Hapvida: HAPV3 desaba 20% com 2T marcado por margens pressionadas e judicialização

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A Hapvida (HAPV3) divulgou um resultado considerado fraco por analistas no segundo trimestre de 2026, marcado por compressão de margens, piora da sinistralidade, aumento das despesas ligadas à judicialização e forte consumo de caixa. Embora a companhia tenha apresentado uma nova iniciativa para revisar contratos considerados deficitários, bancos apontam que os potenciais benefícios devem demorar a aparecer e ainda carregam riscos relevantes de execução.Com isso, às 10h17 (horário de Brasília) desta quinta-feira (13), as ações caíam 17,22%, a R$ 7,93; após chegarem a amenizar na primeira hora do pregão, os papéis voltaram a cair mais forte e registravam perdas de 20,35%, a R$ 7,63, por volta das 12h. O Bradesco BBI classificou o trimestre como negativo após a companhia reportar Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) 18% abaixo de suas estimativas. A margem Ebitda recuou 3,9 pontos percentuais na comparação trimestral, para 6,2%, refletindo o aumento da sinistralidade caixa, maiores despesas comerciais e um avanço das provisões para contingências e multas. A geração de caixa também decepcionou, com um impacto negativo de R$ 235 milhões em relação às projeções dos analistas.Na mesma linha, o Morgan Stanley avaliou que os números vieram “materialmente piores” do que o esperado. A receita líquida de R$ 8 bilhões ficou cerca de 1% abaixo das projeções, enquanto o Ebitda ajustado de R$ 504 milhões caiu 28% na comparação anual e ficou entre 16% e 19% abaixo das estimativas do mercado. A margem Ebitda encolheu para 6,3%, recuo de 2,8 pontos percentuais em um ano. Já o lucro líquido ajustado foi de apenas R$ 13 milhões, quase 90% abaixo da expectativa da instituição.Judicialização segue como principal dor de cabeçaO principal fator de preocupação destacado pelos analistas foi a escalada das despesas relacionadas a processos judiciais.Conforme apontou o Morgan Stanley, as provisões cíveis brutas atingiram R$ 324 milhões, alta de 97% em relação ao mesmo período do ano passado e de 29% frente ao trimestre anterior. Paralelamente, as despesas judiciais contabilizadas dentro dos custos assistenciais somaram R$ 135 milhões, avanço de 60% na comparação anual e de 38% na trimestral, atingindo o maior nível da série histórica divulgada pela companhia.Os depósitos judiciais alcançaram R$ 2,1 bilhões, enquanto as provisões chegaram a R$ 1,9 bilhão. Para o banco americano, o agravante é que a judicialização aumentou justamente em um momento em que a utilização dos planos e os custos médicos já pressionavam os resultados operacionais.O Itaú BBA destacou que a tendência de judicialização veio significativamente pior do que o esperado e dificultou ainda mais a avaliação de qual seria o nível normalizado de rentabilidade da companhia. O banco ressaltou que a reaceleração dos depósitos judiciais pode levar o mercado a revisar para baixo suas projeções para a empresa.Sinistralidade piora e adia recuperação de margensO Morgan Stanley destacou que a sinistralidade caixa alcançou 75,2%, avançando 3 pontos percentuais na comparação trimestral e ficando acima das projeções. Segundo a administração, a piora refletiu fatores sazonais e uma maior contabilização de contas médicas da rede credenciada ligadas ao aumento de utilização observado no primeiro trimestre. Ainda assim, os analistas concluíram que as iniciativas de preço e controle de custos não foram suficientes para compensar a pressão assistencial, adiando a esperada recuperação das margens.O Bradesco BBI também citou o aumento da sinistralidade como um dos principais responsáveis pela compressão da margem operacional no período.Já a geração de caixa, que havia dado sinais de melhora no início do ano, voltou a decepcionar.O Morgan Stanley calculou um fluxo de caixa livre praticamente neutro antes dos juros da dívida e negativo em R$ 855 milhões após o pagamento das despesas financeiras. Com isso, a dívida líquida aumentou R$ 236 milhões em relação ao trimestre anterior e a alavancagem subiu de 1,38 vez para 1,61 vez Ebitda.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoO Bradesco BBI afirmou que a geração de caixa foi uma das principais surpresas negativas do balanço, impactada pelo forte crescimento dos novos depósitos judiciais cíveis.Revisão da carteira pode melhorar margens no futuroApesar do resultado fraco, a principal novidade anunciada pela Hapvida foi a revisão de parte relevante de sua base de clientes.A companhia identificou cerca de 947 mil beneficiários, equivalentes a aproximadamente 11% da carteira de saúde, que não atendem aos critérios de rentabilidade e inadimplência definidos pela administração. A estratégia prevê reajustar preços ou até encerrar contratos considerados deficitários.Para o Bradesco BBI, a medida pode acrescentar cerca de 0,9 ponto percentual à margem estrutural da empresa no futuro. O banco vê a iniciativa como positiva para a recuperação da rentabilidade, embora destaque que os efeitos devem aparecer apenas nos próximos trimestres.Morgan Stanley e Itaú BBA também enxergam potencial na medida, mas alertam para os riscos de implementação. Segundo os analistas, uma revisão envolvendo quase 1 milhão de beneficiários pode enfrentar questionamentos judiciais, políticos e regulatórios, especialmente às vésperas das eleições de 2026, prolongando o prazo para captura dos benefícios esperados.Diante desse cenário, a visão predominante entre os bancos continua cautelosa. Embora a revisão da carteira seja vista como um passo importante para recuperar a rentabilidade no longo prazo, os analistas avaliam que a combinação de margens pressionadas, judicialização crescente, queima de caixa e baixa visibilidade operacional segue limitando o potencial das ações no curto prazo.The post Hapvida: HAPV3 desaba 20% com 2T marcado por margens pressionadas e judicialização appeared first on InfoMoney.

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