Ibovespa cai 2,5% e fecha abaixo dos 168 mil com mais sinais de saída de estrangeiros

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O Ibovespa fechou em forte queda nesta terça-feira (11), influenciado principalmente por ações de primeira linha – indicativo de nova saída de capital estrangeiro. Só na semana passada, a saída dos “gringos” foi de R$ 5,55 bilhões. Além da cautela global, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, há temores domésticos, sobretudo com o fiscal a poucos meses da eleição.Após iniciar a sessão estável em 162.180,01 pontos, subiu 0,12%, na máxima aos 172.385,51 pontos, e, em seguida, passou a cair abaixo dos 170 mil pontos. A queda permaneceu por toda a sessão, com o benchmark fechando em forte baixa de 2,5%, a 167.874,64 pontos, uma queda de 4.305,29 pontos. Investidores da B3 iniciaram o pregão desta terça-feira digerindo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em dia de agenda esvaziada no exterior.Após cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano, na semana passada, na ata, o Banco Central reafirmou que a magnitude do ciclo de juros será ajustada “à luz da evolução do cenário”. Segundo o colegiado, choques de oferta têm influenciado a trajetória recente e a prospectiva da inflação.Ainda, o Colegiado reafirmou que o balanço de riscos tem assimetria altista e que a atividade econômica manteve trajetória de moderação como antecipado pelo colegiado. Por enquanto, a avaliação é de um comunicado mais duro, mas que não fecha a porta para novas queda da Selic.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai, acelera perdas e chega aos 168 mil pontosBolsas dos EUA recuam com negociações sobre Ormuz no radarNa avaliação da equipe da Warren Investimentos, foi uma ata com tom mais duro, que reforça a mensagem de que a Selic ainda deverá permanecer em patamar restritivo e que os riscos estão elevados. “É um BC disposto a manter o ritmo lento na calibração, mas sem dar indicação explícita disso”, afirmou em relatório enviado a clientes.Já o IPCA de julho ficou em 0,07%, ante mediana de 0,03%, alcançando alta de 4,44% em 12 meses, também acima do esperado (4,40%). Segundo Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, como a diferença entre o realizado e o projetado pelos analistas foi bem pequena, acredita que o Copom ainda terá um tom mais cauteloso, observando outras diretrizes de fora e outros dados de inflação para os próximos meses.“Não acredito que estes dados do IPCA vão ter impacto nas próximas decisões de juros”, diz Magno, que vê a Selic fechando 2026 em 13,75%, dos atuais 14%.De acordo com João Debom, sócio da Supernova Investimentos, o ideal é entender que as divulgações – ata e IPCA – medem coisas diferentes. “O IPCA de julho fala do presente – e o presente está comportado”, diz. Já a ata indica o futuro. “E é sobre o futuro que o Banco Central segue desconfiado, porque sabe que parte da desaceleração recente tem componente sazonal (alimentos especialmente) e pode não se sustentar quando a economia reagir aos cortes de juros já feitos”, avalia Debom.De acordo com a economista Basiliki Litvac, da XP, o IPCA de julho interrompe a recente sequência de surpresas baixistas, mas a composição segue construtiva. “O desvio altista ficou concentrado em itens voláteis — alimentação no domicílio e higiene pessoal —, enquanto as medidas de núcleo moderaram em termos sequenciais e a difusão recuou ainda mais”, apontou.“A principal fonte de preocupação continua sendo os serviços intensivos em trabalho”, acrescentou, reiterando projeção de 5,1% para o IPCA de 2026. “Quanto à política monetária, esperamos que a Selic permaneça em 14,00% até o fim do ano, embora os dados recentes de atividade e inflação criem um ambiente favorável para que o Copom continue com o ciclo de cortes”, afirmou a economista.A pauta doméstica ainda incluiu pesquisa CNT/MDA mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue à frente na disputa pela presidência da República, com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.. “No final da manhã, a divulgação da pesquisa de intenção de voto, mostrando uma ampliação da vantagem do presidente Lula sobre Flávio Bolsonaro, acabou desencadeando esse movimento”, disse Leonel Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX. “Pela reação dos mercados financeiros, observa-se que uma parcela relevante dos operadores avalia positivamente uma alternância na Presidência, na expectativa de que um eventual próximo governo possa adotar uma política fiscal mais responsável”, afirmou. “Nesse contexto, caso Lula seja reeleito, aumenta a percepção de risco de uma política fiscal mais expansionista e de aceleração do endividamento público interno. Por isso, notícias ou fatos que favoreçam uma perspectiva de reeleição do presidente Lula tendem a elevar a percepção de risco nos mercados, aumentando a exigência por prêmios de risco”.Leia tambémCNT/MDA: Lula tem 42% contra 28% de Flávio Bolsonaro em cenário de primeiro turnoLevantamento ouviu 2.002 eleitores entre 5 e 9 de agosto; distância no primeiro turno fica próxima da registrada em junhoAinda em destaque, o JPMorgan rebaixou as ações do Brasil para neutro dentro da América Latina. Para os estrategistas, o Brasil perde atratividade diante da combinação de crescimento mais fraco, deterioração do crédito, juros elevados por mais tempo e aumento da volatilidade em função das eleições presidenciais de outubro. A projeção para o Ibovespa ao fim do ano, por sua vez, passou de 190 mil pontos para 185 mil pontos.No exterior, o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que mantém o Estreito de Ormuz fechado, gerou instabilidade nas cotações do petróleo. Os futuros ‌do Brent subiram US$1,19, ou 1,4%, fechando a US$88,91 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$1,07, ou 1,3%, fechando a US$83,20.O Estreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto os EUA não mudarem seu comportamento e aceitarem as condições do Irã para encerrar a guerra, afirmou nesta terça-feira o recém-nomeado secretário do Conselho Supremo de ​Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei. Cerca de 20% do abastecimento global de petróleo passava pelo estreito antes do início da guerra com ​o Irã, em 28 de fevereiro.Leia tambémJPMorgan corta Brasil a neutro, “reduz” Ibovespa e aposta em exportadoras; veja açõesO banco reduziu sua projeção para o Ibovespa ao final de 2026 de 190 mil para 185 mil pontos, mas destacou algumas oportunidades em açõesEntre os balanços, o BTG Pactual (BPAC11) teve alta anual de 23% no lucro líquido ajustado, e a Caixa Seguridade, avanço de 9,5%. Já a Natura (NATU3) registrou recuo de 92,1% no lucro líquido. Em Dalian, o minério de ferro subiu 1,26%, mas as ações do setor recuaram. Vale (VALE3) perdeu 2,02%. Petrobras (PETR4) cedeu 1,35%.No exterior, Wall Street fechou em baixa, com a Amazon e a Alphabet registrando quedas, à medida que os investidores se tornaram mais pessimistas em relação a um possível acordo para trazer estabilidade ao Oriente Médio.(com Reuters e Estadão Conteúdo)The post Ibovespa cai 2,5% e fecha abaixo dos 168 mil com mais sinais de saída de estrangeiros appeared first on InfoMoney.

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