Inflação, eleições e longevidade redefinem os desafios do investidor moderno

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A vida do investidor moderno já deixou, há algum tempo, de se resumir à escolha de ações, títulos de renda fixa ou fundos de investimento. A construção e a administração do patrimônio passaram a envolver decisões que vão além da alocação de recursos, exigindo muito mais do planejamento financeiro.Hoje, a gestão financeira cobra atenção a temas como planejamento sucessório, eficiência tributária, proteção contra a inflação, diversificação internacional e definição de estratégias capazes de acompanhar as constantes mudanças no cenário econômico, cada vez mais complexo.Diante dessa diversidade de fatores, os próprios profissionais — assessores e consultores de investimentos — têm adotado uma atuação que vai além daquela focada apenas em produtos financeiros. O trabalho agora, segundo eles, tem um olhar mais amplo, uma espécie de visão 360 graus.Leia também: A assessora que encontrou na corrida de montanha um diferencial para a carreira“O trabalho que a gente faz é olhar a vida toda do cliente, ver o planejamento tributário, sucessório e financeiro e ajudá-lo a atingir os objetivos”, explica Ana Paula Milanez, da Guelt Investimentos. “O investidor precisa se sentir cuidado e respeitado”, complementa a especialista, reforçando a importância de olhar para cada um dos desafios do investidor moderno. Veja alguns deles:Planejamento para a longevidadePlanejamento e proteção patrimonialDiversidade de produtos e serviços financeirosMudanças macroeconômicasO velho fantasma da inflaçãoPeríodo eleitoralPlanejamento para a longevidadeAna Paula Milanez, sócia e assessora de investimentos da Guelt Investimentos, e Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, durante painel no Onde Investir 2025 (Foto: InfoMoney)A expectativa de vida da população brasileira voltou a crescer, de acordo com dados do IBGE. Segundo as informações mais recentes das Tábuas de Mortalidade do instituto, um brasileiro poderia esperar viver até os 76,6 anos em 2024, dado que representou um aumento de 2,5 meses em relação a 2023.“Hoje fazemos planejamento financeiro para as pessoas viverem até os 90 anos e/ou se prepararem para parar de trabalhar aos 60”, detalha Ana Paula. “De acordo com o objetivo de cada um, seja uma viagem ou qualquer outro projeto, você faz um planejamento diferente”, reforça.Leia também: Quem paga pelos cuidados na velhice? Veja o gasto que não pode faltar no planejamentoPlanejamento e proteção patrimonialO planejamento e a proteção patrimonial vão além da escolha de ativos, lembra Tatiana Guedes, gerente de relacionamento institucional da InvestSmart. Segundo ela, essas frentes envolvem pontos como sucessão patrimonial, previdência privada, constituição de holdings e até seguros.“Para proteger o patrimônio que o cliente construiu ao longo da vida”, defende a executiva, especialista na área de previdência. “Outro ponto é a necessidade do planejamento patrimonial, tanto na sucessão quanto na previdência e na montagem de holdings”, confirma.Leia também: 97% dos brasileiros não têm reserva financeira suficiente e o mercado está olhando para o lado erradoDiversidade de produtos e serviços financeirosA diversificação de investimentos no mercado é grande, assim como a oferta de produtos e serviços financeiros. Para a maioria dos brasileiros, seria praticamente inviável acompanhar e entender as melhores oportunidades. Para quem não tem tempo — e, principalmente, conhecimento suficiente —, Tatiana defende o auxílio de um profissional de investimentos.“O brasileiro, de forma geral, não estudou educação financeira, e esse é um tema que, de fato, é bastante complexo”, contextualiza. “O assessor ajuda muito na montagem do portfólio, diante da quantidade de produtos financeiros e de investimentos que existem no mercado”, completa.Leia também: Risco vai além da volatilidade: carteira pode falhar em financiar objetivosMudanças macroeconômicas“Não necessariamente o que é bom para o investidor hoje será bom para ele daqui a seis meses”, continua Tatiana, destacando o desafio de acompanhar um cenário macroeconômico que muda cada vez mais rapidamente.Impulsionados por guerras, disputas comerciais e outras tensões geopolíticas, bolsas, moedas e indicadores econômicos mudam de direção rapidamente, aumentando os riscos para o investidor.“O grande desafio hoje é convencer o cliente de que existe vida além do CDI”, observa Ana Paula, da Guelt. “Convencer de que ele precisa de uma carteira mais diversificada, com participação em várias classes de ativos, não só como proteção, mas também como oportunidade”, aconselha.Leia também: “Existe vida além do CDI”, aponta a Guelt, assessoria referência em alocaçãoO velho fantasma da inflaçãoWagner Vieira, sócio-fundador e CEO da Blue3 (Foto: divulgação)Entre os desafios do investidor moderno também está uma velha conhecida do brasileiro: a inflação, chama a atenção Wagner Vieira, sócio-fundador e CEO da Blue3 Investimentos. Para ele, o aumento dos preços jamais pode sair do radar do investidor.“Como é que eu faço para não perder o meu poder de compra?”, questiona o executivo. “Acho que essa é a pergunta que o brasileiro tem que fazer”, pontua.Leia também: Percepção da inflação dispara e amplia desafio de Lula na reeleição, mostra PoderDataPeríodo eleitoralA cada quatro anos, o brasileiro vai às urnas escolher o presidente da República, e o investidor tende a redobrar a atenção com o planejamento financeiro. Embora a estratégia deva estar sempre voltada para o longo prazo, é quase impossível ignorar a volatilidade e os ruídos desse período.“Em um cenário de eleição, o cliente fica mais conservador e um pouco mais desconfiado”, observa Vieira. “É importante essa proximidade [com o assessor] para que, independentemente do momento, a carteira renda acima da inflação e ele não tenha perda do poder de compra real”, finaliza.The post Inflação, eleições e longevidade redefinem os desafios do investidor moderno appeared first on InfoMoney.

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