Jovens no comando: 64% dos assessores de investimentos têm entre 26 e 45 anos

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Profissionais de 26 a 45 anos representam 64% dos assessores de investimentos no Brasil. Ao mesmo tempo, o número de credenciados passou de 4.565 em 2016 para 27.721 em março de 2026, uma base aproximadamente seis vezes maior em uma década.Os dados são de um levantamento realizado por Francisco Amarante, superintendente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), a partir dos cadastros públicos de participantes regulados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).Para o perfil demográfico, o estudo utiliza dados da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), já que os cadastros da CVM não informam idade ou gênero.Leia também:Consultores de investimentos crescem mais de 20% ao ano e mercado muda de perfilTrês a cada quatro profissionais têm até 45 anosA maior concentração está entre os profissionais de 26 a 45 anos, que respondem por 64% — praticamente dois a cada três — dos assessores. A faixa de 18 a 25 anos representa outros 11% a 12% da categoria.Na outra ponta, os profissionais de 46 a 55 anos correspondem a 15% a 16% da base. Aqueles com mais de 56 anos são aproximadamente 9%.Os números mostram que cerca de três quartos dos assessores têm até 45 anos. O levantamento caracteriza a assessoria como uma carreira ainda jovem e em construção.Leia também:Empresas brasileiras dominam ranking de executivos na América Latina; veja destaquesNúmero de assessores foi multiplicado por seis O Brasil tinha 27.721 assessores credenciados em março de 2026, segundo dados da Ancord compilados no estudo. Em 2016, eram 4.565 profissionais. Em 10 anos, portanto, a base ficou aproximadamente seis vezes maior.Somente nos 12 meses encerrados em março de 2026, o número de credenciados avançou 2,1%.Nem todos os credenciados, porém, estavam efetivamente ligados a instituições do mercado. Dos 27,7 mil contabilizados em março, cerca de 20,1 mil estavam vinculados.Os números da Ancord também não são diretamente comparáveis aos registros da CVM. Na base da autarquia usada no levantamento, havia 26.092 assessores pessoa física em julho de 2026. A diferença decorre dos critérios utilizados pelas duas fontes.Leia também:Escritórios de assessoria têm quase 5 vezes mais profissionais que há uma décadaExpansão da atividade ganhou forçaA composição etária atual coincide com um período em que a indústria ganhou escala. O levantamento mostra que o ciclo de maior expansão ocorreu entre 2017 e 2022, depois de uma fase de redução da base entre 2012 e 2016.O pico de entradas ocorreu em 2022, quando foram registrados 6.389 novos assessores. Em 2021, haviam sido 5.677. Já em 2020, foram 4.226 novos registros.O levantamento, porém, não permite estabelecer uma relação causal entre o período de entrada na profissão e a idade atual dos assessores. Também não há uma série histórica demográfica equivalente que permita afirmar se os novos profissionais são mais jovens do que aqueles que ingressaram na atividade em períodos anteriores.A atividade entrou mais recentemente em uma fase de menor crescimento líquido. Ainda assim, a base atual permanece muito acima da observada há uma década.Leia também:Melhores da Assessoria abre edição 2026; veja como funciona a premiaçãoMulheres são apenas 21% do contingenteO perfil demográfico também mostra uma diferença relevante na composição por gênero. Dados da Ancord referentes a dezembro de 2024 mostram que 79% dos assessores eram homens e aproximadamente 21%, mulheres.Francisco Amarante afirma que a participação feminina é um ponto acompanhado pela ABAI. Para ele, a presença das mulheres já aparece de forma mais relevante no relacionamento com os clientes, mas existe um gargalo nas posições de comando.“O gargalo real está um degrau acima: no número de mulheres donas de escritórios de assessoria e em posições de liderança e assento em conselhos das casas”, afirma o superintendente.Segundo Amarante, o desafio é fazer com que a presença feminina na atividade também avance para a governança e a propriedade das empresas. Ele cita mentoria, maior visibilidade de referências femininas em cargos de liderança e a própria renovação geracional como fatores que podem contribuir para essa mudança.Para Amarante, ampliar a presença feminina na governança passa por criar condições para que profissionais que já atuam no relacionamento com clientes avancem também para posições de comando e participação societária.“Isso passa por mentoria voltada a esse salto de carreira, por visibilidade de referências femininas em posições de sócia e líder”, explica o superintendente da ABAI. A renovação da categoria também pode contribuir para esse processo conforme as novas gerações avancem profissionalmente.Leia também:A mulher chegou à alta liderança — mas muitas vezes continua sozinhaFalta de série histórica limita comparaçãoApesar do retrato atual, os dados disponíveis não permitem medir com precisão como o perfil da profissão mudou ao longo dos últimos anos. O levantamento não apresenta uma série histórica de idade e gênero que permita comparar a composição dos novos entrantes com a dos profissionais mais antigos.Também não há, segundo o estudo, uma base demográfica equivalente para os consultores de valores mobiliários. Os cadastros da CVM usados no levantamento não informam idade ou gênero, razão pela qual o recorte dos assessores foi construído com dados da Ancord.“O desafio está em transformar essa presença crescente na ponta em presença na governança e na propriedade dos negócios”, avalia Amarante.Com 64% dos assessores entre 26 e 45 anos, a evolução dessa geração será um indicador do próximo estágio da profissão. Além do crescimento da base, os próximos levantamentos poderão mostrar se a renovação também chegará à composição das lideranças e à participação feminina no setor.Leia também:Consultores de investimentos crescem mais de 20% ao ano e mercado muda de perfilThe post Jovens no comando: 64% dos assessores de investimentos têm entre 26 e 45 anos appeared first on InfoMoney.

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