A abertura do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço do governo norte-americano sobre produtos brasileiros está sendo lamentada por setores exportadores da indústria. A percepção é de que a medida atende mais ao propósito do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de fortalecer o discurso de soberania nacional, visando à reeleição em outubro, do que aos interesses das empresas que tiveram embarques ao mercado americano atingidos por sobretaxas comerciais.Líderes de entidades industriais consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço.Também apontam que os efeitos práticos da iniciativa dificilmente ocorrerão em menos de três meses, devido às etapas do processo – aprovação de relatório, consulta pública e deliberações finais – até a eventual aplicação de contramedidas.Por isso, nos bastidores, exportadores avaliam que a abertura do processo decorreu mais de cálculos políticos do que econômicos. “Estamos em ano eleitoral, e a reciprocidade vem ao encontro do discurso de soberania. Pode ser usada nesse aspecto”, comentou, em off, um dirigente da indústria.Leia tambémCom possibilidade de vitória de Lula, mercado incorpora prêmio eleitoral no realAnalistas indicam que quanto mais as pesquisas consolidarem uma vantagem de Lula, maior tende a ser a volatilidadeLula evita ‘cascas de banana’, mas ajustes econômicos devem vir ainda em 2026Entre as quatro grandes frentes de atuação para as quais o governo pretende olhar, ainda há apenas ideias sobre possíveis ajustes pós-campanha na fórmula que atualmente atualiza o salário mínimoO presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, concorda que a medida pode ter sido influenciada pelas eleições. Segundo ele, a decisão do governo tende a gerar mais transtorno do que benefício nas negociações com os Estados Unidos.“Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos. Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista”, comenta Castro.The post Indústria vê interesse eleitoral em reação de Lula ao tarifaço de Trump appeared first on InfoMoney.
