IPO da SpaceX: por que você deveria pensar duas vezes antes de entrar

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A SpaceX estreia na Nasdaq nesta sexta-feira (12) no maior IPO da história, com captação prevista de US$ 75 bilhões e valuation alvo de US$ 1,75 trilhão. Mas, apesar do burburinho, os investidores se perguntam se os fundamentos justificam o preço que vai fazer da empresa de exploração espacial uma das mais valiosas do mundo.Para especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a resposta exige separar duas coisas que o entusiasmo costuma misturar. “O investidor precisa tomar cuidado para não confundir empresa excepcional com ação necessariamente barata”, resume Leonardo Andreoli, especialista em investimentos da Hike Capital. “A tese da SpaceX é uma das mais fortes em termos de narrativa global, mas também uma das mais exigentes em termos de preço”.Leia também: SpaceX estreia na Nasdaq no maior IPO da história: como o brasileiro pode investir?Por mais forte que seja a empresa, há quem enxergue desafios na tese: o papel “pode facilmente estar 30%, 40% abaixo do preço do IPO” em algum momento, alerta o estrategista global Paulo Gitz. “Não é uma profecia, não estou dizendo que vai para lá, mas é uma empresa precificada com base em opcionalidades”.A tese e seus problemasPara entender a tese, é preciso olhar a SpaceX como três negócios em um, explica Marcelo Cabral, estrategista-chefe da Stratton Capital: o segmento espacial, lançamento de foguetes e transporte de astronautas, a internet via satélite, Starlink, e a inteligência artificial, que reúne o Grok, a plataforma X e a infraestrutura computacional.“Não existe nenhuma empresa com modelo de negócios semelhante ao da SpaceX. A competitividade vem das sinergias entre os três segmentos, uma arquitetura estratégica brilhantemente executada por Elon Musk”, afirma Cabral. Andreoli reforça que não se trata de aposta puramente conceitual: “a Starlink já é um negócio relevante, a companhia tem vantagem operacional em lançamentos e existe uma demanda real por conectividade, defesa, satélites e infraestrutura espacial”.O problema aparece quando a lupa vai para o caixa. A Starlink é a única divisão da SpaceX com geração de caixa positiva e responde pela maior parte da receita da companhia, que registrou prejuízo líquido relevante em 2025 e investiu pesado, a maior parte direcionada à inteligência artificial. No início de 2026, a receita continuou crescendo, mas em ritmo mais lento que no ano anterior, enquanto o prejuízo operacional e os investimentos seguiram em alta. Para Cabral, o sinal amarelo está na combinação: a receita desacelera “justamente quando o capex está acelerando”.“A situação financeira atual da SpaceX é insustentável no longo prazo. A empresa depende de acesso contínuo ao mercado de capitais para financiar os investimentos e, se em algum momento o mercado virar e as condições de captação ficarem adversas, a SpaceX pode ficar em uma posição de fragilidade”, diz Cabral.Preço que cobra perfeiçãoA US$ 135 por ação, a companhia chega à Bolsa avaliada em cerca de 94 vezes a receita de 2025, “extremamente alto mesmo para empresas de tecnologia de crescimento”, segundo Andreoli. “O valuation pretendido já embute uma execução quase perfeita em várias frentes ao mesmo tempo.” Boa parte desse preço depende de negócios que ainda nem existem como fonte de receita, como data centers orbitais para IA e o foguete Starship, “que ainda precisam provar escala, margem e retorno sobre capital”.“Não é precificada com base no lucro atual, não é precificada com base em dividend yield. É uma empresa mais parecida com a Tesla em termos de precificação”, compara Gitz. “Abaixo de um trilhão de dólares [de valuation] você começa a ter uma margem de segurança melhor. Por volta dos dois trilhões já parece precificada para a perfeição“.Afinal, vale a pena investir?A estatística não joga a favor de quem compra no calor do momento. Um levantamento da Truist Wealth com 30 grandes IPOs de tecnologia dos últimos 15 anos mostrou queda média de cerca de 55% no primeiro ano de negociação. “Isso não quer dizer que a SpaceX necessariamente vai cair 55%, mas mostra que comprar IPO muito disputado no calor da estreia costuma ser arriscado”, diz Andreoli.Os especialistas chegam a conclusões parecidas: a SpaceX pode ter lugar na carteira, mas pequena. “Depende do perfil do investidor. O valuation das ações é extremamente caro, mas, em um cenário de sucesso, o potencial de crescimento pode ser muito atrativo”, afirma Cabral. Para ele, o papel “pode ser interessante para investidores com alta tolerância a risco, capacidade de absorver perdas e horizonte de longo prazo, sempre com uma parcela pequena do patrimônio”.Para Andreoli, “vale acompanhar, mas não vale entrar de forma agressiva no IPO apenas pela empolgação”. Na visão da Hike, a SpaceX deve ser tratada “como uma tese de crescimento de altíssimo risco, e não como uma ‘compra óbvia’”. O mais sensato, diz, “seria esperar os primeiros balanços como companhia aberta, observar como o mercado precifica a ação depois da euforia inicial e avaliar se o preço começa a ficar mais compatível com os fundamentos“.Gitz vai na mesma direção: “nos próximos 12 meses você vai ter pontos de entrada melhores. É papel para longo prazo, até pela própria natureza da empresa, e pelo quanto o investidor vai aguentar a volatilidade. Se você conseguir um ponto de entrada mais atrativo e planejar ficar com o papel no longo prazo, faz sentido.”The post IPO da SpaceX: por que você deveria pensar duas vezes antes de entrar appeared first on InfoMoney.

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