Guerra com Irã reduz estoque de mísseis dos EUA e reposição vira desafio

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Os Estados Unidos esgotaram em mais da metade seu estoque pré-guerra de interceptadores de mísseis Patriot durante o conflito com o Irã, segundo análise do think tank Center for Strategic and International Studies. O alerta é que essa redução pode criar desafios de prontidão e dissuasão caso outro grande conflito surja antes que os estoques sejam reconstruídos. Uma firme política de reindustrialização é urgente, diz o centro de estudos.Usando informações públicas sobre gastos com mísseis, taxas de produção e estoques estimados dos Estados Unidos, o think tank sediado em Washington estima que foi gasto cerca de 65% de seu estoque dos Patriot, restando menos de 1.000 interceptadores. Já os estoques dos interceptadores Terminal High Altitude Area Defense (THAAD) dos EUA caíram cerca de 38%, restando entre 234 e 278 interceptadores.Leia também: Tomahawk, Patriot e THAAD: queda no estoque de munições dos EUA preocupaInterceptadores remanescentes no estoque dos EUADataPatriot (estoques)THAAD (estoques)Pré-guerra (27 de fevereiro)2.330452No cessar-fogo (8 de Abril)1.030232-262Presente (até 27 de julho)759-827234-278O centro de estudos alerta que estoques reduzidos podem forçar os Estados Unidos e seus parceiros de coalizão a correr mais riscos com interceptações. E destaca que não existem boas alternativas ao Patriot e ao THAAD para defesa contra mísseis balísticos. Navios da Marinha, com mísseis padrão capazes de interceptar tais ameaças, geralmente estão muito longe.“As munições gastas criam um risco de curto a médio prazo para a prontidão dos EUA em lutar contra a China no Pacífico Ocidental. O pedido de munições da administração Trump de US$ 95 bilhões de dólares no orçamento de defesa do ano fiscal de 2027 e US$ 21 bilhões no suplemento de guerra refletem essa urgência”, diz o CSIS.Em artigo, o especialista Benjamim Jensen argumenta que os baixos estoques de munições e a capacidade industrial restrita alteram o horizonte de tempo que os adversários usam para avaliar a resistência dos EUA e enfraquecem a capacidade, a credibilidade e a comunicação norte-americanas.A capacidade, segundo ele, atua como uma importante variável de dissuasão, tornando o poder de combate dos EUA mais reabastecível, reparável e resiliente ao longo do tempo. “O Departamento de Guerra dos EUA e o Congresso devem alinhar a política industrial, a mobilização e o planejamento de dissuasão para incentivar ainda mais a reindustrialização e a revitalização da base industrial de defesa”, sugere.Ele explica que a dissuasão depende dos chamados “três Cs”: capacidade (“capability”), credibilidade (“credibility”) e comunicação (“communication”). A capacidade diz respeito ao estoque físico e se um Estado possui as capacidades refinadas para negar ganhos ou impor custos. “Na ausência de uma base industrial capaz de sustentar um conflito prolongado, os adversários desconsideram até mesmo as armas mais sofisticadas, pois sabem que podem vencer pelo desgaste.”, detalha.A credibilidade é o comportamento que demonstra determinação e a comunicação é a sinalização de intenções, limites e consequências.Assim, informações sobre estoques baixos, especialmente quando são de conhecimento público, sinalizam que um adversário pode assumir riscos e desafiar os interesses dos EUA.O diagnóstico sobre a fragilidade americana é anterior à Guerra no Oriente Médio. O centro de estudos cita ordens executivas nos governos Trump (o primeiro e o atual) e de Joe Biden que motivaram uma revisão da resiliência da manufatura e da cadeia de suprimentos e pressionaram por aumento da velocidade de aquisição, reforma das vendas de defesa estrangeiras e melhores formas de aprimorar parcerias público-privadas.Leia também: Trump diz que EUA vão licenciar produção de mísseis Patriot à UcrâniaCom essas iniciativas, diz o CSIS, o dinheiro para financiar munições começou a fluir. Um pedido de 2024, por exemplo incluiu cerca de US$ 30,8 bilhões para mísseis e munições, sendo US$ 5,6 bilhões para munições de artilharia, US$ 17,3 bilhões para mísseis táticos, US$ 7,3 bilhões para mísseis estratégicos e US$ 600 milhões para desenvolvimento tecnológico. Isso somado a outro pedido de 2026 representou cerca de US$ 32,3 bilhões.Jensen defende que o investimento público deve concentrar-se em gargalos de subníveis, segundas fontes, pipelines de força de trabalho, ferramentarias, materiais críticos e infraestrutura de testes, em vez de focar apenas nas linhas de montagem dos contratantes principais.Leia também: EUA vão equipar navios com mísseis Patriot; arma jamais havia sido utilizada no mar“Centros regionais de sustentação, coprodução com aliados e vendas militares estrangeiras devem ser avaliados com base no critério de se agregam capacidade de produção e reparo, em vez de meramente alongar filas existentes. Acima de tudo, o Departamento deve medir o sucesso em termos de produção e resistência em tempos de guerra, com vistas à rapidez com que armas podem ser produzidas, sistemas danificados restaurados, choques de suprimento absorvidos e a capacidade industrial aliada mobilizada.”The post Guerra com Irã reduz estoque de mísseis dos EUA e reposição vira desafio appeared first on InfoMoney.

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