Ibovespa em queda: veja 4 motivos que explicam movimento (e o que esperar)

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O Ibovespa opera em queda desde a abertura da sessão nesta terça-feira (19). O índice perde 0,66%, aos 175.800,00 pontos. O índice já teve 6 quedas nas últimas 8 sessões, a maior delas no dia 7 de maio, quando o Ibov perdeu 2,4%, seguida pelo pregão do dia 13, com recuo de 1,80%.Dois dos motivos que fizeram o índice recuar nessas sessões ainda assombram o Ibovespa nesta terça e devem seguir nos olhares de investidores: no campo internacional, a repercussão do conflito e um eventual entre Irã e EUA, em especial com a queda do petróleo; e na esfera doméstica, as expectativas sobre a eleição presencial.Leia tambémDólar hoje sobe forte após tombo na véspera sob influência do exteriorInvestidores monitoram o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio e o cenário político brasileiroIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta manter os 175 mil pontosBolsas dos EUA recuam com queda das ações de chips e persistência dos temores de inflaçãoNa quinta-feira (7), o índice perdeu força com a queda do petróleo no mercado internacional, em meio a expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã, também reverberou na B3, minando as ações da Petrobras (PETR4, PETR3) e de outras petrolíferas.Já na quarta-feira (13), o índice fechou com menos 1,80% após uma tarde movimentada em que renovou mínimas constantemente e perdeu a marca dos 178 mil pontos, em meio à informação de que o senador e candidato à Presidência da República, Flavio Bolsonaro (PL-RJ), pediria dinheiro – conforme reportagens do Intercept Brasil e de Malu Gaspar (O Globo) -, para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para pagar despesas com o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.Já na sessão desta terça, seguem os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã. Uma declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, indicando que pode adiar um ataque ao Irã voltou a alimentar a leitura de que pode haver espaço para um acordo e redução das tensões, mas o mercado olha esse cenário com ceticismo.Apesar do impacto positivo que a alta do petróleo traz para os papéis do setor, a perspectiva de inflação mais alta e repercussão na política monetária global também afugentam investidores do Ibovespa. Veja principais motivos que explicam recuo do índice nesta sessão e nos últimos pregões: 1- PetróleoDiante da perspectiva de um acordo entre EUA e Irã, o petróleo recua, mas o Brent é ainda negociado em US$ 100 por barril, reforçando temores inflacionários e com a política monetária global. Há relatos de que o Irã avalia reabrir o Estreito de Ormuz, mas sem permissão para a passagem de navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra.Conforme Antonio Madeira, economista da 4Itelligence, enquanto o Estreito não for completamente aberto, os mercados ficarão na defensiva, com melhoras pontuais a depender do noticiário sobre a guerra no Oriente Médio. “O quadro no exterior é indefinido. O petróleo neste nível pressiona a inflação, o que acaba resultando em um movimento natural nos juros, que avançam. Ou seja, a oferta de petróleo segue comprometida”, diz. Mesmo com a queda, a influência macroeconômica segue sendo ruim pelo conflito e a falta de resolução, segundo Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain. 2- Treasuries YieldsA preocupação com aumento de inflação ao redor do mundo existe desde o começo do conflito entre Irã e EUA, antes mesmo de o fechamento do Estreito ser sequer considerado como algo factível. Agora, após semanas de tentativas de acordo entre os países, a realidade de petróleo mais elevado por mais tempo já é precificada entre investidores, que refazem posições neste sentido. Na sessão da segunda-feira, o rendimento do Treasury de 10 anos subiu para seu nível mais alto em mais de um ano. Nesta terça, rendimento do título continuou a subir, atingindo seu nível mais alto desde janeiro de 2025, em 4,663%.“Um efeito dessa expectativa de inflação mais elevada leva a avanço nos juros das Treasuries americanas, o que atrai capital para os Estados Unidos e drena a liquidez de mercados emergentes”, afirma Paula Zogbi, estrategista da Nomad. Nessa dinâmica, o Ibovespa deixa de ser a escolha de estrangeiros, como tem sido nos últimos meses. Sem esse fluxo, o recuo do índice se aprofunda. Paula também destaca que investidores aguardam, ainda hoje, discursos de dirigentes do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE) em postura de espera. Os operadores estão precificando uma chance de 36,7% de que o Federal Reserve aumente as taxas de juros em 25 pontos-base até o final do ano, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME, após as leituras de inflação da semana passada, mais fortes do que o esperado.3- Influência do mercado nos EUAO índice brasileiro também acompanha a movimentação, nesta terça, dos principais índices de Wall Street, que recuam pressionados pelas ações de consumo discricionário e por novas preocupações com a inflação. O efeito também é realização da alta do rendimento do Treasury de 10 anos, em seu nível mais alto em mais de um ano.O rali das ações já havia perdido força desde sexta-feira, depois que teve início a liquidação nos mercados de títulos globais. O movimento evocou temores de que os bancos centrais apertem a política monetária, com o conflito no Oriente Médio empurrando os preços do petróleo para cima e alimentando preocupações com a inflação.Já a sessão de ontem, também de queda do Nasdaq e do S&P 500, foi marcada por desânimo com o setor de tecnologia. O Nasdaq, que teve alta de cerca de 28% desde 30 de março, se sustentava e parecia ignorar ameaças inflacionárias com entusiasmo com inteligência artificial e os sólidos lucros do setor de tecnologia na temporada de resultados. O efeito, pelo menos na 2ª, pareceu ter passado. O setor de tecnologia da informação  caiu 0,97% e liderou as quedas entre os 11 principais setores industriais do S&P 500, com as ações de chips entre as maiores perdas. O Philadelphia SE Semiconductor Index terminou em queda de 3,3%. O setor de energia foi o que mais ganhou, com um acréscimo de 1,8%.“Há preocupação com o rally que tivemos em um curto período de tempo e há alguma realização de lucros”, disse Tim Ghriskey, estrategista sênior de portfólio da Ingalls & Snyder, em Nova York.4- Política no BrasilNo Brasil, o noticiário político fica no foco, após a divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg, que já reflete o efeito do “Flávio Day 2.0”, em dia de agenda esvaziada de indicadores no Brasil e no exterior.No âmbito político, investidores digerem a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada hoje. As intenções de voto do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caíram 5,4 pontos porcentuais no primeiro turno e 6 pontos em um eventual segundo turno depois do áudio em que ele pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro vir à tona.Com isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a liderar a disputa contra Flávio no segundo turno e ampliou a vantagem no primeiro. “Flávio ainda é a opção da oposição”, diz Madeira.The post Ibovespa em queda: veja 4 motivos que explicam movimento (e o que esperar) appeared first on InfoMoney.

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