Imprensa argentina vê crise com Brasil, mas avalia que comércio deve conter escalada

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A resposta do governo brasileiro às declarações do presidente argentino Javier Milei repercutiu com destaque na imprensa da Argentina, que classificou o episódio como uma das mais graves crises diplomáticas entre os dois países nas últimas décadas.Apesar do tom das análises, os principais jornais argentinos convergem que o peso da relação econômica torna improvável um rompimento entre Brasília e Buenos Aires.A crise ganhou força após Milei participar, no sábado (25), da convenção do PL em São Paulo que lançou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No evento, o presidente argentino chamou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “corrupto”, “ladrão” e “presidiário”, além de atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e definir Jair Bolsonaro (PL) como seu “melhor amigo”.A reação brasileira foi imediata. O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos, enquanto o chanceler Mauro Vieira chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. Na diplomacia, esse tipo de medida costuma sinalizar elevado grau de insatisfação entre os governos.Leia tambémMilei na convenção do PL é mais negativo do que positivo para Flávio, diz pesquisaAndrei Roman aponta alta rejeição do presidente argentino e classifica como inédito o ataque de um líder estrangeiro a Lula e Moraes em solo nacionalOs principais veículos argentinos deram amplo espaço ao episódio e destacaram a dimensão política do conflito.O La Nación informou que Mauro Vieira transmitiu formalmente o “desagrado” do governo brasileiro ao embaixador argentino e cobrou explicações sobre as declarações de Milei. O jornal também repercutiu a resposta de Lula, que reagiu aos ataques perguntando a jornalistas: “Quem é esse cara?”.O Página 12 afirmou que integrantes do entorno de Milei consideram “muito difícil” a possibilidade de um pedido de desculpas. Segundo o jornal, a viagem a São Paulo reforçou o alinhamento do presidente argentino com Flávio Bolsonaro e com a política externa dos Estados Unidos.Já o Clarín classificou a visita de Milei ao Brasil como um episódio de forte impacto diplomático e destacou que a crise ocorre em um momento de intensa aproximação do presidente argentino com setores da direita brasileira.Fator de contençãoApesar da escalada retórica, os jornais argentinos destacam que os interesses econômicos funcionam como um freio para uma deterioração maior das relações bilaterais.Em reportagem dedicada ao tema, o Clarín lembrou que Brasil e Argentina movimentaram mais de US$ 31 bilhões em comércio em 2025. A publicação ouviu empresários que descartam impactos imediatos, mas demonstram preocupação caso a tensão política se prolongue.O jornal cita especialmente a indústria automobilística, um dos pilares da integração econômica entre os dois países e beneficiária do acordo de livre comércio do setor, válido até 2029.The post Imprensa argentina vê crise com Brasil, mas avalia que comércio deve conter escalada appeared first on InfoMoney.

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