O Ibovespa atravessa uma das correções mais intensas de sua história recente desde que registrou a máxima histórica de 199.354 pontos em 14 de abril. De lá para cá, o principal índice da Bolsa brasileira passou a acumular perdas expressivas, perdeu a marca dos 170 mil pontos e completou oito semanas consecutivas de queda — a pior sequência semanal negativa já registrada pelo mercado brasileiro.A realização de lucros após o forte rali de alta observado no primeiro trimestre de 2026 provocou uma mudança significativa no comportamento dos investidores. O fluxo comprador perdeu força, enquanto a pressão vendedora passou a dominar o mercado, levando o índice a devolver parte relevante dos ganhos acumulados ao longo do ano.O movimento de correção atingiu praticamente todo o Ibovespa. Desde o topo histórico, apenas seis ações conseguiram permanecer no campo positivo. O destaque absoluto ficou para a Usiminas (USIM5), que avançou 59,03% no período. Na sequência aparecem Gerdau (GGBR4), com alta de 9,63%, Metalúrgica Gerdau (GOAU4), com ganho de 7,97%, Ambev (ABEV3), com valorização de 1,20%, Brava Energia (BRAV3), que subiu0,52%, e BB Seguridade (BBSE3), com avanço de 0,39%.Por outro lado, a maior parte das ações do índice acumulou perdas relevantes. Entre as maiores baixas desde a máxima histórica do Ibovespa estão Magazine Luiza (MGLU3), com recuo de 42,27%; CSN Mineração (CMIN3), que caiu 37,64%; MRV (MRVE3), com baixa de32,49%; Vamos (VAMO3), com perda de 30,64%; Marfrig (MRFG3), que recuou 28,99%; Cogna (COGN3), com queda de28,05%; e Cyrela (CYRE3), que acumulou desvalorização de28,04%.A intensidade da correção também chama atenção pelo número de empresas fortemente afetadas. Ao todo, 25 ações do Ibovespa registram perdas superiores a 20% desde o topo histórico de abril, evidenciando que o movimento vendedor foi disseminado por diversos setores da economia e não ficou restrito a casos isolados.Confira a lista completa no final deste post.O que esperar do Ibovespa?O desafio do mercado agora é recuperar o fluxo comprador e recolocar o Ibovespa na direção dos 200 mil pontos. Uma retomada consistente dessa região poderia abrir espaço para novas máximas históricas.Enquanto isso não acontece, o cenário segue mais cauteloso, com maior volatilidade e oscilações intensas no curto prazo. Em uma leitura mais negativa, a continuidade da pressão vendedora pode levar o índice a testar as regiões de 160 mil e até 150 mil pontos ao longo das próximas semanas.No gráfico semanal, o Índice de Força Relativa – IFR (14) está em 43,61 pontos, em faixa neutra, refletindo a perda de força compradora após o forte rali de alta registrado nos primeiros meses do ano.Do topo à correção: o que aconteceu após o recordeEntre a máxima histórica registrada em 14 de abril e o fechamento de 8 de junho, o Ibovespa passou por uma forte correção e já acumula queda superior a 15% em relação ao topo de 199.354 pontos. O movimento devolveu parte relevante dos ganhos conquistados durante o forte rali do primeiro trimestre, embora o índice ainda sustente valorização de 4,68% em 2026.A realização de lucros foi ampla e atingiu a maior parte dos setores da Bolsa. Segmentos mais ligados à economia doméstica, como varejo, construção civil e educação, estiveram entre os mais penalizados no período, refletindo a redução do apetite por risco e a migração dos investidores para ativos considerados mais defensivos.Por outro lado, empresas dos setores de siderurgia, mineração e energia mostraram maior resistência durante a correção. O destaque ficou para a Usiminas (USIM5), que avançou mais de 59% desde a formação do topo histórico do índice, enquanto Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) também figuram entre os poucos papéis que conseguiram acumular ganhos no período.O contraste entre os setores evidencia uma mudança importante na dinâmica do mercado. Enquanto ações cíclicas e mais dependentes da atividade doméstica lideraram as perdas, companhias ligadas