HAIA, 3 Mai (Reuters) – A Guiana pediu aos juízes da Corte Internacional de Justiça que determinem que a Venezuela não tem direito legítimo sobre a região potencialmente rica em petróleo ao redor do rio Essequibo, que tem sido objeto de uma disputa entre os vizinhos latino-americanos desde a época colonial.‘Enfrentar os projetos de um vizinho maior e mais poderoso em nosso território não só ameaçou nossa paz e segurança, como também atrasou nosso desenvolvimento’, disse o ministro das Relações Exteriores da Guiana, Hugh Hilton Todd, aos juízes no início das audiências de uma semana na CIJ, também conhecida como Corte Mundial.O que está em questão é um território fronteiriço de 160.000 km² ao redor do rio Essequibo, que é em sua maior parte de selva, e uma área offshore onde foram feitas grandes descobertas de petróleo e gás.Todd disse que a reivindicação ‘ilegal’ da Venezuela se aplica a mais de 70% do território da Guiana.A reivindicação da Venezuela sobre a terra é indiscutível, disse seu ministro das Relações Exteriores, Yvan Gil, à televisão estatal ao sair do tribunal, acrescentando que seu país não reconhece a jurisdição da CIJ sobre a disputa e que uma solução precisará vir por meio de negociações.‘O único caminho, repetimos, é a negociação direta e, mais cedo ou mais tarde, a Guiana será obrigada a sentar-se e negociar conosco’, disse Gil.A Venezuela apresentará sua posição na quarta-feira.Em 2018, a Guiana levou o caso à CIJ — a mais alta corte da Organização das Nações Unidas — que trata de disputas entre Estados, e pediu que confirmasse a fronteira estabelecida em uma arbitragem de 1899 entre a Venezuela e a então colônia Guiana Britânica, segundo a qual o território pertence à Guiana.Em um referendo de 2023, os eleitores venezuelanos rejeitaram a jurisdição da CIJ sobre a disputa territorial com a Guiana e apoiaram a criação de um novo Estado na região de Essequibo, que a Venezuela estabeleceu um ano depois.Após a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa pelas forças dos EUA em janeiro, a Venezuela está sendo administrada por um governo interino.O julgamento final do caso deve ocorrer em alguns meses. Decisões da CIJ são obrigatórias e não cabem recurso, mas o tribunal não tem como aplicá-las por conta própria, dependendo do Conselho de Segurança da ONU.(Reportagem de Stephanie van den Berg em Haia, reportagem adicional de Vivian Sequera em Caracas)The post Guiana pede que Corte Mundial rejeite reivindicação da Venezuela sobre Essequibo appeared first on InfoMoney.
