Ibovespa cai pela 8ª vez seguida, algo ocorrido só 7 vezes desde 2000; veja por quê

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Após esboçar uma reação durante a manhã em meio aos dados de inflação dos EUA, o Ibovespa voltou a perder forças nesta quinta-feira (13) em ⁠pregão marcado pela repercussão de nova bateria de resultados corporativos e com o mercado de olho já nas eleições. O principal índice da B3 encerrou em queda de 0,23%, aos 167.100 95 pontos, afastando-se da mínima do dia (166.196,92 pontos, -0 77%), mas também longe dos 168.515,49 pontos da máxima. Sabesp (SBSP3) estava entre ⁠as maiores pressões negativas após divulgar na véspera o balanço do segundo trimestre, assim como Banco ‌do Brasil (BBAS3), que mostrou inadimplência ainda pressionada, enquanto Rede D’Or (RDOR3) era um contrapeso positivo com a repercussão positiva do resultado.Com isso, o índice encerrou o pregão desta quinta em queda de 6,12% acumulada nos últimos oito pregões, aos 167.100,95 pontos, completando uma sequência de oito sessões de baixa.Segundo levantamento da Elos Ayta, desde janeiro de 2000, movimentos dessa natureza foram registrados em apenas sete ocasiões, incluindo a atual. A última vez que o principal índice da Bolsa brasileira havia registrado oito quedas consecutivas foi em 10 de agosto de 2023, quando a sequência acumulou uma queda de 2,95%. Nas demais ocorrências, as perdas acumuladas ao longo dos oito pregões foram significativamente maiores: 11,87% em 2000, 17,20% em 2001, 11,73% em 2012, 9,47% em 2015 e 9,19% em 2022.“O movimento atual, portanto, chama atenção não apenas pela duração da sequência, mas também pela intensidade da correção. Apesar de a queda acumulada de 6,12% ainda estar abaixo das maiores sequências observadas desde 2000, o Ibovespa passa a integrar um grupo bastante restrito de períodos em que o mercado registrou oito pregões consecutivos de baixa”, destacou a Elos Ayta. Mais cedo, os dados de inflação chegaram a animar o mercado brasileiro. Segundo Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, a leitura mais comportada do CPI (inflação ao consumidor), divulgado ontem, e do PPI, informado hoje, nos Estados Unidos, reforça a percepção de que o Federal Reserve (Fed) pode manter os juros no nível atual – entre 3,5% e 3,75% – nas próximas reuniões, reduzindo a probabilidade de aperto já em setembro.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com pressão de BBAS3, HAPV3 e VALE3Bolsas dos EUA operam mistas após dados de inflação mais animadoresPara Oliveira, esse cenário ajuda a melhorar o ambiente para emergentes e pode dar mais conforto para o Copom seguir no ciclo de cortes da Selic, desde que o quadro doméstico continue permitindo. “Talvez só tenha alta de juros em dezembro nos Estados Unidos”, diz.Mesmo com essa percepção, o índice teve dificuldade em manter-se no campo positivo com os balanços e também em meio ao recuo do petróleo, em meio ao impasse no Oriente Médio, estoques mais elevados da commodity e menor demanda.Além disso, analistas destacam o mercado passando a precificar mais o cenário eleitoral. “O mercado está cada vez mais preocupado com o fiscal, com o discurso dos candidatos a presidente da Republica. Está na dúvida se realmente haverá um novo desenho fiscal para o Brasil”, afirma o sócio da Blue3, ao referir-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, ao seu opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).Também para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o que o mercado quer é sinais de recuperação do arcabouço fiscal. “Isso seria um trigger para o Ibovespa, mas não deve sinalizar isso agora, pois não é um tema popular, estamos próximos da eleição”, diz.Leia tambémMercado vê Lula favorito e reduz ainda mais alocações em Brasil antes das eleiçõesPrevalece entre as gestoras locais a leitura de favoritismo do atual presidente; a Mar Asset destoa e projeta derrota no segundo turnoAlém da retirada de recursos pelos estrangeiros, a temporada de balanços do segundo trimestre, que chega perto do fim, também desanima o mercado. “Olhando para os bancos, não nos anima muito”, afirma Guto Leite, gestor de renda variável da Franklin Templeton. “A visão que fica das teleconferências e das interações com as companhias para o restante do ano é que o discurso não está muito animador.”Entre as grandes ações da bolsa, o destaque de queda ficou com os bancos, em especial o BBAS3, em queda firme desde o começo da tarde em resposta a comentários feitos durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre.Na ocasião, o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do BB, Geovanne Tobias, afirmou que as provisões deverão ficar na ponta alta das estimativas do banco, enquanto o lucro deve ficar na ponta baixa.O resultado do BB acontece em um contexto em que as instituições financeiras também vêm enfrentando desafios em relação à inadimplência, fruto dos juros elevados no Brasil. O desempenho financeiro das companhias de outros setores também vem sendo prejudicado.No diagnóstico do comportamento dos estrangeiros, o interesse tem sido em setores em que o Brasil está pouco presente.