Gringo vê risco que o brasileiro ignora no ciclo de crédito, diz gestor da IP Capital

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As famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. Hoje, quase 30% de tudo que um trabalhador ganha vai direto para o pagamento de juros e parcelas de dívidas — o maior nível desde que o Banco Central começou a medir essa série, em 2005. O dado, que já preocupa analistas no Brasil, ganhou novos contornos em Nova York, onde investidores estrangeiros demonstraram um nível de apreensão que surpreendeu até quem acompanha o mercado de perto. “Para cada R$ 1.000 que você ganha de salário, você está gastando R$ 300 em serviço da dívida”, resume Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners. Ele conversou com Lucas Collazo no podcast Stock Pickers, do InfoMoney.O evento que escancarou essa preocupação foi o Brasil Week, semana em que executivos e investidores brasileiros se reúnem em Nova York para reuniões com gestores internacionais. Raoni, que participou do encontro, notou que a inquietação dos estrangeiros com o ciclo de crédito brasileiro vai além do que se debate no mercado local. “O investidor estrangeiro está mais preocupado do que os investidores locais”, observou ele, ressaltando que o descolamento entre renda e consumo registrado no ano passado é um sinal que merece atenção.Veja mais: BC sem saída? Gestores veem corte menor de juros após choque globalE também: Polo chama Hapvida (HAPV3) de “avião que caiu” e monitora sinais para sair da apostaOs números ajudam a entender o alarme. Em 2024, a renda das famílias cresceu cerca de 4% em termos reais, mas o mercado de crédito expandiu entre 6,5% e 7% no mesmo período. O consumo das famílias, por sua vez, avançou apenas 1% em termos reais — o que indica que o dinheiro novo não está indo para gastar, mas para pagar dívida velha. “O brasileiro está ganhando mais dinheiro, mas não está se desalavancando. Está se alavancando”— Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners.Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheioEle fez uma pergunta ignorada por todos — e lucrou com o colapso da GafisaCrédito cresce, mas corda pode arrebentar em 2027A dinâmica atual ainda se sustenta por uma combinação de desemprego baixo, renda em alta e estímulos fiscais. Para 2026, Raoni diz não estar muito preocupado. O problema, na avaliação dele, está no horizonte seguinte. “A preocupação dos agentes do mercado não é com 2026. O mercado sempre acaba olhando 12, 18 meses para frente — ali com 2027, eventualmente 2028.”O cenário que ele descreve como mais arriscado é uma espécie de tempestade perfeita: inflação acelerando por conta da guerra no Oriente Médio e da alta de commodities, juros que não caem, desemprego subindo e bancos que, diante disso, reduzem a torneira do crédito. Quando esse freio vem, a inadimplência tende a subir com força. Para ilustrar o raciocínio, Raoni recorreu a uma metáfora: “No ciclo de crédito, você vai ter, eventualmente, em 2027, uma curva bem fechada. Vários carrinhos, que são os bancos, correndo nessa pista. A questão é saber quem vai fazer essa curva sem capotar o carro.”Leia tambémRenda fixa americana pagando mais: é hora de trocar o Tesouro Direto pelos EUA?Com juros dos Estados Unidos perto das máximas desde 2007, analistas alertam contra “ilusão de ótica” e explicam como equilibrar a segurança da moeda forte com a rentabilidade dos títulos brasileirosO crédito para pessoas físicas é o ponto de maior atenção. No segmento corporativo, Raoni avalia que os problemas são mais pontuais do que generalizados. Já nas pequenas e médias empresas, espera-se algum aumento de inadimplência, mas sem proporções transformadoras. Uma novidade que chamou atenção foi o comportamento do consignado privado — linha criada justamente para substituir dívidas caras por mais baratas. “Não tem acontecido. O brasileiro está continuamente aumentando a sua alavancagem”, afirmou.The post Gringo vê risco que o brasileiro ignora no ciclo de crédito, diz gestor da IP Capital appeared first on InfoMoney.

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