A Zeom, uma fintech fundada por brasileiros e sediada em Londres, decidiu medir uma inflação que os índices tradicionais não conseguem enxergar direito: a das famílias de alta renda no Brasil.A empresa passa a divulgar mensalmente dois novos indicadores construídos com apoio de inteligência artificial: o Índice de Alto Padrão, que acompanha exclusivamente bens e serviços característicos desse público, e o Índice de Custo de Vida, que incorpora também despesas mais amplas, como energia, combustíveis e telefonia. Ambos focados nas famílias com renda mensal entre R$ 30 mil e R$ 100 mil. Na primeira leitura, compartilhada com a equipe do InfoMoney, os números sugerem uma dinâmica de preços bastante diferente da registrada pelos índices oficiais.Nos últimos 12 meses, o Índice Zeom de Alto Padrão acumulou alta de 8,1%, contra 4,6% do IPCA no mesmo período. Já o Índice Zeom de Custo de Vida avançou 6,3%. Na prática, isso indica que famílias de alta renda vêm enfrentando uma pressão inflacionária superior à média da economia.Segundo a companhia, a diferença não está apenas na composição da cesta de consumo, mas principalmente nos preços efetivamente pagos por esse grupo. “Nosso ponto de partida era entender se bastava alterar a composição da cesta de consumo para explicar a diferença em relação ao IPCA,” disse Rafael Pereira, cofundador da Zeom. “Quando aplicamos os pesos das famílias de maior renda às séries oficiais, percebemos que a diferença era pequena. A principal descoberta do estudo está nos preços efetivamente pagos por esse público.”Foi a partir dessa constatação que a empresa desenvolveu uma infraestrutura proprietária para reconstruir a evolução do custo de vida da alta renda desde janeiro de 2018.Leia tambémCaipirinha ‘salgada’ e outros golpes: os crimes que assustam turistas no RioCobranças abusivas, maquininhas adulteradas, extorsões e furtos colocam moradores e visitantes em alerta na orla carioca; fiscalização foi reforçada após sequência de casosGoverno vai liberar R$ 13,2 bi em lucros do FGTS aos trabalhadores: veja quem recebeValor está previsto para cair nas contas vinculadas em agostoMetodologiaA metodologia combina pesos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE) com informações obtidas em bases públicas e auditáveis — entre elas IBGE, ANS, Fipe e FipeZap — além de séries históricas monitoradas continuamente por inteligência artificial. A plataforma, segundo a Zeom, acompanha milhares de preços públicos, valida automaticamente as informações e preserva a comparabilidade dos produtos ao longo do tempo.O histórico reforça que o descolamento em relação ao IPCA não é pontual.Desde janeiro de 2018, o Índice Zeom de Alto Padrão acumula alta de 83,5%, enquanto o IPCA avançou 55,2%. Em termos práticos, uma família que precisava de R$ 100 mil por mês para manter seu padrão de vida em 2018 precisaria hoje de cerca de R$ 183,5 mil para consumir o mesmo conjunto de bens e serviços. Pela inflação oficial, esse valor estaria em aproximadamente R$ 155,2 mil — uma diferença próxima de R$ 28 mil por mês.O estudo também acompanha o comportamento do chamado público de Alta Renda, definido como o 1% mais rico do país, com rendimento superior a R$ 60 mil mensais. Segundo a Zeom, os resultados mostram que a pressão de preços é semelhante dentro das diferentes faixas desse universo, ainda que as cestas de consumo não sejam idênticas.Entre os itens que mais pressionaram o custo de vida desde 2018 estão os planos de saúde de alto padrão, com alta acumulada de 145,5%; os restaurantes, com avanço de 92,4%; os aluguéis residenciais em São Paulo, que subiram 80,5%; e o preço nominal do iPhone de entrada, que dobrou no período.Em comum, diz a empresa, esses mercados têm dinâmica própria de formação de preços e peso relevante no orçamento das famílias mais ricas — o que ajuda a explicar por que os índices gerais acabam subestimando a inflação sentida por esse grupo.A Zeom afirma que o objetivo não é substituir os indicadores oficiais, mas adicionar uma nova camada de leitura sobre o custo de vida no País.Os relatórios do Zeom Research serão publicados sempre após a divulgação do IPCA pelo IBGE e trarão, além dos dois índices, análises por categoria, comparações entre perfis de renda e séries históricas.“O IPCA continua sendo a principal referência para medir a inflação da economia brasileira,” disse Rafael. “O que mostramos é que diferentes perfis de renda convivem com dinâmicas próprias de formação de preços”, finaliza. The post Inflação da alta renda roda acima do IPCA, diz índice inédito da Zeom appeared first on InfoMoney.