“O motivo para este comportamento está associado à existência de interesse em opções de IA inteligência artificial em outras praças, como Coreia do Sul, Japão e até nos EUA, vide o comportamento do Nasdaq”, afirma o analista de investimentos Pedro Galdi.Na pauta macro local, as vendas no varejo cresceram acima do esperado em junho, de acordo com o IBGE, com alta de 0,45% em relação a maio e de 2,9% ante o mesmo período de 2025.Apesar dos resultados, os dados reforçaram apostas de nova queda de 0,25 ponto porcentual na Selic no Comitê de Política Monetária (Copom), para 13,75%, diante do entendimento de que há um processo de desaceleração da atividade, mesmo que gradual.DESTAQUES DE AÇÕES:• SABESP ON (SBSP3) recuou 7,04%, após reportar lucro líquido de R$1,46 ⁠bilhão no segundo trimestre, resultado 31,4% abaixo do obtido um ano antes, mas praticamente dentro do esperado pelo mercado, em meio à corrida da companhia para concluir investimentos bilionários para atender metas de universalização de serviços no Estado de São Paulo até 2029.• BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) caiu 4,16%, mesmo com lucro acima do esperado no segundo trimestre, que mostrou uma inadimplência ainda pressionada, principalmente nos segmentos agro ​e pessoa física. O BB reiterou suas previsões para o ano e afirmou que espera uma melhora relevante nas provisões do agronegócio apoiada principalmente pelo programa de reestruturação de dívidas do setor rural lançado pelo ​governo federal no mês passado.• REDE D’OR ON (RDOR3) valorizou 6,31%, na esteira do balanço do segundo trimestre, com lucro líquido ajustado de R$1,3 bilhão no segundo trimestre de 2026, valor 8,5% superior ao visto no mesmo período do ano anterior.• HAPVIDA ON (HAPV3) desabou 33,09%, em meio ao tombo de 95,8% no lucro do segundo trimestre ante igual intervalo de 2025, para R$12,5 milhões, em resultado marcado também por aumento do endividamento.• MINERVA ON ‌(BEEF3) caiu 7,60%, após o balanço do segundo trimestre da maior exportadora de ​carne bovina da América do Sul mostrar lucro líquido de R$197 milhões, queda de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior.• CSN ON (CSNA3) subiu 5,56%, em meio à análise do prejuízo líquido de R$773,1 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$130,4 milhões ⁠registrado no mesmo período do ano passado. CSN ​MINERAÇÃO ON (CMIN3), que também divulgou ​balanço, recuou 5,18%.• AZZAS 2154 ON (AZZA3) perdeu 3,90%, após mostrar queda de 62,5% no lucro do segundo trimestre, para R$107 milhões. A receita ⁠líquida recorrente caiu 8,2%.• MRV&CO ON (MRVE3) avançou 14,29%,tendo no ​radar lucro líquido ajustado de R$73,8 milhões no segundo trimestre, quando excluídos impairments dos ativos da Resia e outros ajustes. A companhia afirmou que as transações de venda de ativos já anunciadas devem reduzir a dívida líquida consolidada para cerca de R$4,6 ​bilhões, em comparação com a dívida de R$5,9 bilhões registrada no segundo trimestre.• COGNA ON (COGN3) subiu 7,88%, na esteira dolucro líquido ajustado de R$210,2 milhões no segundo trimestre, alta de ​18% em relação ao mesmo período ⁠do ano anterior, com expansão de dois dígitos na receita consolidada, com destaque para o desempenho da operação de educação básica.• RUMO ON (RAIL3) registrou ⁠elevação de 4,55%, após divulgar lucro líquido ajustado de R$688 milhões para o segundo trimestre, resultado 5,8% abaixo do obtido um ano antes, mas acima do esperado pelo mercado.• ULTRAPAR ON (UGPA3) ganhou 5,08%, em meio à alta de 46% no lucro líquido do segundo trimestre, para R$1,7 bilhão, ainda impulsionada pelos efeitos de recuperação do mercado de combustíveis após o lançamento de operações contra o comércio ilegal a partir do segundo semestre do ano passado.(com Reuters e Estadão Conteúdo)The post Ibovespa cai pela 8ª vez seguida, algo ocorrido só 7 vezes desde 2000; veja por quê appeared first on InfoMoney.

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