a commodities e à indústria pesada conseguiram atravessar o período de turbulência com desempenho significativamente superior ao restante da Bolsa.Análise técnica IbovespaPelo gráfico semanal, o Ibovespa segue em movimento corretivo desde a máxima histórica de 199.354 pontos registrada em abril. O índice acumula mais de 15% de queda desde o topo, perdeu a região dos 170 mil pontos e completou oito semanas consecutivas de baixa, sequência inédita em sua história.A pressão vendedora permanece predominante, com o índice negociando abaixo das médias móveis de 9 e 21 semanas, atualmente em 176.760 e 182.480 pontos, respectivamente. Para que o mercado volte a mostrar sinais mais consistentes de recuperação, será importante retomar essas regiões e, posteriormente, buscar a resistência em 190.726 pontos.Do lado da baixa, o primeiro suporte relevante está em 164.780 pontos. A perda dessa faixa pode abrir espaço para movimentos em direção aos 153.570 pontos e, em um cenário mais negativo, à região dos 140.230 pontos. A média móvel de 200 semanas, em b, segue como importante suporte de longo prazo.O IFR (14) está em 43,61 pontos, em território neutro, indicando perda de força compradora, mas ainda sem sinalizar condição de sobrevenda no gráfico semanal.Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo PazMaior baixa após rali: Magazine Luiza (MGLU3)Pelo gráfico semanal, as ações da Magazine Luiza (MGLU3) seguem em tendência de baixa e renovaram as mínimas da ampla faixa de consolidação que predominava desde o segundo semestre de 2025. O papel acumula forte desvalorização desde o topo histórico do Ibovespa e continua negociando abaixo das médias móveis de 9 e 21 semanas, reforçando o controle dos vendedores.No curto e médio prazo, a perda da região dos R$ 5,35 aumentou a pressão baixista e mantém o ativo próximo de um suporte importante em R$ 5,23. Caso essa faixa seja rompida, o movimento pode ganhar continuidade em direção aos R$ 4,81, R$ 4,00 e R$ 3,67.Para interromper o fluxo negativo, será necessário retomar inicialmente a região de R$ 6,71. Acima desse nível, as próximas resistências estão em R$ 7,85, R$ 9,66 e R$ 11,44.O IFR (14) está em 28,42 pontos, já em região de sobrevenda, indicando que o papel pode até apresentar repiques técnicos no curto prazo, mas ainda sem sinais consistentes de reversão da tendência principal.Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo PazMaior alta após rali: Usiminas (USIM5)Pelo gráfico semanal, as ações da Usiminas (USIM5) seguem como um dos principais destaques de alta do Ibovespa desde a máxima histórica do índice. O papel rompeu importantes resistências ao longo das últimas semanas, acelerou o movimento comprador e renovou máximas que não eram vistas desde 2023.A tendência permanece positiva, com o ativo negociando acima das médias móveis de 9, 21 e 200 semanas, configuração que reforça a força do movimento atual. No curto prazo, a região de R$ 12,18 é a primeira resistência relevante. Acima dela, os próximos objetivos ficam em R$ 12,86, R$ 14,15 e R$ 15,42.Por outro lado, após a forte valorização recente, não estão descartados movimentos de realização. Os principais suportes estão em R$ 10,72 e R$ 9,75. A perda dessas faixas pode abrir espaço para correções mais amplas em direção aos R$ 8,64, R$ 7,15 e R$ 6,08.O IFR (14) está em 86,29 pontos, em região de sobrecompra, sinalizando um movimento bastante esticado no curto prazo e que pode favorecer ajustes ou consolidações antes de novas tentativas de alta.Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo PazFonte: Economática; período de 14/04 e 14/05(Rodrigo Paz é analista técnico)Guias de análise técnica:O que é uma linha de tendência na análise gráfica?O que são médias móveis e como usá-la para estratégia de TradeBandas de Bollinger: como usar e interpretar?Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Ibovespa cai mais de 15% após topo histórico; só 6 ações escapam da correção appeared first on InfoMoney.
