tudo), França, 18 de setembro de 2025. O slogan diz: “Trabalhadores, aposentados, estudantes, doentes. Cada vez mais pobres”. REUTERS/Abdul SaboorInstabilidadeA França vive instabilidade desde as eleições antecipadas de 2024, que resultaram em um Parlamento dividido entre esquerda, centro e extrema-direita, sem maioria clara. Bayrou foi o segundo premiê a cair em menos de um ano por causa de disputas sobre o orçamento.Agora, Lecornu tenta negociar um texto orçamentário capaz de evitar nova rejeição no Legislativo, enquanto enfrenta popularidade baixa. O Partido Socialista cobra “fim dos cortes severos” e contribuição maior dos mais ricos, enquanto a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, afirmou que, se o governo mantiver a mesma linha, “ele cairá”.A pressão também vem do mercado. Na semana passada, a Fitch rebaixou a nota de crédito da França citando instabilidade política e dúvidas sobre o ajuste fiscal.O ministro da Defesa francês, Sébastien Lecornu, participa de uma coletiva de imprensa após conversas com o ministro da Defesa armênio, Suren Papikyan, em Yerevan, Armênia, em 23 de fevereiro de 2024. Hayk Baghdasaryan/Photolure via REUTERSO que vem a seguir?Lecornu tem até o início de outubro para apresentar o novo orçamento. Seu primeiro discurso no Parlamento está marcado para 2 de outubro. Sindicatos prometem manter a mobilização até que os planos de austeridade sejam descartados.As próximas semanas serão decisivas para a capacidade do governo francês de reduzir o déficit, recuperar confiança dos mercados e evitar nova crise de governabilidade.(Com Le Monde e Associated Press)The post Greve histórica na França: o que aconteceu e o que está por trás da crise? appeared first on InfoMoney.

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