Inflação nos EUA desacelera em julho, alivia pressão sobre juros, mas ainda há riscos

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A inflação ao consumidor nos Estados Unidos confirmou um cenário de desinflação gradual em julho, com os principais indicadores alinhados às expectativas, mas ainda mantendo o núcleo de preços pressionado. Em julho, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,1% no mês, após queda em junho, levando a taxa acumulada em doze meses para 3,4%. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% na comparação mensal e recuou para 2,5% em termos anuais. Segundo os economistas Bernardo Dutra e Pedro Henrique Werneck, do Itaú, os dados retiram parte da pressão por aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo. Mas há quem alerte para riscos de alta devido ao mercado de trabalho e incertezas quanto ao conflito no Oriente Médio.Pressões e alívios no CPIO comportamento interno dos setores de preços foi misto. Vinicius Flores, sócio da Stratton Capital, com sede em Nova York, destaca que os custos com aluguéis responderam por cerca de dois terços da inflação do mês, sendo uma categoria de grande inércia no país. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, reforça que a habitação seguiu comportada, subindo apenas 0,1%, enquanto os preços de energia caíram 1,5%, embora ainda acumulem forte alta anual de 14,7%. Andressa Durão, economista do ASA, observou uma desaceleração na inflação de serviços, ajudada pela deflação na categoria de hospedagens, embora bens como veículos usados tenham surpreendido para cima. A projeção prévia da Goldman Sachs também sinalizava essa oscilação, estimando alta nos carros usados e passagens aéreas, acompanhada de queda nos preços de hotéis. CPI tira pressão sobre juros do EUAO impacto dos números para a política monetária americana divide os especialistas. Para Vitor Kayo, da Nomad, a leitura consistente faz com que o mercado já não espere uma alta de juros na reunião de setembro, projetando o movimento de aperto para outubro. Essa pausa imediata também é defendida por Gustavo Sung, da Suno, e por Andressa Durão, do ASA, que enxergam uma diminuição da urgência do Fed, tornando decisivos os dados de inflação e emprego das próximas cinco semanas. Flores, da Stratton Capital, concorda que a expectativa de manutenção das taxas não deve mudar, e aponta que o grande catalisador do mercado será o simpósio de Jackson Hole, no final de agosto, que trará atualizações sobre o Fed. A análise do Itaú segue a mesma linha, afirmando que a estimativa menor para o núcleo do indicador PCE tira a pressão imediata sobre novos aumentos de juros. Leia também: Dirigente diz que ‘não sabe’ até que ponto o Fed teria que elevar os juros nos EUAAlerta para riscos persistentesPor outro lado, há quem alerte para os riscos persistentes. Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, avalia que a resiliência do mercado de trabalho americano, aliada ao núcleo de preços de serviços que subiu 3% em um ano, formam uma combinação que deve levar a autoridade monetária a voltar a subir os juros já no mês de setembro. Sung pondera que as tensões no Oriente Médio e o petróleo tipo Brent próximo a 90 dólares o barril seguem como risco, o que ainda fundamenta sua projeção de pelo menos uma alta de juros até o final de 2026. A própria análise da Goldman Sachs salienta que os riscos altistas para a inflação seguem vivos, caso as disrupções nos mercados de petróleo se mostrem persistentes. Impacto nos mercados globais e BrasilPara a economia brasileira e os mercados globais, o tom generalizado de descompressão traz um otimismo cauteloso. “O número reduz a necessidade de um aperto monetário adicional imediato, mas não é suficientemente benigno para encerrar a discussão sobre juros”, avalia Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.O analista explica que o resultado tende a aliviar a pressão sobre as taxas dos Treasuries e a força do dólar na margem, o que favorece ativos de risco e as bolsas de valores, inclusive de mercados emergentes, como o Brasil. Essa reação cambial e de juros foi sentida logo após a divulgação dos dados, com queda imediata nos rendimentos americanos e no índice DXY, conforme apontado por Flores. Apesar do ambiente mais favorável para os emergentes, Lima ressalta que, enquanto a inflação americana não bater a meta, a curva de juros exigirá seletividade redobrada dos investidores em renda variável e crédito. The post Inflação nos EUA desacelera em julho, alivia pressão sobre juros, mas ainda há riscos appeared first on InfoMoney.

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