Entre 15 de abril e 15 de maio, mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário brasileiro. Apenas em maio, 25% do dinheiro estrangeiro que havia entrado na Bolsa brasileira foi retirado, mostrando uma virada do mercado após o Ibovespa se aproximar das máximas e perto dos 200 mil pontos em meados de abril.Este cenário de maior cautela foi reiterado pelo Itaú BBA após conversa com investidores na 19ª Conferência de CEOs da América Latina, com participação de mais de 500 investidores de todo o mundo e 133 companhias da região. Os estrategistas do banco apontaram que as empresas estavam com uma postura mais moderada em comparação ao otimismo de 2025.O Brasil tem mostrado sinais de redução do posicionamento acima da média entre investidores estrangeiros (investidores de mercados emergentes), com base nas conversas recentes. Eles reduziram suas posições – saídas totais de capital estrangeiro em R$ 19 bilhões, após atingirem um pico de entrada de R$ 67,8 bilhões em abril de 2015 (ainda acumuladas R$ 50 bilhões no ano).Os setores relacionados à tecnologia, especialmente na Coreia do Sul e em Taiwan, têm capturado grande parte desse movimento, já que o recente impulso dos lucros tem sido positivo e levado a revisões para cima das projeções de lucros. Os resgates de ações locais no Brasil continuam em ritmo mais lento (R$ 9,1 bilhões no ano).Já os investidores locais destacam visão cautelosa de olho nas tendências da trajetória fiscal, a curva de juros e as contas federais. Além disso, o impacto de um ciclo monetário mais curto e do aumento do preço do petróleo sobre as tendências de lucro para 2026 e 2027.A visão é de que nenhum outro país da América Latina parece estar capturando um movimento consolidado de entrada de capital: o México parece estar adotando uma postura de alocação mais cautelosa em meio às incertezas relacionadas às discussões sobre a renovação do USMCA. Os países andinos parecem estar recebendo menos atenção, com foco no Peru (Financeiro), Chile (Financeiro e Consumo), e pouco interesse na Colômbia.Leia tambémS&P 500 e Nasdaq abrem em alta com ações de chips antes de resultados da NvidiaO avanço das ações de semicondutores impulsiona os índices de Wall Street antes do resultado financeiro da fabricante, considerado um teste crucial para a demanda por inteligência artificialApesar da mudança de humor, os investidores acreditam que três fatores podem renovar o interesse no Brasil. O primeiro deles, diz respeito aos desdobramentos geopolíticos, em especial, entre Estados Unidos e Irã.Os outros dois fatores são do lado interno. Um deles, aponta o andamento da curva de juros local; e o outro, a dinâmica política doméstica. Cerca de 69% das fontes entrevistadas pelo banco apontaram os juros locais como o principal direcionador para os próximos seis meses, seguidos por eleições locais e geopolítica.Empresas e setores em destaqueAs empresas do setor de utilities seguem como as principais para os investidores locais e com interesse crescente entre estrangeiros. Em termos de alocação, o setor financeiro também se destacam com as posições centrais para investidores locais e estrangeiros.Neste segundo caso, as preocupações com questões relacionadas ao ciclo de crédito criam alguma incerteza do lado dos investidores.Durante a conferência do BBA, o setor de consumo discricionário foi o mais destacado. Em seguida, o setor financeiro, industrial, de consumo básico e utilities completaram os cinco principais. Todos os setores superaram a marca de 500 solicitações. Em número de solicitações por empresa, o setor de saúde apresentou a maior proporção.As empresas mais demandadas pelos investidores foram Mercado Livre (BDR: MELI34), Itaú (ITUB4), Localiza (RENT3), Axia Energia (AXIA3, AXIA6), Sabesp (SBPS3), BTG (BPAC11), Rede D’Or (RDOR3), SmartFit (SMFT3) e RD Saúde (RADL3).Dez ações para acompanharAlém de buscar novas possibilidades de interesse no mercado brasileiro, o BBA também destacou e listou dez ações às quais os líderes setoriais tiveram reuniões positivas. Entre elas, se destacam Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Prio (PRIO3), Vale (VALE3), Vibra (VBBR3), C&A (CEAB3), Bemobi (BMOB3), Tenda (TEND3) e Cyrela (CYRE3).Além das nove, o banco também elencou a Argentina Financials, tanto a bolsa de valores (Byma) quanto o banco Supervielle.Principais nomesPara a Embraer, a visão positiva se baseia nas entregas quase 50% acima do ano anterior, com margem Ebit em 6,5%, com confiança no ponto médio de 9% para o ano cheio. A carteira de pedidos ainda bateu recorde de US$ 32 bilhões, uma alta de 22% ao ano.As operações nos EUA da Gerdau foram avaliadas como excelente, com backlog recor de 105, spreads fortes e mix mais rico. No Brasil, de acordo com o BBA, a companhia se aproxima de um ponto de inflexão de margens. Os resultados são impulsionados pela mineração, preços e medidas antidumping.A Prio pretende encerrar o ano com aproximadamente 200 kbpd (mil barris por dia), impulsionada pelo quarto poço de Wahoo e pela conclusão da aquisição dos 20% restantes de Peregrino em outubro. Segundo os analistas, em meio ao conflito em andamento, os descontos de comercialização melhoraram, podendo levar a uma forte geração de caixa.A Vale tem capturado expansão de margem, com os preços do minério de ferro cada vez mais sustentados pela inflação estrutural de custos. A perspectiva de geração de fluxo de caixa livre (FCF) é considerada forte entre os analistas, que acreditam haver alta probabilidade de pagamento extraordinário de dividendos no segundo semestre deste ano.Para a Vibra, o progresso na redução da informalidade contribuiu para um ambiente competitivo mais saudável, permitindo ganhos de participação de mercado e margens, segundo o BBA. Além disso, a forte geração de caixa deve sustentar redução de dívida e dividendos, enquanto a companhia segue atenta a oportunidades inorgânicas seletivas relacionadas ao core business.A C&A foi o destaque no segmento de vestuário, com a administração sinalizando confiança crescente no 2T, à medida que as vendas de inverno aceleraram. A administração da Bemobi também demonstrou otimismo quanto às perspectivas de crescimento em pagamentos, bem como em verticais novas e existentes.A Tenda revisou as premissas de inflação para 8%, com provisões de aproximadamente 4% para estouro de custos, e segue confiante em sustentar margens brutas ajustadas de 38% nos canteiros. A Cyrela, por sua vez, continuam tendo vendas resilientes, mesmo após as vendas para média e alta renda não estarem tão fortes quanto há 2–3 anos.Os volumes na bolsa da Argentina Financial, a Byma, ficaram mais fracos recentemente, mas os vetores estruturais positivos permanecem, conforme os analistas. A expectativa segue elevada de que spreads soberanos mais baixos possam impulsionar os mercados de capitais locais.Para o banco, o Supervielle, o istema atualmente opera com ampla liquidez, e os custos de captação caíram ignificativamente.The post Itaú BBA: 3 potenciais fatores que podem reacender interesse das ações do Brasil appeared first on InfoMoney.
